Economia

BAD prevê crescimento de 1,2 por cento este ano

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê que a economia angolana cresça 1,2 por cento este ano e 3,2 em 2020, depois de recessões de 0,2 por cento em 2017 e 0,7 no ano passado.

19/01/2019  Última atualização 16H00
Vigas da Purificação| Edições Novembro © Fotografia por: Retoma é impulsionada pela produção diamantífera, que cresce 8,2 por cento

“Projectamos que Angola saia da recessão, com o Produto Interno Bruto (PIB) real a crescer 1,2 por cento em 2019 e 3,2 em 2020”, lê-se no African Economic Outlook (Perspectivas Económicas Africanas), apresentado quinta-feira em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim.
A recuperação será alicerçada “principalmente pela produção e exportação de diamantes, que deverá crescer 8,2 por cento, agricultura (5,00) e construção (2,1)”, dizem os analistas na parte do relatório especificamente dedicada a Angola, na qual admitem também que o regime cambial possa “acabar por eliminar a diferença entre as taxas de câmbio oficial e paralela”.
Na análise aos principais indicadores macro-económicos, os analistas do BAD lembram a ligação entre a descida do preço do petróleo, que “fez cair as receitas em mais de 50 por cento entre 2014 e 2017”, e o início da crise económica em Angola e alertam para o perigo da dívida.
“A dívida pública, maioritariamente externa, aumentou de 40,7 por cento do PIB em 2014 para uns estimados 80,5 por cento  em 2018, levantando preocupações sobre a sua sustentabilidade”, dizem os autores.
No relatório, o BAD diz que Angola, apesar de ser “um país lusófono ensanduichado entre países anglófonos e francófonos, desempenha um papel vital na África Austral”, sendo membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade dos Países da África Austral (SADC), bem como um dos que assinou o acordo sobre a criação da Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLCA).
Elogiando os “esforços para abrir as fronteiras”, as novas leis de investimento privado e novos regulamentos que pretendem melhorar a governação e o ambiente económico, o BAD diz que a “alta dependência do petróleo continua a ser um dos principais riscos para a perspectiva de evolução económica” do país, até pela descida de 9,00 por cento na produção petrolífera na primeira metade do ano passado quando comparada com os primeiros seis meses de 2017.
“A evolução da economia está também ligada à implementação de dois planos de médio prazo, o Programa de Estabilidade Macro-Económica e o Plano Nacional de Desenvolvimento”, concluem os economistas do BAD no capítulo sobre Angola.
As previsões do BAD situam-se abaixo das projectadas pelo Banco Mundial que o relatório de Perspectivas Económicas Mundiais, publicado há pouco mais de uma semana, estima para Angola:  um crescimento de 2,9 por cento este ano, 2,6 em 2020 e 2,8 em 2021.
O Governo inscreve no Orçamento Geral de Estado do ano em curso uma estimativa de expansão económica de 2,8 por cento, alicerçada no crescimento de 3,1 por cento do sector petrolífero e de 2,6 do não petrolífero.

Perdas em 2018
Angola registou a segunda maior quebra na produção petrolífera durante 2018, em termos percentuais, entre os 14 países que integram a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), segundo dados de um relatório divulgado ontem pelo cartel.
De acordo com o documento, citando dados de fontes secundárias, Angola produziu, em média, 1,505 milhões de barris de petróleo de crude por dia em 2018, uma diminuição de 7,7 por cento face aos 1,634 milhões de barris por dia em 2017.
Em sentido inverso, a República do Congo registou o maior crescimento, em termos percentuais, com o aumento da produção em 66 mil barris diários, um crescimento de 26,2 por cento, de acordo com os dados da OPEP.

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