Economia

Aula magna: a bênção e a maldição dos recursos minerais e do petróleo

Arão Martins | Lubango

Jornalista

Não se tratava de um dia de exames; nem de acesso nem de admissão, muito menos de avaliação. Ainda assim, a ansiedade nos estudantes parecia de caloiros em dia de baptismo de início de ano estudantil.

27/10/2021  Última atualização 08H20
Ministro Diamantino Azevedo falou com os docentes e estudantes sobre os desafios actuais © Fotografia por: Arimateia Baptista | Edições Novembro | Huíla
Bem antes das 14 horas, desta segunda-feira, 25, os passos apressados dos integrantes da equipa do reitor Orlando José da Mata mostrava um dia de alguma pressão e fora da rotina diária. Medição de temperatura do corpo, higienização das mãos com álcool em gel e máscara facial a rigor. Os estudantes perfilaram-se e houve, por falta de espaço, quem teve de se contentar em ficar pelos degraus das escadas no interior, enquanto outros só do lado de fora do auditório conseguiram ouvir a sapiência do ilustre convidado.


Era dia de Aula Magna e um convidado que sem ser novo ou desconhecido da província, dirigia pela primeira vez um discurso de sabedoria aos estudantes dos cursos de Geologia e Minas, Construção Civil, Agronomia e Zootecnia das diversas unidades orgânicas da Universidade Mandume Ya Ndemufayo. Também apareceram academicos de outros Institutos Superiores, inclusive privados.


O tema escolhido foi "A importância dos recursos minerais para o desenvolvimento socioeconómico sustentável de Angola”.

Entoado o hino da República de Angola e feita as saudações de praxe, o ministro Diamantino Pedro Azevedo, na simplicidade que o caracteriza, e mais uma vez, agradeceu aos presentes entre vice-governadores, directores provinciais, académicos e convidados ao evento. A plateia de estudantes soube honrar o género e deu maioria dos lugares assentados às senhoras.


O orador começou por lembrar ao auditório que as receitas obtidas pela exploração de recursos minerais no país devem ser bem aproveitadas e contribuírem na diversificação da economia e, consequente, melhoria da qualidade de vida das populações.

Logo, disse, o dinheiro deve melhorar as infra-estruturas, tanto estradas, pontes, hospitais como escolas e outros de que se precisa.


"Cada vez mais, na actividade de ir à terra, retirar os recursos minerais para utilizarmos ao nosso favor, para manutenção e melhoria da qualidade de vida, temos que ser mais responsáveis e ter em conta as questões ambientais, respeitar as comunidades e fazer o bom uso das receitas”, reiterou.

 
Importância do equilíbrio


Segundo o ministro Diamantino Pedro Azevedo, na vida é preciso que haja sempre o equilíbrio.
As posições muito radicais nunca prevalecem e nunca trazem resultados positivos e os recursos minerais continuarão a ser necessários por muitas décadas. Todavia, reconhece, com o surgimento de outras fontes de energia e funções tecnológicas, alguns minerais perderão importância, mas outros ganharão muito mais ainda.


O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, esclareceu que é quase comum ouvir dizer que "somos ricos em recursos minerais”. Enquanto os recursos permanecerem em terra, esclareceu, é apenas uma riqueza mineral potencial. Para os recursos minerais serem riqueza de facto, é necessário extrai-los, utiliza-los e tirar beneficio deles, acrescentou o governante.
"Enquanto isso não acontece, não podemos dizer que somos ricos em recursos minerais”, elucidou.


E para extrair os recursos minerais e fazê-lo passar em todos os processos até à plena utilização, segundo Diamantino Azevedo, são precisos recursos humanos com conhecimentos e habilidades. Dai ter exortado os estudantes a empenharem nos estudos e na investigação.


Os recursos minerais são uma bênção e a sua importância vai continuar durante muitas décadas, afirmou o ministro. Quanto às terras raras hoje, são fundamentais, não só para as cargas electrónicas, mas também para as baterias dos carros eléctricos.

Conforme fez questão de sublinhar, os recursos minerais podem transformar-se em maldição, de acordo com o uso que os homens fazem dos mesmos.


"Nós é quem fazemos deste recurso bênção ou maldição. Ou seja, o uso indevido que as vezes damos aos recursos minerais ou ao dinheiro que se obtém da exploração e venda desses recursos minerais é que podem transforma-lo em maldição. Mas, na essência dos recursos minerais, são uma bênção.


"Se os recursos minerais não fossem uma bênção, hoje estaríamos muito a quem do desenvolvimento da humanidade. Por exemplo, cerca de 80 por cento do que constitui o cimento são calcários e depois gesso e argila”, demonstrou.
A UMN, integra a 6ª região académica, abrangendo as príncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando-Cubango, com sede na cidade de Lubango, Província de Huíla.


  Prospecção de ouro avança em 20 projectos pelo país


O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, anunciou, terça-feira (26), no Lubango, que dos 28 projectos licenciados para exploração de ouro em vários pontos do país, 20 se encontram em fase de prospecção, oito com os títulos de exploração e se encontram já em actividade, exploração e comercialização dois projectos.


Diamantino Azevedo que falava na abertura do 1º Seminário de Mineração de Ouro em Angola, considerou que o arranque da exploração e outras actividades de impacto do sector mineiro marca o novo modelo de governação do sector que prima pelo desenvolvimento.

"O ano de 2019, constitui o marco do arranque da produção de ouro no país e, deste modo, acções concretas estão em curso para fazer com que o país esteja na lista dos maiores produtores do minério em referência”, disse.

Segundo ele, figuram como principais produtores de ouro no mercado mundial países como a Rússia, Estados Unidos de América, China, Austrália, Gana, México e Cazaquistão, Indonésia, Perú e Canadá.Diamantino Azevedo explicou que a promoção do primeiro seminário Sobre a Mineração de Ouro em Angola, visa juntar a mesma mesa os investidores nacionais e estrangeiros que apostam nas acções de prospecção, qualidade e qualidade e quantidade do mineiro, aceitação nos mercados nacionais e internacionais.

No entender do ministro, ainda há um longo caminho a percorrer com o propósito de atingir as metas preconizadas, sendo por isso, importante o encontro do Lubango, no definir estratégias para o melhoramento do desempenho e eficiência para o aumento da produção.Descreveu que o território nacional possui um espaço geológico favorável para a ocorrência de diversos minerais, cujos dados históricos constam dos resultados do Plano Nacional de Geologia (PLANAGEO).

O ministro Diamantino Azevedo assegurou que os dados actualizados dos recursos naturais disponíveis "são transformados em riquezas para o país após o seu estudo e confirmação em curso”. Com o lema "Por um sector mineiro responsável, dinâmico e produtivo, uniformizemos os procedimentos”, o certame aborda no geral o estado actual de desenvolvendo e perspectivas dos projectos de ouro das localidades do Mpopo, Chipindo, Mapele, Chicuamone, Gandaviara, situadas na província da Huíla, e da Aviafrica, Lufico, Buco-Zau, no Zaire e Cabinda.

A vice-governadora para o sector Político, Económico e Social da Huíla, Maria João Chipalavela, destacou na sessão de abertura que o seminário privilegia a estratégia da diversificação da economia nacional, sendo a Huíla uma província de eleição para o investimento e criação de mais empregos.


Estanislau Costa | Lubango

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia