Economia

BAD eleva capital em 125 por cento

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, anunciou que foi aprovado um aumento de 125 por cento do capital do banco, elevando o valor para 208 mil milhões de dólares.

03/11/2019  Última atualização 11H00
DR © Fotografia por: Aumento de capital aprovado em reunião extraordinária de accionistas realizada em Abidjan

“Hoje é um dia histórico para o BAD e para África”, disse em Abidjan Akinwumi Adesina, na conferência de imprensa que encerrou a quinta reunião extraordinária dos accionistas desde que o processo de aumento de capital começou em Busan, Coreia do Sul, há dois anos.
O banqueiro anunciou que “os accionistas aprovaram o maior aumento de capital desde o estabelecimento do banco, em 1964, com um aumento de 125 por cento do capital social, o que significa que o capital geral vai mais do que duplicar, passando de 93 mil milhões de dólares para 208 mil milhões de dólares”.
Adesina acrescentou que este aumento de capital, a concretizar em dez anos, “vai permitir ao BAD manter o ‘rating’ de triplo A, vai permitir que continue a ser o banco de escolha para o povo de África, porque terá mais recursos que nunca e permite atingir ainda mais resultados do que antes”.
Este fortalecimento financeiro “não é só uma questão para os banqueiros, mas sim para as pessoas, para os africanos”, vincou o presidente do BAD, indicando que, com mais recursos ao seu dispor, será possível potenciar o desenvolvimento económico africano.
“Vai ser possível que 105 milhões de pessoas fiquem ligadas à electricidade, que seja providenciado novas tecnologias agrícolas a 244 milhões de pessoas, permite que 15 milhões de africanos beneficiem de financiamento relacionado com o clima, que 252 milhões vejam o acesso a transportes melhorados e que 128 milhões de africanos tenham acesso a água e saneamento básico”, vincou Akinwumi Adesina.
Com este aumento, concluiu, “os accionistas mostraram que têm uma tremenda fé e confiança em África e no futuro de África”.
O aumento de capital, cujas contribuições serão recebidas nos próximos dez anos, é feito em volume de Unidades de Conta (UA), que funcionam na mesma lógica dos Direitos Especiais de Saque usados pelo Fundo Monetário Internacional e cujo valor final varia não só consoante a cotação das outras moedas, como também o período em que o câmbio é feito.

Gestão da dívida
O BAD?vai envolver-se mais na gestão da dívida pública dos países africanos e exigir transparência total para ajudar os países mais endividados a regressarem ao crescimento económico, disse o presidente do banco em declarações à agência Lusa na capital marfinense.
“Sobre a transparência na questão da dívida pública, tudo tem de estar sobre a mesa, nada pode estar escondido debaixo da mesa, temos de saber a exposição total do país em relação à dívida quando caminhamos lado a lado com esse país rumo ao desenvolvimento económico”, disse.
“Vamos ajudar os países a expandir o espaço fiscal em termos de colecta de impostos e de gestão tributária, e vamos caminhar lado a lado com os países africanos na questão da gestão dos recursos naturais, porque os países africanos não são pobres, são ricos em recursos naturais, e temos de expandir a receita das exportações, porque a capacidade de pagar a dívida melhora e por isso todos os esforços para potenciar as exportações vão ajudar a pagar a dívida", acrescentou.
O presidente do BAD repetiu a tese de que não existe uma crise da dívida em África, reconhecendo apenas que “há países com dívidas altas”.

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