Sociedade

Automobilistas aconselhados a cumprir medidas de biossegurança

Matias da Costa | Cuito

Jornalista

Sete horas da manhã, na avenida Deolinda Rodrigues e rua dos Comandos, no município do Cazenga, o fluxo de viaturas e de pessoas provenientes de Viana e de outros bairros é assustador.

22/04/2020  Última atualização 21H00
João Pedro|Edições Novembro

O trânsito está congestionado, devido o bloqueio feito pelos agentes da Polícia e o encurtamento das rotas pelos taxistas. São muitas as pessoas obrigadas a caminhar longas distâncias e, sem respeitar a medida de distanciamento social, conversam e reclamam dos preços praticados pelos cobradores.
“Estes cobradores são aproveitadores, devem ser levados ao tribunal por encurtarem as rotas... Agora tenho de andar a pé”, lamenta Mariana Pedro.
Nas imediações do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), também na Avenida Deolinda Rodrigues, os agentes de trânsito realizavam uma campanha de sensibilização aos automobilistas, principalmente aos taxistas.
O chefe de secção do trânsito do Cazenga, Nazário dos Santos, disse que a campanha visava dissuadir os automobilistas de conduta contrária e levá-los a cumprir com as orientações das autoridades sanitárias.
“O decreto 97/20 sobre o Estado de Emergência, sobretudo a prorrogação do mesmo, no seu Artigo 32, número 5, especifica que os veículos que exercem actividade de táxis devem criar condições, no mínimo de segurança e de sanidade para os seus passageiros”.
Àquela autoridade policial esclareceu que, caso um taxista não tenha os materiais de biossegurança “o veículo deve ser apreendido. E, como condição para reaver a viatura, tem de apresentar os meios exigidos”, frisou o chefe de secção de trânsito do Cazenga.
O inspector-chefe Nazário dos Santos informou que, o comportamento dos taxistas não tem sido salutar, pelo facto de não terem consciência que devem ajudar os efectivos da Polícia, “porque o problema é a defesa do bem maior, no caso a vida. Para muitos munícipes, parece-lhes que é vontade da Polícia impedi-los de circular, quando na verdade estão a fazer algo que é para o bem da maioria. O comportamento devia ser melhor, aliás a população deve ajudar o trabalho dos efectivos da Polícia”, manifesta.


Questionamentos
e rigor na estrada
À medida que os agentes de trânsito sensibilizavam, apareceu um cidadão que quis saber se a Polícia estava a proibir o serviço de táxis. Um agente, com muita calma e paciência explicou: “o senhor pode exercer a sua actividade de transporte colectivo, mas tem de cumprir com as orientações emanadas pelo Estado de Emergência”.
“Se a lotação do seu veículo for de 15 lugares, terá de dividir por um terço, o que vai lhe dar nove passageiros, incluindo o motorista e o cobrador. E tem de ter os materiais de segurança. Caso seja interpelado e lhe orientem a não passar por uma determinada via ou avenida, procure uma alternativa para chegar ao seu destino”.
Satisfeito com a explicação, o cidadão agradeceu e regressou ao seu Toyota Hiace, vulgo “acaba de me matar”. Na Estrada, o excesso de lotação era o que mais chamava atenção dos agentes de trânsito. Nem mesmo o autocarro da Macon foi poupado, e alguns passageiros foram obrigados a descer, para que o distanciamento social fosse cumprido dentro do veículo.
Os automobilistas de veículos ligeiros tinham de justificar a razão da deslocação, só assim lhes era permitido continuar o trajecto. Um camião de recolha da Elisal, que transportava 38 trabalhadores, foi apreendido no local.
O inspector-chefe Nazário dos Santos garantiu, que muitos automobilistas e passageiros têm colaborado com as medidas decretadas e com os agentes, porque andam sempre acompanhados dos seus credenciais de serviço que lhes autoriza a circular na via pública. “ É um exemplo digno, deve ser seguido por muitos mais cidadão, evitando assim que se ande na via pública sem motivos sérios”, destacou.
António da Silva, taxista, garantiu que é sempre precavido e que tem no carro todos os materiais de biossegurança para que os passageiros possam estar seguros. Desta forma, evita problemas com os agentes de trânsito.
“É uma forma de prevenir a minha própria vida. Mas, infelizmente muitos dos nossos colegas não têm esta noção, esquecem-se que neste período devemos obedecer as autoridades”, destacou António da Silva, para quem a Covid-19 não é uma brincadeira, mas algo muito sério, por isso acata as orientações.
Mário Lopes, outro taxista, que não tinha os materiais de biossegurança. O veículo foi apreendido e os passageiros obrigados a descer. O pedido de desculpas e a promessa de comprar os materiais não convenceram os agentes de trânsito. Os mesmos alegaram que o homem já havia sido advertido dias antes, mas insistiu em colocar os passageiros em risco.
Manuela Gaspar e sua irmã, Rosa, vivem na Estalagem, levam barras de sabão na cabeça e caminham ao bairro da Terra Nova, nas pedrinhas onde, geralmente, “zungam” até às 14 horas, altura que regressam à casa.
“Neste período do Covid-19, procuram muito por sabão, todos querem ter as mãos limpas para se prevenir da doença. Então, aproveitamos as terças, quintas e sábados para vender sem ter problemas com a polícia”, explica Manuela Gaspar.
A prorrogação do Estado de Emergência, no país, foi justificada pelo alastramento da pandemia de Covid-19 continuar a ceifar vidas no mundo, e em África tende a registar mais casos. Por isso, é preocupante constatar que, muitos habitantes da cidade de Luanda ainda não ganharam consciência da existência do mal. Saem às ruas desnecessariamente, alegando procurar alimentos e meios de sobrevivência, visto que ganham o sustento de cada dia na rua. Contrariando o lema “Fique em Casa”.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Sociedade