Opinião

Balões brancos para os que partiram

No dia em que este jornal completou 46 anos a levar informação ao público (de Angola e do mundo), a direcção decidiu brindar os funcionários com uma festa.

03/07/2022  Última atualização 09H11

Um dos momentos mais marcantes e emocionantes foi a cerimónia de lançamento de balões brancos ao ar, em memória de todos aqueles que ajudaram a erguer a Edições Novembro, empresa que nasceu com um jornal (de Angola) e que se consolidou com a revista Novembro (do célebre Zito Mabanga) e que hoje, mais de quatro décadas depois, conta com 11 títulos, entre diário, de especialidade e regionais. Ao longo deste tempo, a Edições Novembro esteve em todas as etapas da vida deste país, sempre a informar os angolanos.

Bem vistas as coisas, o protagonismo do jornal que suporta a empresa vem do longínquo ano de 1923, com a criação da "Província de Angola”, veículo de informação e opinião de cariz colonial, cuja empresa viria a ser nacionalizada em 26 de Junho de 1976, sete meses após a Independência Nacional, para dar lugar a Edições Novembro, como bem lembra o jornalista Rui Ramos, num texto especial publicado no dia do aniversário.

De lá para cá, o jornal sempre acompanhou os angolanos. Ajudou a consolidar as estruturas da nova Nação, mostrou ao mundo a determinação do povo. Na era dos telexes, das máquinas de escrever com papel químico, ajudou a travar os carcamanos que tentavam desestabilizar o país e retirar dos angolanos o direito de comandarem o seu próprio destino.

No meio de muitas dificuldades, mostrou o país suspenso, com a morte de Neto. Depois, ajudou a relançar a esperança, com o jovem José Eduardo dos Santos, numa "transição necessária”. Depois, veio o multipartidarismo e o jornal esteve lá, a cumprir o seu papel: informar os angolanos e o mundo sobre Angola e o mundo.

Fiéis aos compromissos dos fundadores, as gerações seguintes mostraram as primeiras eleições, a vontade dos angolanos e a expectativa do mundo em relação à coragem e determinação de um povo que mostrou saber bem o que queria.

As páginas do diário mostraram, também, o país que se reerguia aos poucos, depois de décadas de guerra civil, que destruiu quase todas as infra-estruturas. Reportaram toda a transformação do país. Uma ponte aqui outra acolá, uma escola, um hospital, uma fábrica, uma estrada, até surgirem cidades. A Edições Novembro sempre esteve lá.

Hoje, vivem-se tempos novos. A globalização e as novas tecnologias impõem enormes desafios às organizações. São tempos em que as redes sociais democratizaram de tal forma a comunicação, que se chega a confundir informação e desinformação, tornando os consumidores vítimas fáceis de indivíduos sem carácter. São tempos difíceis, é verdade.

Cá entre nós, nesta luta diária de consolidação da democracia e mostrar ao mundo esta Angola que se renova todos os dias, é preciso mais trabalho e empenho de todos. A actual administração, liderada pelo jornalista Drumond Jaime, quer continuar a estender o acesso ao Jornal de Angola e demais títulos, no formato físico e digital. O objectivo é levar a informação a todo o recanto deste país. Os valores continuam os mesmos: velar pelo interesse público, clareza e rigor na informação, isenção e pluralidade e cultivar o trabalho de equipa. 

Os balões lançados ao ar são para os que partiram. Mas a homenagem é extensiva a todos aqueles que, na profissão, defenderam e continuam a defender Angola e a ajudar os angolanos a desfrutarem da paz, da liberdade e a manter a unidade nacional. A fé inquebrantável nos valores mais nobres da profissão, apesar dos ataques que estes heróis da escrita são alvos, mostra que há razões para acreditar num futuro melhor.

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