Economia

Aviário do Lucala retoma com quatro mil poedeiras

Quatro mil poedeiras em fase de crescimento foram entregues na sexta-feira, pelo ministro da Agricultura e Florestas, António Assis, aos aviários do Lucala, Cuanza-Norte, para o relançamento da unidade abandonada há mais de sete anos.

05/01/2020  Última atualização 08H50
Nilo Mateus | Edições Novembro | Ndalatando © Fotografia por: Poedeiras entregues pelo Governo às autoridades do Cuanza-Norte

As aves, galinhas de uma raça rústica de origem sul-africana, são as primeiras de 20 mil a introduzir de forma faseada nos aviários do Lucala, estando incluídas num pacote que envolve duas incubadoras com uma capacidade de chocar 2.112 pintos do dia.
Segundo António Assis, as aves foram disponibilizadas com o concurso do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), para envolver jovens criadores na produção de ovos férteis e, com as incubadoras, gerarem novos pintos para, de forma faseada, ir-se se povoando outros aviários e apoiar as famílias, no que fica conformada uma componente do Programa de Produção Avícola Familiar.
O ministro apresentou estimativas que atribuem a cada ave em fase de crescimento um preço próximo dos 350 kwanzas, o que considerou estar ao alcance dos jovens que projectam investir na produção avícola.
Para entrarem no programa, os interessados devem construir galinheiros simples, até mesmo feitos com ripas e chapas de zinco, para depois obterem financiamento do FADA na compra das aves e da primeira ração para iniciar a actividade.
A falta de ração, adiantou António Assis, pode ser solucionada se os produtores valorizarem o milho, feijão, jinguba e mandioca cultivados em abundância na região, de maneira a produzirem a própria ração.
“Desde há muito tempo que, em Angola, ‘vende-se’ a ideia de que a ração deve ser importada, mas a ração é a mistura de componentes e nós temos esses componentes em Angola. Os criadores de galinhas podem fazer parcerias com os camponeses no sentido destes produzirem o milho, feijão, jinguba e mandioca para, depois, comprarem e formularem a ração”, frisou.
Enquanto isso não se verifica, o Ministério da Agricultura e Florestas tomou algumas providências para que a zona de produção de ração da Quiminha e entidades privadas assegurem o funcionamento do projecto do Lucala.
António Assis prometeu aos agricultores e criadores de aves o apoio e o conhecimento dos principais especialistas do país em matéria de criação de aves, permanecendo disponíveis para deixar conselhos e explicações sobre a actividade.

Contactos com os produtores

Antes, o ministro da Agricultura e Florestas e o governador do Cuanza-Norte, Adriano Mendes de Carvalho, visitaram, na zona de Camuaxi, 17 quilómetros a Norte de Ndalatando, o aviário Vina Bar, uma iniciativa privada com cerca de 1.060 galinhas poedeiras, onde se produzem mais de 500 ovos por dia, segundo o proprietário, Francisco de Barros.
Construído de paus e chapa de zinco, com bebedouros e comedouros adaptados de bidões de plásticos usados para engarrafar água mineral e chapas encurvadas, o aviário emprega oito trabalhadores.
Referiu que a maior dificuldade assenta na insuficiência de ração, algo que levou à baixa da produção de ovos de 700 para 500 por dia. A unidade necessita de três toneladas de ração por mês para alimentar as aves e absorve perto de 500 mil kwanzas no mesmo espaço de tempo.
O ministro da Agricultura e Florestas e o governador visitaram igualmente a fazenda Rogério Leal, na Comuna de São Pedro da Quilemba, Cambambe, maioritariamente virada na produção de milho em grande escala, de fuba e ração animal, produtos ensacados no local.
Com cerca de 10 mil hectares, 1.200 dos quais utilizados na produção de milho e girassol, a unidade colhe mais de 2.500 toneladas de milho por mês, transformadas em fuba ao ritmo de 1.200 sacos de 25 quilos por dia e 750 toneladas de ração por mês, uma produção vendida a criadores de suínos, aves e outros animais.

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