Política

Autarquias e solução contra a alta dos preços devem estar reflectidas no “Estado da Nação”

Adelina Inácio

Jornalista

Questões sobre as eleições gerais do próximo ano, uma indicação sobre a data das autárquicas, bem como soluções para combater a alta de preços de produtos da cesta básica, são alguns dos aspectos que membros da sociedade civil contactados pelo Jornal de Angola desejam que o Presidente da República aborde no discurso sobre o Estado da Nação, a ser proferido, amanhã, na Assembleia Nacional, no acto que vai marcar a abertura do último ano da actual Legislatura.

14/10/2021  Última atualização 07H20
© Fotografia por: Edições Novembro
Luís Jimbo, director executivo do Instituto Angolano de Sistemas Eleitorais (IASED), entende que o Presidente João Lourenço deve falar sobre a estabilidade política e a necessidade de paz, neste período pré-eleitoral.

"É preciso que o Presidente da República dirija-se à Nação para dar uma mensagem que promova a tranquilidade para o cidadão, porque a forma como os partidos políticos e, principalmente, o MPLA e a UNITA, estão a fazer propaganda política está a aumentar os sinais de intolerância política”, considerou Luís Jimbo, referindo que estes sinais estão mais evidentes na juventude que está ávida de participar no espaço público político.

Nas suas mensagens, notou, os partidos políticos dão a entender que "estão mais interessados em instigar a violência e a intolerância, do que discutir e promover a solidariedade, principalmente neste período de profunda crise económica e social imposta não só pela Covid-19, mas, também, pela fome no Sul do país".

"Pelo facto de os partidos políticos estarem a passar a mensagem do vale tudo, a mensagem do Presidente da República é fundamental, para criar uma esperança e vontade de elevar a consciência de que devemos, acima de tudo, pensar na estabilidade do país, conduzir os processos eleitorais que promovam desenvolvimento e não os que resultem em violência ou divisão motivadas pelos partidos políticos”, defendeu Luís Jimbo, que espera que o Chefe de Es-tado faça o que tem feito até ao momento: "Tem tido uma postura de estadista, (pois) ajudou muito a promover um clima de mais tolerância”.

Num momento de recessão económica, fome e seca extrema no Sul do país e num contexto de pandemia, "cujas soluções têm criado dificuldades no dia-a-dia do cidadão", Jimbo entende que o Presidente da República deve falar sobre estes aspectos e apresentar soluções à sociedade.

O director executivo do IASED defendeu que o Presidente João Lourenço deve clarificar o compromisso sobre as autarquias. "Deve dizer se, no seu mandato, vão acontecer ou não as autarquias e qual é a proposta que oferece à sociedade”.

Para Luís Jimbo, se o Chefe de Estado não se pronunciar sobre o assunto, as pessoas vão ficar sempre na expectativa.
Carlos Cambuta, director-geral da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), disse esperar que o Presidente da República possa, por um lado, apresentar o nível do desempenho do Governo, tendo em conta os compromissos assumidos, com destaque para a questão do desemprego, fome e pobreza. Por outro lado, espera, igualmente, que João Lourenço faça referência à situação da fome e da pobreza.

"O Presidente deve apresentar a visão do Governo sob sua liderança, no sentido de podermos compreender se a situação da fome e da pobreza poderá continuar nos próximos tempos”, disse.

Cambuta deixou mais sugestões ao Presidente da República: "devia centrar a sua mensagem no aspecto político, onde deve referir-se sobre as eleições gerais e sobre a institucionalização das autarquias locais em Angola”. "As eleições autárquicas são um assunto que tem dominado diferentes fóruns porque estavam aguardadas para 2020”, lembrou.

Disse ser, igualmente, importante que o Presidente João Lourenço se refira à inflação, o baixo poder de compra dos cidadãos e a situação da pobreza por que passam muitas famílias.

O Titular do Poder Executivo, disse, deve, também, explicar quais são, no Orçamento Geral do Estado para o próximo ano, os sectores nos quais se vai prestar maior atenção. Carlos Cambuta apontou as quatro áreas que, para si, são essenciais: agricultura, saúde, educação e protecção social, com destaque para a protecção social obrigatória.

Considerou, ainda, importante que o Presidente da República fale sobre a seca que tem estado a afectar o Sul do país e que tem contribuído para o êxodo rural. Carlos Cambuta disse tratar-se de situação que decorre "da pouca atenção política para com o meio rural”. Por isso, afirmou, muitos jovens e adultos abandonam as aldeias para concentrarem-se nas grandes cidades, onde encontram alternativas de sobrevivência.

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