Economia

Bancos desafiados a proteger depósitos sem afectar crescimento

As instituições financeiras do país foram desafiadas a associar a protecção dos depósitos ao estímulo de geração de poupanças e o crescimento da capacidade financeira dos clientes.

21/06/2024  Última atualização 11H10
Trajectória da inflação e a necessidade de financiamento do Estado mereceram destaque © Fotografia por: DR

O apelo foi feito ontem, em Luanda, pela ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, ao discursar na cerimónia de apresentação da 18ª edição do estudo "Banca em Análise 2024”, iniciativa da Deloitte Angola.

Vera Daves de Sousa fez saber que este acto vai desenvolver soluções de financiamento que permitam estimular a robustez financeira das famílias e das empresas que servem, permitindo um aumento do rácio de transformação do limiar dos 28,2 por cento para o limiar dos 80 por cento, como ocorre, por exemplo, na África do Sul.

"Estamos certos que este desafio poderá ser a semente de um ciclo económico virtuoso, se todos os participantes da nossa economia se solidificarem”, disse.

A ministra disse contar ainda  com o papel activo dos reguladores e supervisores do sistema financeiro no que ao aumento dos níveis de literacia financeira diz respeito.

Reconheceu haver iniciativas que estão a ser levadas a cabo, pelo que, disse, o Ministério se coloca como parceiro das autoridades para o que for necessário neste domínio.

Sobre as taxas de juro vigentes no país, Vera Daves de Sousa fez saber que para quem queira iniciar um negócio, quem precise melhorar a  tesouraria ou até pretende expandir o negócio já funcional, as taxas permanecem sendo proibitivas.

"A trajectória da inflação e as necessidades de financiamento do Estado, sem dúvida, que explicam uma parte não negligenciável dessa participação insuficiente da banca no investimento privado. Estou aqui como responsável pela gestão de recursos do Tesouro Nacional a assumir que também recorremos a vós para o financiamento da actividade do Estado”, disse.

Acentuou que a participação no desenvolvimento económico e social passa por um melhor equilíbrio entre o crédito ao Estado, condições sustentáveis nas melhores taxas de juro, maturidades possíveis e o crédito ao sector privado.

Estudo da Deloitte

O presidente da Deloitte Angola, José Barata, disse, ontem, em Luanda, na apresentação do estudo "Banca em Análise”, que, em 2023, se registou um aumento do crédito líquido concedido a clientes de cerca de 40 por cento, a evolução do crédito líquido apresenta uma tendência de crescimento desde 2019, motivada pelas medidas de estímulo ao financiamento directo à economia adoptada pelo Executivo em 2011 e que tem vindo a ser reforçada por algumas medidas do Banco Nacional de Angola e o Fundo de Garantia de Crédito, nomeadamente através da prestação de Garantias Públicas.

O produto bancário aumentou em 48 por cento, sendo que os resultados líquidos registaram uma melhoria significativa, com um aumento de 65,8 por cento face a 2022. Este aumento é explicado principalmente pelo crescimento de 261 por cento dos resultados cambiais que totalizaram 452 mil milhões de kwanzas, decorrente da desvalorização cambial do Kwanza face ao Euro e ao Dólar norte-americano. Também pelo crescimento dos resultados de activos e passivos financeiros avaliados ao justo valor através de resultados, em torno dos 180 mil milhões de kwanzas face ao período homólogo resultante da mais-valia gerada pela alienação de dívida pública angolana efectuada por alguns bancos.

O comércio electrónico tem vindo a ganhar expressão no mercado nacional. Os dados da Deloitte registam um crescimento de 48 por cento nas transacções totais efectuadas.

Waldina de Lassalete  e Regina Handa

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia