Economia

Banco Mundial promete financiar projecto Bita

O Banco Mundial (BM) vai garantir o financiamento do projecto de produção e distribuição de água potável Bita (em Luanda), quando dentro de dois meses se reunir no “Angola Day” para aprovar novos empréstimos avaliados em 1,2 mil milhões de kwanzas para programas de desenvolvimento no país, prometeu ontem o director executivo da instituição financeira, Fábio Kantczuk.

04/05/2019  Última atualização 18H44
Francisco Bernardo| Edições Novembro © Fotografia por: FábioKantczuk lidera a missão de dez directores executivos do Banco Mundial que estuda novos empréstimos a Angola

O brasileiro lidera uma missão de dez directores executivos do BM que conclui hoje uma avaliação, iniciada quinta-feira, de projectos em curso e em preparação para obterem financiamento do banco multilateral.
As declarações foram proferidas no fim de uma reunião em que o Conselho de Administração da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) apresentou o projecto Bita, que vai fornecer água à zona sul e sudoeste de Luanda.
Fábio Kantczuk considerou, ao falar à imprensa no fim da reunião, que “o projecto tem um grande potencial”, posto que “vai permitir que as famílias deixem de obter a água distribuída por camiões-cisterna, que são bastante caros, para passarem a usufruir de água canalizada.”
“É um caminho correcto. Daqui a dois meses, o Banco Mundial vai reunir em Conselho para garantir o investimento neste projecto”, afirmou Fábio Kantczuk. De acordo com números oficiais disponíveis no Jornal de Angola, o financiamento previsto para o Bita é de 473 milhões de dólares.
O presidente do Conselho de Administração da EPAL, Diógenes Diogo, descreveu a situação do fornecimento de água de Luanda com variáveis como a população de província, de oito milhões de habitantes, e um défice de 710 mil metros cúbicos de água potável por dia, face às necessidades de consumo de 1,2 milhões de metros cúbicos. O défice é tido, algumas vezes, como o centro das restrições impostas sobre o abastecimento, o que Diógenes Diogo afirmou que se procura solucionar com a implementação do projecto Bita.
Diógenes Diogo falou também sobre os altos níveis de dívidas contraídas pelos consumidores, lembrando que apesar de a companhia ter adoptado oito tarifas para a cobrança, entre as quais se destaca a doméstica, a social, a industrial e a de serviços, “há consumidores que não pagam com regularidade o consumo.”
A EPAL, prosseguiu, ainda não efectua em cem por cento o tratamento de águas residuais, o que ainda é da responsabilidade do Governo Provincial de Luanda, além que, nas zonas mais carenciadas, o abastecimento mais frequente é feito por camiões-cisterna, a preços especulativos.
Na apresentação do projecto, o administrador executivo da EPAL, Manuel da Cruz, definiu o Bita como um novo sistema, com novas captações, tratamento, reserva e distribuição, “sem qualquer sombra de dúvida, com impacto enorme no acesso à água em Luanda.”
Com o início das obras previsto para Janeiro, o projecto envolve a construção de quatro centros de distribuição e um de tratamento de água que vão produzir, depois da conclusão até 2023, 258.200 metros cúbicos de água potável para abastecer toda a zona sul e sudoeste de Luanda, beneficiando mais de 1,700 milhões de famílias do Camama, Cabolombo (Zona Verde), Mundial e Ramiros.
O BM empregou 1.069 milhões de dólares em mais de 19 projectos de impacto económico e social em Angola entre 1998 e 2017, tendo oito em execução pelo valor de 1.044 milhões.
Apesar dos investimentos já realizados no país, a instituição financeira internacional dispõe-se a ajudar Angola a implementar projectos nos domínios da agricultura, energia, auxílio ao relançamento do sector produtivo privado, produção estatística e promoção do investimento para redução das importações.

 

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