Economia

Banco Mundial a favor do fim da subvenção dos combustíveis

Victorino Joaquim

Jornalista

O Banco Mundial (BM) apoia a intenção do Executivo angolano na retirada da subvenção dos combustíveis, anunciou ontem, em Luanda, o novo director regional da instituição financeira para África.

02/10/2020  Última atualização 16H54
João Gomes | Edições Novembro © Fotografia por: Jean- Christophe Carret durante a conferência de imprensa

Jean-Christophe Carret, que falava em conferência de imprensa, para balanço dos quatro dias da sua visita a Angola, afirmou que a instituição financeira internacional apoia esta retirada, por compreender que a subvenção vem beneficiar apenas uma menor parte da população, deixando de lado a população carente, pelo que, acrescentou, o BM está apoiar o Governo na implementação de um programa denominado “Kwenda”, que está a servir para apoiar financeiramente as famílias mais vulneráveis.

O novo responsável para África informou que Angola não vai beneficiar do financiamento na ordem dos 50 mil milhões de dólares, a serem disponibilizados, brevemente, pelo Banco Mundial, por ser um país considerado de rendimento de médio-alto.

O montante, segundo o novo director, vai servir para apoiar projectos em 48 países pobres da África subsariana.
Jean-Christophe Carret, que, pela primeira vez, visita Angola, deu a conhecer que o Banco Mundial está a proceder a adaptação do seu posicionamento, fruto da pandemia e seus efeitos. “Inicialmente, pensava-se que a doença seria de pouco tempo, mas depois percebemos que a mesma vai vigorar por mais tempo. Por isso, nós temos estado a nos ajustar pontualmente”
Durante os quatro dias da visita a Angola, do novo director regional do Banco Mundial para África, Jean-Christophe Carret, foram passados em revista os vários projectos de desenvolvimento social em curso em Angola.

A visita do novo director para África permitiu também que as duas partes pudessem repensar sobre as estratégias, no sentido de evitar os eventuais constrangimentos resultantes do surgimento da pandemia da Covid-19.
A ministra das Finanças, Vera Daves, presente na conferência de imprensa, considerou que os projectos em curso, resultantes de financiamento pelo BM, estão a “bom ritmo”.

Instituições de Bretton Woods dão mais confiança a Angola

A manifesta abertura dos organismos de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial) demonstra um gesto de confiança que Angola deve capitalizar para combater a pandemia e os seus efeitos sem descurar a vertente do crescimento económico apoiada na produção nacional, que trará mais empregos ao país e reduzir as importações.

Esta posição foi enaltecida pelo economista e docente universitário, Rui Malaquias, quando se debruçava sobre a assistência financeira por parte do FMI a Angola. “Este aumento no empréstimo mais do que o dinheiro em si, é um gesto de confiança que Angola deve capitalizar”, disse .
Para ele, o FMI exige reformas que se deveriam ter tomado mais cedo quando não se estava com dificuldades financeiras. “Penso que há sim mais margem de manobra em termos financeiros e de confiança desde que Angola cumpra com o que se comprometeu e consiga manter o equilíbrio com as prioridades internas”.

Sublinhou que o aumento da assistência consiste apenas num reforçar do voto de confiança ao Governo angolano que tem cumprido com as recomendações do FMI, bem como “se não o fizessem este aumento o esforço financeiro inicial seria em vão”.
Sobre a decisão que altera as previsões negativas sobre a evolução da economia angolana este ano, o economista, também mestre em finanças, nega taxativamente, dizendo que uma coisa não tem nada a ver com outra, na medida em que as previsões de crescimento negativas são derivadas do agravamento dos indicadores da economia mundial e nacional derivadas da pandemia e mais directamente do decréscimo das receitas petrolíferas que limitaram a entrada de divisas e receitas fiscais ao país.

Quanto ao potencialque se venha alterar às avaliações de rating das três principais agências internacionais de notação divulgadas recentemente, o economista frisa que a avaliação de Angola não deve melhorar, porque houve melhorias significativas nas variáveis económicas nacionais, pelo contrário foi agravado o endividamento. Assim sendo, o Governo tem de usar de forma proficiente os recursos para relançar a actividade economia e assim aumentar a capacidade de Angola pagar aos seus credores e reduzir a percepção de risco que lhe é atribuído por tais agências.

 

 

 

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia