Cultura

Bailado do Jacaré Bangão homenageado no Bengo

Ndembe e massemba, dois estilos de dança tradicional muito explorados pelos grupos carnavalescos da província do Bengo, constituem o cartão postal do grupo Bailado do Jacaré Bangão, homenageado, sábado, pelo Gabinete Provincial da Cultura, Turismo e Juventude e Desportos.

12/01/2022  Última atualização 09H35
Bailado do Jacaré Bangão é um dos defensores da dança tradicional na província do Bengo © Fotografia por: Edmundo Eucílio | edições novembro | caxito
O ndembe, dança praticada no município de Nambuangongo, e na região do Jungo, na comuna do Úcua, município do Dande, caracteriza-se por jogos de cintura, enquanto a massemba, não aquela cujos passos se assemelham aos da rebita, retrata a vida de uma aldeia de caçadores, onde as mulheres correm para abraçar os maridos, quando regressam da aventura.

O porta-voz e director artístico do grupo, Pascoal Dance, explicou, ao Jornal de Angola, que na zona do Jungo, o ndembe retrata muito mais a vida do caçador, en-quanto em Nambuangongo, a dança representa o galo, o machismo, "porque o galo é quem manda no galinheiro, e o bailarino imita os truques que a ave faz, quando pretende acasalar”.

"O bailarino faz um mo-vimento não padronizado, porque a dança não é coreografada. Estamos a coreografá-la agora, para dar-lha outra performance artística e levamo-la aos principais palcos do país e do mundo”, disse o responsável, antes de lembrar que foi durante o mandato do malogrado cantor Moisés Kafala, que surgiu a ideia de se criar o grupo Bailado Jacaré Bangão.

O então director provincial da Cultura do Bengo solicitou aos jovens Ambrósio Madeira e Jorge da Costa que colocassem os seus grupos, que já estavam praticamente extintos, a representar a província no Festival Nacional de Cultura (FENACULT).

"Foi a partir daí que os dois entenderam constituir um novo grupo de dança. Formularam-me o convite para aparecer numa reunião, na antiga Direcção Provincial da Cultura, e fiz-me presente com uma das bailarinas, a Kílsia, que infelizmente já não faz parte do mundo dos vivos”, lembrou.

O jovem, formado em pedagogia artística - especialidade de dança, no Instituto Politécnico de Arte "Complexo das Escolas de Arte” (CEARTE), avançou que, nesta altura, o Bailado do Ja-caré Bangão trabalha imenso para tornar-se auto-sustentável, "porque o dinheiro que arrecada dos convites ou contratos, para exibir-se nos mais variados eventos organizados na província, em particular, e no país, em geral, não satisfaz as necessidades da maioria dos integrantes”.

"Já pensamos em transformar o grupo numa escola de dança, para termos outra fonte de rendimento, porque recebemos várias solicitações de pessoas interessadas em ter aulas ao domicílio, e temos ido ao encontro delas. Mas gostaríamos de ter o nosso próprio espaço”, disse.

No estabelecimento onde os dançarinos do Bailado do Jacaré Bangão ensaiam, de segunda à sexta-feira, no período das 16h00 às 18h00, o proprietário cobra 10 mil kwanzas por mês. O local, que não dispõe de energia eléctrica e água corrente, carece de obras de reabilitação.

Fundado a 17 de Setembro de 2014, o Bailado do Jacaré Bangão surgiu para responder a necessidade de se massificar cada vez mais os ritmos dançantes da região. No final do mesmo ano, o grupo participou na II edição do FENACULT, na província do Huambo, para em 2015/16 marcar presença na Feira Internacional de Luanda (FIL), e em 2018, no Campo Nacional de Férias dos Estudantes Universitários (CANFEU).

Em saudação ao Dia Nacional da Cultura, assinalado a 8 de Janeiro, além do Bailado do Jacaré Bangão foram, também, homenageados o grupo de dança Tribais do Toque, o promotor de eventos Manuel Panzo, o músico Míster Makanha e os grupos de música folclórica "Vozes do Nâmbua” e "Tchamba”, por contribuírem activamente na promoção dos ritmos dançantes e musicais da região do Bengo. 

Durante as homenagens, o director do Gabinete Provincial da Cultura, Turismo e Juventude e Desportos do Bengo, Yuri Silva, disse que nas mais diversas actividades culturais realizadas na província, o sector regista grande envolvência dos fazedores de artes e cultura.

"Quem faz a cultura são os artistas. O Governo cria as condições necessárias para que as manifestações culturais decorram sem grandes constrangimentos”, disse.

José Bule e Alfredo Ferreira | Caxito

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