Sociedade

“Azuis e brancos” de Luanda abandonam greve ilimitada

Alberto Quiluta

Jornalista

Os transportes privados de táxi, vulgo “Azuis e brancos” ou “candongueiros”, voltaram a circular hoje, com normalidade, depois do consenso unilateral alcançado, ontem, entre as associações dos taxistas ANATA (Associação Nacional dos Taxistas de Angola), ATA (Associação dos Taxistas de Angola) e ATL (Associação dos Taxistas de Luanda)..

12/01/2022  Última atualização 08H53
Paralisação criou constrangimentos múltiplos à capital © Fotografia por: Alberto Paulo | Edições Novembro
Francisco Paciência, da Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA), sublinhou, em conferência de imprensa, com o levantamento da greve, os líderes das associações e os associados suplicam ao diálogo e esperam que, dentro em breve, o Governo Provincial de Luanda atenda os pontos do caderno reivindicativo.

O presidente da ANATA salientou que a paralisação em Luanda contou com mais de 40 mil taxistas, divididos em táxis, frota e singulares, e teve "objectivos unicamente sociais e não políticos, pois, o fim último se resume na valorização e respeito da actividade do serviço de táxi”.

"Estamos aqui à procura de soluções, para podermos dignificar as nossas associações”, lembrou o responsável da ANATA, ao mesmo tempo que rejeita qualquer ligação com os actos de vandalismo ocorridos no Distrito Urbano do Benfica, tendo como resultado a violação das instalações do MPLA e incendiado um autocarro do Ministério da Saúde.

Nesse quadro, notifica a Polícia a apurar responsabilidades e criminalizar os implicados, para responsabilizar os verdadeiros culpados. "Condenamos os acontecimentos do primeiro dia da paralisação, com estradas cortadas, autocarros queimados e funcionários do Ministério da Saúde agredidos”, bem como "a tentativa de linchamento de jornalistas”, de acordo com as três associações representativas dos taxistas (ANATA, ATA e ATL).

O presidente da Associação dos Taxistas de Angola (ATA), Rafael Inácio, lamentou o facto dos associados não terem acesso às políticas públicas do Estado, como inserção na Segurança Social e profissionalização da actividade de táxi. "Precisamos ser enquadrados, porque somos um parceiro do bem e queremos acções concretas e não politizadas”, uma vez que "temos taxistas a exercer a profissão há 25 anos e sentimos uma exclusão nas políticas do Estado e vemos que existem pessoas que não querem ver a nossa actividade organizada”.

Por seu turno, o presidente da Associação dos Taxistas de Luanda (ATL), Manuel Faustino, questionado sobre as razões da paralisação, se todos os pontos estavam revistos, afirmou que, dos sete apresentados, apenas um foi atendido e porque houve falta de diálogo com os responsáveis das associações de taxistas.

Manuel Faustino afirmou que estão abertos ao diálogo com as autoridades, para se pôr termo ao diferendo que existe, mas lamentou os problemas com o acesso dos taxistas à Centralidade do Sequele, vila de Viana e São Paulo. Também, lamentou a detenção de mais de 100 associados das "Placas dos Táxis” e de alguns delegados, com realce dos que actuam em Luanda, Kilamba-Kiaxi, Cacuaco e Cazenga, submetidos a julgamento sumário.

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