Cultura

Bailarino Emmanuel Kakumba ultrapassa barreiras e vence na vida

Maria Hengo

Jornalista

A busca constante pelo sonho de tornar-se num bailarino folclórico profissional, obrigou Emmanuel Kakumba, professor de Dança do Instituto Politécnico de Arte (CEARTE), a deslocar-se da província de Benguela para fixar residência em Luanda.

23/06/2024  Última atualização 08H27
Artista tem procurado firmar-se como bailarino e professor exemplar de Dança no CEARTE © Fotografia por: DR

Desde 2015, que o professor e bailarino, busca novas oportunidades na capital do país (centro das actividades culturais e artísticas),  para dar seguimento e se tornar num dos profissionais reconhecidos a nível nacional.

Professor há cinco anos, o artista contou, ontem,  ao Jornal de Angola, que começou a ter os primeiros contactos com a dança em festividades familiares, nas saídas com os amigos e, posteriormente entrou no grupo de dança folclórica  Irene Cohen,  na província de Benguela.

Após ter certeza que queria uma carreira como bailarino, optou primeiro por concluir a formação no CEARTE. Com o decorrer dos anos, explicou, passou a fazer exibições públicas para mostrar o talento artístico. "Queria mostrar às pessoas que a dança era muito mais do que uma mera diversão, mas a representação de uma cultura.”

Depois de um período, o grupo Irene Cohen, participou em várias festividades dentro e fora da província de Benguela. Nessa fase, a direcção do grupo, segundo Emmanuel Kakumba, aproveitava para a troca de experiências no domínio da representação e sobre a própria contemporaneidade no domínio da dança.

Nessa fase, frisou, o grupo recebia professores de outras localidades do país para ajudar a melhorar as técnicas e as coreografias dos bailarinos. Esse processo de interacção, disse, foi fundamental para criar outros espaços de diálogo sobre o que tem sido feito a nível local.

Em 2015, recordou, os integrantes do grupo tinham sido informados que abriria uma escola de dança em Luanda, denominada CEARTE, e que um grupo de sete bailarinos teriam sido escolhidos para uma bolsa de estudo.  Já na capital do país, os bailarinos seleccionados, encontraram uma estrutura de ensino completa (aulas práticas e teóricas).

Após um primeiro contacto com a escola, referiu, foram informados como seria a vida na capital durante a formação e que estudariam um ano fora do internato, por falta de condições. Por esta razão, o grupo teve de arrendar uma casa nas imediações da escola para facilitar o percurso.

Durante este período, explicou, enfrentaram inúmeras dificuldades por falta de dinheiro. Os valores que recebiam dos progenitores era pouco para suprir todas necessidades.

"A escola havia nos garantido que ficaríamos apenas um ano na casa de renda, e depois estaríamos no internato. Depois do terceiro  trimestre, fomos informados que o internato não abriria no ano seguinte por falta de condições, ficamos tristes porque estavam cansados de tantas promessas", disse.

Depois de um período, explicou, o grupo de jovens bailarinos procurou uma  casa junto à escola, para que os pais cobrissem apenas a alimentação, materiais escolares, o que os possibilitou dar sequência à formação.

O bailarino reforçou que ficaram com medo, porque contariam em quatro anos com o salário dos pais. Decidiram criar união para ultrapassar os obstáculos até terminarem  a formação em Dança. Infelizmente, nem todos terminaram.

Muitas vezes com fome, disse, estavam sempre determinados a vencer as barreiras da vida. "Conseguimos terminar os quatro anos, mas não foi uma tarefa fácil, apenas duas pessoas termináram sem reprovar. Foi triste, mas eu e um colega terminámos, porque o desejo pela dança sempre falava mais alto, independentemente das dificuldades", sublinhou.

 
Experiência no CEARTE

Após terminar a formação, Emmanuel Kakumba conta que se candidatou para ser professor no CEARTE, para dar continuidade ao sonho de ser bailarino. Passou nos testes e agora procura também transmitir o que aprendeu aos novos alunos no Instituto.

Actualmente, explicou, é um sonho realizado leccionar na instituição que o formou. Procura ensinar de forma minuciosa tudo quanto aprendeu, porque os adolescentes trazem desafios e recompensas.

Quanto ao dia a dia na instituição, revelou que as aulas têm sido dinâmicas e bastante interactivas, por criarem não só um ambiente de aprendizado, por  proporcionarem sempre confraternizações para encorajar os estudantes, a fim  de participarem activamente nas aulas.

Sobre os trabalhos de fim de curso, contou, são utilizados como objecto de estudo para os estudantes de cada ano académico, por forma a ajudar  no aprofundamento de temas.

No domínio da pesquisa das danças folclóricas, explicou, numa primeira fase, os trabalhos passam por localizar os grupos de dança existentes, saber do historial e a importância do estilo.

Emmanuel explicou que as fases seguintes da matéria curricular são saber a definição, a origem e o surgimento, característica da dança, indumentárias, instrumentos utilizados, os passos básicos e a actuação.


A dança funciona como uma terapia

Questionado sobre as suas referências no mundo da dança, o artista explicou que não tem nenhuma, mas admira todos estilos, pois cada um transmite uma mensagem diferente da outra.

"A dança significa tudo, é uma forma de expressão única, onde consigo me conectar a minha essência e emoções de uma maneira profunda. É uma linguagem universal que transcende as palavras e me permite comunicar cada sentimento, desde amor, esperança, alegria, através do movimento", disse.

O profissional aconselha, ainda, as pessoas aderirem a qualquer estilo de dança, porque funciona como uma terapia, e permite liberar energias e celebrar a vida.

 "A dança deu-me muitas recompensas ao longo dos últimos três anos, para além da alegria de poder expressar os meus sentimentos, proporcionou-me conexões significativas com outras pessoas, momentos inesquecíveis de apresentação e a oportunidade de crescer, evoluir como artista e pessoa", reforçou.

"Penso que a diversidade da dança é tão importante para enriquecer a cultura. Acredito ser essencial promover e apoiar os diferentes estilos de dança para o crescimento e a valorização das artes, no geral, e em particular a dança no país”.

Enquanto profissional de dança, Immanuel almeja construir um centro de formação artístico no município do Cubal, em Benguela, para ajudar pessoas com talentos.

Emmanuel Salikena Kakumba de 28 anos de idade, nasceu a 12 de Dezembro, na província de Benguela, município do Cubal. É filho de Simão Kakumba e Verónica Tchilambi.

Terminou a formação de Dança em 2018, e teve o privilégio de concorrer no concurso público do Ministério da Educação, em que foi admitido no Instituto de Arte CEARTE, em 2019, conseguindo  uma vaga como professor do ensino primário e secundário.

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