Economia

Banco Mundial prevê início da recuperação económica

O Banco Mundial considera que as reformas em curso em Angola fortaleceram o sector não-petrolífero e vão continuar a melhorar o ambiente empresarial e devem apoiar à recuperação da produção petrolífera, essencial para sustentar o crescimento económico.

10/01/2020  Última atualização 11H58
Santos Pedro | Edições Novembro

As declarações estão insertas no relatório sobre as “Perspectivas Económicas Globais”, divulgado hoje, em Washington, no que se prevê que Angola, a terceira maior economia da África Subsaariana e o segundo maior produtor de petróleo da região, deverá regressar ao crescimento este ano, depois de quatro anos de recessão.
A instituição financeira internacional cortou, entretanto, a previsão de crescimento para Angola em cerca de metade, antecipando expansões de 1,5 e 2,4 por cento em 2020 e 2021, respectivamente, e uma aceleração para próximo de 3,00 por cento em 2022.
“A actividade económica em Angola deverá ter-se contraído 0,7 por cento em 2019, devido à queda da produção petrolífera pelo quarto ano consecutivo causada pelo retorno menor dos campos mais antigos e ao adiamento dos investimentos em nova capacidade”, lê-se no relatório.
O crescimento económico, acrescenta, deve atingir os 1,5 por cento este ano e acelerar para uma média de 2,7 por cento em 2021 e 2022, dizem os economistas, alertando que “esta projecção assume que as reformas estruturais em curso, apoiadas por uma política monetária prudente e pela consolidação orçamental, asseguram mais estabilidade macroeconómica, continuam a melhorar o ambiente empresarial e potenciam o investimento privado”.

África acelera
As economias da África Subsaariana deverão acelerar o crescimento este ano para 2,9 por cento, depois de a expansão económica prevista para 2019 ter sido revista de 2,4 para 1,9 por cento, segundo as estimativas do Banco Mundial.
De acordo com as “Perspectivas Económicas Globais”, “a recuperação económica na África Subsaariana perdeu o seu dinamismo, estimando-se que o crescimento em 2019 tenha sido moderado para 2,4 por cento”.
Os economistas argumentam com “a intensificação dos ventos contrários globais, tais como a desaceleração da actividade dos principais parceiros comerciais, a elevada incerteza política e a queda dos preços das matérias-primas, que tem sido agravada por fragilidades internas em vários países”.
Para este ano, a perspectiva é de uma aceleração do crescimento para 2,9 por cento, “assumindo que a confiança dos investidores melhore em algumas grandes economias, que os estrangulamentos energéticos diminuam, que um aumento da produção de petróleo contribua para a recuperação dos exportadores de petróleo e que um crescimento robusto continue entre os exportadores de produtos agrícolas”.
A previsão do Banco Mundial, de 2,9 por cento para este ano, revela também uma revisão em baixa face aos 3,3 por cento anteriormente previstos, “reflectindo uma menor procura por parte dos principais parceiros comerciais, preços inferiores das matérias-primas e desenvolvimentos internos adversos em vários países”.
Entre os principais riscos identificados pelo Banco Mundial para esta região, cujas três maiores economias (Nigéria, África do Sul e Angola) deverão enfrentar uma recessão numa base “per capita” pelo quinto ano consecutivo, estão “uma desaceleração mais acentuada do que a esperada nos principais parceiros comerciais, como a China, a Zona Euro ou os Estados Unidos, que irá reduzir substancialmente as receitas das exportações e o investimento”.

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