Opinião

Bancos e bancos

Luciano Rocha

Jornalista

As instituições bancárias em Luanda, como tantas outras nos mais variados sectores, dividem-se entre as que, no mínimo, satisfazem os princípios pelas quais teoricamente existem e... as outras.

14/06/2021  Última atualização 06H40
A banca foi, directa ou indirectamente, dos sectores mais afectados pela gatunagem do "colarinho branco”, que dela se serviu - pelos vistos continua a fazê-lo - a bel-prazer, esbanjando, cá dentro e lá fora, o dinheiro que tanta falta nos faz.
Em Luanda, capital das incongruências, onde já pouco surpreende, incentiva-se, como no resto do país, a abertura de contas bancárias a quem, por exemplo, vive do mercado informal, forma, entre outros objectivos, de fazer sentir a esses angolanos que têm direitos iguais à generalidade dos compatriotas.

Mas, na capital da trapalhada, se há quem se preocupe com os mais deserdados da sorte, logo surgem aqueles, cujos propósitos não vão além do umbigo, dos iguais a eles, parentes ou não, marimbando-se para os outros.

Iniciativas que promovam o esbatimento das barreiras entre classes sociais são sempre bem-vindas, mas é importante haver formas de as concretizar para não caírem no esquecimento, acentuando o sentimento de impunidade vigente.

Ao luandense comum já bastam todos os outros obstáculos que é obrigado a enfrentar no dia-a-dia, parte dos quais criados - ou acentuados - pela pandemia da Covid-19 e por aqueles que a desafiam descarada e irresponsavelmente. Dispensava mais dores de cabeça, como perdas de tempo, absolutamente evitáveis, de rua em rua, em filas consecutivas, de dependência em dependência bancária,  na esperança de trocarem um cartão multicaixa expirado, que se esqueceu de renovar, por outro que lhe permita movimentar dinheiro que é seu, mas ao qual não tem acesso com a justificação de estarem esgotados. A alternativa é  o arcaico cheque, que tem de comprar!


Face a este cenário, está mesmo a ver-se a zungueira continuar a depositar os trocos que lhe custam tanto ganhar. Ainda por cima, porque a antiga vizinha, que trocou a bacia de fruta pelo tráfego ilegal de moeda, não vai para filas, almoça e lancha todos os dias, ri-se dela.

Nem rodos os bancos procedem assim, é verdade, mas basta um vírus para causar uma epidemia.

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