Economia

Balança de Pagamentos regista superavite no II trimestre

A conta corrente (que regista as entradas e saídas de mercadorias no território nacional) teve no segundo trimestre do ano em curso, um superavite na ordem de 3, 5 milhões de dólares, equivalentes a 10,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), registando um decréscimo de 26,7 por cento em relação ao trimestre anterior.

24/09/2022  Última atualização 08H55
© Fotografia por: DR

Segundo o relatório do Banco Nacional de Angola (BNA), o declínio da conta corrente foi impulsionado pelo aumento das importações de bens e serviços, bem como o agravamento do défice dos rendimentos e transferências correntes, apesar do aumento das exportações de bens, mas numa magnitude muito inferior.

O documento sustenta que o saldo superavitário da conta de bens registou um ligeiro aumento de 2 por cento, ao passar de 8, 9 milhões de dólares no primeiro trimestre para 9, 1 milhões no segundo, devido ao crescimento das despesas de importações de bens numa proporção superior ao das receitas de exportação.

Por outro lado, as receitas da exportação de bens aumentaram em 7,8 por cento, situando-se em 13, 6 milhões de dólares contra 12,6 milhões do trimestre anterior, impulsionado pelo sector petrolífero que representou 95 por cento do seu valor total, apesar da redução das receitas de exportação do gás, em virtude da queda do seu preço médio.

Assim, acrescenta o documento, tanto a variação do preço médio como das quantidades exportadas de petróleo bruto tiveram um efeito positivo sobre o valor das exportações na ordem de 68 e 35,4 por cento, respectivamente.

Dentre os principais países de destino da exportação de petróleo bruto angolano, a China manteve-se na primeira posição, com uma quota de 54,3 por cento, seguida da Índia e Itália (7,4) e (6,5), respectivamente.

No que toca às exportações do sector não petrolífero, o documento sublinha que continuam ainda com um peso residual, e muito dependentes do sector diamantífero, cujas exportações aumentaram de 479,1 milhões de dólares para 535,2 milhões, ao passo que os restantes produtos representaram apenas 0,5 por cento do valor total das exportações.

Os principais países de destino dos diamantes exportados foram os Emirados Árabes Unidos com 78 por cento do valor total, seguido da Bélgica (9,39 e de Hong Kong (8,3).

Importações

 O valor das importações de bens foi de 4, 5 milhões de dólares, contra 3,7 milhões do trimestre anterior, representando um crescimento de 21,8 por cento.

O relatório sustenta que o aumento das importações verificou-se em quase todas as categorias de bens, com realce para os combustíveis (469,9 milhões de dólares) e as máquinas, aparelhos mecânicos e eléctricos (230,1 milhões).

Continua-se a importar, maioritariamente, os bens de consumo corrente, com um peso de 67,6 por cento do valor total, seguido dos bens de capital (22,5) e os de consumo intermédio com apenas 10 por cento.

Os principais parceiros comerciais de Angola, no que diz respeito à procedência das importações foram a China com uma quota de 14,3 por cento, Portugal (11,6), República da Coreia (10,3), Países Baixos (10,1) e a Índia (8), perfazendo 54,3 por cento do valor total das importações.

A conta de serviços apresentou um agravamento do seu saldo deficitário em 42 por cento ao passar de 2 milhões no primeiro trimestre para 2, 8 milhões de dólares no segundo.

O agravamento do défice da conta de serviços foi infuenciado, essencialmente, pelo aumento das importações dos serviços de construção em 368,9 milhões de dólares, decorrente da expansão dos investimentos públicos em infra-estruturas, viagens em 221,4 milhões e transportes em 119,6 milhões de dólares, face à reabertura das fronteiras e aumento das importações.

Estrangeiros investem menos no mercado interno

O investimento directo líquido no país foi deficitário em 1, 8 milhões de dólares, contra 1, 3 milhões do primeiro trimestre devido à redução de novos investimentos e maior recuperação do capital investido no sector petrolífero.

Os Estados Unidos da América (EUA), França e Itália foram os países que se destacaram no que se refere à origem do investimento directo estrangeiro destinado ao sector petrolífero.

Quanto ao sector não petrolífero, o destaque recai para a África do Sul, Bielorrússia, Portugal e China.

Registou-se uma melhoria do fluxo líquido dos capitais de médio e longo prazos  (dívida externa pública) em 1, 4 milhões de dólares, ao passar de um défice de 294,8 milhões no primeiro trimestre para um superavite de 1, 1 milhão, devido ao aumento substancial dos desembolsos externos, com realce para os títulos soberanos (Eurobonds).

 

Os outros capitais registaram uma redução do seu défice na ordem dos 21,3 por cento, ao cifrar-se em 2, 3 milhões de dólares, contra os 2, 9 milhões do primeiro trimestre. O resultado desta conta foi influenciado pelo aumento dos créditos comerciais concedidos a não residentes, face ao aumento do preço médio de petróleo bruto.

Angola melhora posição no comércio internacional

A posição líquida do investimento internacional registou uma melhoria do seu défice, ao passar de 20 milhões de dólares no primeiro trimestre, para  16, 9 milhões, devido ao aumento dos activos financeiros e redução dos passivos com não residentes.

O aumento dos activos financeiros foi devido ao outro investimento, com realce para o aumento dos créditos comerciais.

Por seu turno, o saldo dos activos de reservas, o investimento directo e o de carteira, registou uma redução. O outro investimento representou 65,6 por cento do total dos activos, seguido dos activos de reserva com 27,3.

No que toca à composição do outro investimento, realça-se que os créditos comerciais e adiantamentos representaram 53,7 por cento do seu valor total, seguido das moedas e depósitos com 45,6 por cento.

O stock das reservas internacionais registou uma redução de 266,8 milhões de dólares ao passar de 14,3 milhões no primeiro trimestre para 14, 1 correspondentes  a uma cobertura de 6,3 meses de importações de bens e serviços.

O stock do investimento angolano no exterior sofreu uma redução ao passar de 2, 2 milhões de dólares no primeiro trimestre, para 2, 1 milhões, fruto da desvalorização de alguns activos investidos no exterior.

Os principais países de destino do investimento directo angolano no exterior são as Ilhas Maurícias, Portugal, Ilhas de Man, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

Quanto aos passivos, a categoria do outro investimento representou o maior peso, seguido do investimento directo estrangeiro, com posições avaliadas em 49, 2 milhões de dólares e 9, 7 milhões, respectivamente, representando no agregado cerca de 85,8 por cento do total dos passivos.

Em relação à composição do outro investimento, realça-se que os empréstimos representaram cerca de 87,1 por cento do valor total do outro investimento.

O stock da dívida externa total situou-se em 66, 1 milhões de dólares, contra 65, 4 milhões do primeiro trimestre, representando um aumento de 706 milhões de dólares.

A China e a Grã-Bretanha destacaram-se como os principais países credores do endividamento público, com cerca de 68,5 por cento do valor total. As organizações internacionais ocupam a terceira posição.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia