Economia

Banco central eleva os juros

Victorino Joaquim

Jornalista

O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu agravar os juros numa sessão do Comité de Política Monetária (CPM) realizada ontem, em Luanda, explicando a medida pela persistência das tensões inflacionistas do mercado, que colocam em risco meta de inflação de 19,5 por cento estabelecida para o ano em curso.

03/07/2021  Última atualização 08H00
BNA afirma que os preços apresentam trajectória incompatível com os objectivos traçados © Fotografia por: DR
A taxa básica de juro (taxa BNA) foi elevada de 15,5 para 20 por cento, enquanto a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez foi aumentada de 19,88 para 25 e a da facilidade permanente de absorção de liquidez, a sete dias, de 12 para 15 por cento, de acordo com o comunicado lido pelo governador do banco central na conferência de imprensa que se seguiu à reunião. 
Segundo declarações proferidas por José de Lima Massano justifica o aumento dos juros, a inflação total, sem a contribuição dos preços administrados e voláteis, tem apresentado uma trajectória incompatível com o objectivo de inflação no curto, médio e longo prazos. 

Além disso, a morosidade na normalização das condições da oferta de bens alimentares conjugada com a inelasticidade da sua procura, apontam para uma perspectiva de manutenção de níveis de inflação elevados, não obstante o quadro de estabilidade cambial, colocando em risco o objectivo estabelecido para a inflação de 19,5 por cento no final do ano. 

Os números fornecidos pelo governador, nos quais o BNA se baseou para agravar os juros, são relativos ao mês de Maio, quando o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) permaneceu acima dos 2,0 por cento, sem sinal de abrandamento, impulsionado pela classe de alimentação e bebidas não alcoólicas. 

 A variação do IPCN acumulada até Maio de 2021 atingiu 9,84 por cento, ascendendo a 24,94 por cento nos últimos 12 meses, o que é reforçado com indicações de que, na  primeira quinzena de Junho, a tendência de evolução dos preços manteve-se desfavorável. 

O governador insistiu em que as pressões inflacionistas persistem e revelam-se maiores que o esperado, apesar das  medidas terem sido tomadas para minimizar o choque da oferta registado no primeiro trimestre do ano em curso. 

Apesar de elevar os juros, o banco central decidiu manter inalterados os coeficientes das reservas obrigatórias, em moeda nacional e moeda estrangeira em 22 por cento, bem como os termos e condições de estímulo ao crédito ao sector real da economia. 

Até Maio, anunciou, o financiamento concedido no quadro do Aviso 10/2020 ascendeu a 233 projectos e a 506,97 mil milhões de kwanzas, correspondentes a 284,77 por cento do valor mínimo a conceder até final ao abrigo dessa norma.  

O governador lembrou que o Aviso orienta  os bancos comerciais a promoverem a concessão de crédito ao sector real da economia e que a maior fatia do financiamento aprovado beneficiou o sector da Agricultura. 

Em Maio, as Reservas Internacionais Brutas situaram-se em 14,09 mil milhões de dólares, contra os 14,59 mil milhões de Abril, assegurando a cobertura de importações de bens e serviços de aproximadamente 11 meses. 

Nesse período, a moeda nacional, o kwanza, apreciou 0,43 por cento em relação ao dólar, elevando a apreciação acumulada desde início do ano para 0,94 por cento. 

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