Especial

Avanços na construção da Refinaria de Cabinda

Bernardo Capita e Pedro Suculate | Cabinda

Jornalista

Os trabalhos da edificação da futura Refinaria de Cabinda estão a decorrer a bom ritmo, estando neste momento concentrados na fase de movimentação de terras, com vista a preparar o solo para a recepção das fundações e posterior instalação e montagem dos equipamentos definidos na primeira fase do projecto.

25/10/2021  Última atualização 08H46
© Fotografia por: José Soares | Edições Novembro
O projecto está a ser desenvolvido na planície do Malembo, numa área de 313 hectares, perímetro adjacente ao campo petrolífero de Malongo, principal fonte de produção de hidrocarbonetos do país. A futura refinaria terá capacidade de refinação estimada em cerca de 60 mil barris de petróleo por dia.

No terreno onde decorrem os trabalhos é notória a movimentação de máquinas e homens de várias especialidades profissionais, quer na vertente das engenharias de construção civil, quer da petroquímica.

Os homens dão o melhor de si para o sucesso daquele que é para muitos, em Cabinda, "um dos melhores projectos sustentáveis que a região irá dispor”, em função, não só, dos cerca de 2.000 empregos directos que irá criar, mas também pelo simples facto de vir a resolver o crónico problema da falta constante de combustíveis na província, situação que tem estado a causar longas filas de automobilistas nas bombas de abastecimento.

Além dos trabalhos de movimentação de terras e de compactação do solo, no local já foram, também, erguidas as infra-estruturas de acomodação do pessoal e de apoio à instalação de equipamentos que estão a ser produzidos a partir de Houston, nos Estados Unidos da América. Em princípio, estes equipamentos começam a chegar a Cabinda, via cidade de Ponta Negra (República do Congo), a partir de Maio do próximo ano.

  Sonangol desmente abandono da empreitada
Faustino Conde Pongui, membro da Comissão Executiva da Sonangol Refinação e Petroquímica (SONAREF), desmentiu informações postas a circular nos bastidores segundo as quais as obras de construção da Refinaria de Cabinda estão abandonadas.

Em declarações ao Jornal de Angola, Faustino Pongui esclareceu que a Refinaria de Cabinda não vai ter uma estrutura convencional, porquanto foi projectada numa "perspectiva modular”, com tecnologia de alto padrão.

Em função da sua complexidade tecnológica, disse, todos os equipamentos são fabricados no exterior do país (Estados Unidos da América) e chegam ao país prontos para serem montados. Por isso, não estão a ser visíveis todos os trabalhos em curso de preparação das infra-estruturas de suporte dos equipamentos.

"Não vejo o motivo do alarme da população porque estamos a trabalhar dentro do cronograma e dos prazos contratuais”, disse Faustino Pongui, salientando que o proponente da obra (a Sonangol) "tudo está a fazer para que a primeira fase do projecto saia mesmo dentro do prazo estabelecido, que é Julho de 2022”.

Luís Aguiar, engenheiro de construção civil Sonaref, disse que as obras estão a decorrer na normalidade possível e que neste momento decorreram trabalhos de movimentação de terras, visando a preparação do solo para a recepção das fundações e posterior instalação e montagem dos equipamentos.

"Estamos agora no processo de compactação da zona onde vão ser instalados os tanques de crude e de outros produtos intermédios que vão dar suporte a parte da refinação", referiu.

A refinaria, disse, terá três tanques de crude de 110 mil metros cúbicos, além de outros reservatórios de nível intermédios que serão, igualmente, montados, na perspectiva de permitir que o processo de refinação seja mais resiliente.
O engenheiro António Vemba é dos profissionais angolanos da Sonaref que também está envolvido no projecto de construção da Refinaria de Cabinda. Esclareceu que a refinaria terá, na primeira fase do seu funcionamento, duas unidades de processamento, uma de destilação atmosférica e outra de querosene, sendo que a última irá produzir Jet A1, combustível para aviões.

Na segunda fase, acrescentou, estão previstas outras unidades que terão entre outras funções a de "hidrodessulfurização” da gasolina e do gasóleo. A terceira consistirá na melhoria das especificações dos principais produtos e na conversão de HFO em produto primário, como gasolina e gasóleo.

No que toca aos equipamentos que vão manter o funcionamento da área de processamento, António Vemba, indicou por exemplo, a coluna de destilação, fornalhas, trocadores de calores, dissolter (equipamento usado para lavagem de petróleo), bombas e separadores.

  Angolana garante controlo da qualidade
O controlo de qualidade de materiais que estão a ser utilizados nas obras de construção da Refinaria de Ca-
binda está a ser garantido pela engenheira civil Tshiathasa Okana, cidadã angolana de 31 anos, formada pela Universidade Independente de Angola.

Vestida de macacão de trabalho e capacete de segurança à cabeça, Tshiathasa Okana disse, ao Jornal de Angola, que se sente bastante orgulhosa por integrar o leque de profissionais angolanos que está a desenvolver o projecto de construção da Refinaria de Cabinda.

 "Tenho oito anos de carreira profissional. Já trabalhei no projecto de construção da barragem hidroeléctrica de Laúca, em Malanje, e a cada dia vou ganhando mais experiência profissional”, sublinhou a engenheira, para quem em Angola também já se forma bons quadros que, com o seu saber e dedicação, dão a sua contribuição no desenvolvimento do país.
Tshiathasa Okana adiantou que muito gostaria de testemunhar o momento do corte da fita que marcará o início das operações na Refinaria de Cabinda.

Obra custa cerca de mil milhões de dólares

O projecto de construção da Refinaria de Cabinda é fruto de uma parceria público-privado. Está orçado em cerca de  mil milhão de dólares, sendo que 90 por cento do valor é financiado pela empresa GEMCORP.  


Segundo apurou Jornal de Angola, a GEMCORP irá, igualmente, investir cerca de 700 mil dólares em acções sociais junto das comunidades do local onde está a ser implementado o projecto.

A Refinaria de Cabinda está a ser erguida na comuna de Malembo, que se situa a cerca de 30 quilómetros a norte da cidade de Cabinda e é nessa localidade onde está projectada a construção do Pólo Industrial do Fútila que vai albergar várias unidades fabris, incluindo as de apoio à indústria petrolífera, acreditando-se que venha a ser, futuramente, uma zona económica especial.    


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