Economia

Bancos aceitaram formulários para compra de divisas sem documentos

Quatro bancos comerciais abordados ontem, no segundo dia da vigência da venda de divisas sem documentos de viagem, prontificaram-se a receber um formulário preenchido pelo nosso repórter, que se fazia passar por cliente, deixando o balcão com a orientação de esperar a disponibilidade cambial para concluir a operação.

08/01/2020  Última atualização 11H24
Dr

Dos balcões dos bancos de Fomento Angola (BFA), Internacional de Crédito (BIC) e Millennium Atlântico (BMA), a nossa reportagem viu pelo menos uma dezena de outros clientes sair “de mãos vazias”.

O que significa que o Aviso 10/2019 do Banco Nacional de Angola, que dispensa a apresentação de qualquer documento para aquisição de divisas, não trouxe celeridade na aquisição da moeda estrangeira.
Os funcionários dos quatro balcões visitados actuavam de forma semelhante, esclarecendo que a aquisição de divisas passa pela apresentação de uma solicitação, para a qual está disponível um formulário, ficando o solicitante à espera por prazo que tinham dificuldade em definir.
O período de espera deve-se, em alguns casos, à reduzida quantidade de divisas disponíveis para atender a todas as solicitações, disse um funcionário do BFA, acrescentado que, apesar deste procedimento, o banco não dá garantias de pagamento, uma vez que os pedidos são satisfeitos mediante as quantidades de divisas disponíveis.
Ser cliente do banco e pretender comprar as divisas constitui uma das principais condições para a aquisição, realizada por transferência do banco para conta bancária do interessado, desde que tenha provisões.
A estudante universitária Jucelma Garcia instada a opinar ao Jornal de Angola, considerou que, muitas vezes, a situação de espera tem sido causadora de vários constrangimentos, uma vez que cada um tem responsabilidades assumidas por solucionar em prazos concretos.
O não cumprimento dos prazos, acrescentou, acarreta consequências que podem causar prejuízos, como o pagamento de indemnizações.

Medida aplaudida

Outros populares ouvidos pela nossa reportagem aplaudiram a medida do banco central, como o engenheiro mecânico Isaque Mandala que, apesar de se manifestar céptico quanto à implementação prática dessa decisão, considerou que, “caso seja realmente aplicada na prática, vai servir para dinamizar a economia nacional”.
Isaque Mandala lembrou que o antigo processo de aquisição de dólares criava muitos embaraços à população, uma vez que, além da documentação, “também tinha de ter a sorte de ser atendido, sendo obrigado a regressar ao banco inúmeras vezes”.
Considerou “razoável” o limite do equivalente a 120 mil dólares por ano como tecto máximo para a realização de operações de viagens, transferências, incluindo para apoio familiar, tendo em conta as somas mais sofríveis que tem sido possível transferir até agora.
Isaque Mandala também considerou justo que a taxa de câmbio a praticar no momento das vendas de divisas pelos bancos comerciais seja livremente negociada, de forma que as duas partes consigam obter vantagens mútuas.
O funcionário da Sonangol Benedito Kizua declarou que a medida tomada pelo BNA é positiva, sublinhado que vai erradicar muitos dos constrangimentos que os cidadãos enfrentavam na hora de adquirir divisas para atender diversas razões.
Benedito Kizua chama a atenção das autoridades no sentido de ficarem atentas aos cidadãos que podem aproveitar a situação para encaminharem as divisas para o mercado informal, para a revenda das divisas, visando o lucro.
Referindo-se à isenção de limites nas transferências para saúde, educação e de alojamento, quando os pagamentos são efectuados directamente aos prestadores desses serviços, a técnica de vendas de alimentos Juliana Domingos referiu ser uma medida acertada.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia