Regiões

Bairros do Sambizanga enfrentam escassez de água

Aquando da execução do projecto de requalificação do Distrito Urbano do Sambizanga, num passado recente, parte da conduta de água que abastecia os bairros da Madeira, Lixeira, Frescura, Santo Rosa, entre outros, foi cortada. Desde então, os moradores enfrentam uma “seca” sem fim à vista.

26/08/2020  Última atualização 12H00
Há oito anos, quando tomou contacto com a criação de infra-estruturas técnicas, no quadro dos trabalhos de requalificação do distrito do Sambizanga, Joaquim Gouveia jamais podia prever o calvário que agora enfrenta.

Para Joaquim Gouveia, morador no bairro da Lixeira, a construção e reabilitação de passeios, vias de circulação, viaduto e outras infra-estruturas públicas representou o início da viragem urbanística do Sambizanga, mas também o avolumar de dissabores no acesso à água potável para as famílias dos bairros da Madeira, Lixeira, Frescura, Santo Rosa, entre outros.

"A requalificação do Sambizanga-Sede previa também a construção de serviços médicos, postos policiais, redes eléctricas, de abastecimento de água e drenagem das águas residuais e pluviais. Infelizmente, parte da conduta de transporte de água para o bairro foi cortada e estamos assim até hoje”, disse Joaquim Gouveia.

Para contornar a carência de água, os moradores dos bairros penalizados são abastecidos com alguma regularidade por camiões-cisterna. Outros optam ainda por ter reservatórios nas viaturas e encher sempre que a necessidade exija.Joana Luís é moradora no bairro da Madeira. Tem presente na mente a placa com os dizeres "Os sacrifícios de hoje vão ser recompensados amanhã”, afixada, à época, em vários locais do Sambizanga. Decorridos esses anos, sente-se desiludida por todos ainda estar a consentir os mesmos sacrifícios.

 Joana Luís conta que a "luta” pela disputa de água inicia cedo e, por isso, muitas vezes é obrigada a acordar antes das 5 horas da manhã para evitar o excessivo número de pessoas imbuídas do mesmo objectivo."Há anos que o consumo de água ficou limitado e não temos qualquer esperança na resolução imediata deste problema”, lamentou Joana Luís, enquanto aguardava na fila para encher a bacia com água do camião-cisterna.

O administrador do Sambizanga reconhece que o distrito regista algumas restrições do ponto de vista estrutural por força das obras de requalificação do passado recente. Incluiu a carência do precioso líquido em vários bairros e fez saber que a cobertura no abastecimento de água potável está na ordem de 65 por cento.Tomás Bica lamentou o facto de o Sambizanga ter sido das poucas localidades que não beneficiou do projecto das 700 mil ligações domiciliares da Empresa Pública de Águas (EPAL).

"Existem várias zonas no Sambizanga que não têm água por falta de ligação domiciliária”, disse.Tomás Bica explicou que existe um ramal de água no Bairro Operário que percorre a rua de Benguela. Considerou que o mesmo pode beneficiar de obras e ser aproveitado para futuras ligações domiciliares.

Com as obras paralisadas por insuficiência de recursos financeiros, Tomás Bica informou que a continuidade do projecto de requalificação do Sambizanga e, muito particularmente, o Bairro Operário, é da responsabilidade do Governo central."Não é uma tarefa da administração do distrito como tal, é do Governo central e por insuficiência de recursos financeiros as obras encontram-se paralisadas. Somos da área operacional e apenas cabe-nos cumprir os programas de realojamento”, disse.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Regiões