Opinião

Assunto familiar e de Estado

Editorial

O estado de saúde do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos é, fundamentalmente, um assunto familiar, mas também um assunto de Estado e, em certo sentido do partido de que foi militante e dirigente por mais de 50 anos.

01/07/2022  Última atualização 08H55
Todos os intervenientes, nesta fase difícil em que se encontra o antigo Chefe de Estado, devem reconhecer os limites de intervenção de cada uma das partes, acreditamos, todas imbuídas do espírito de conjugação de esforços para a reversibilidade da situação em que se encontra. A tríade mencionada acima, a família, o Estado e o MPLA, independentemente do estado das relações pessoais que envolvem as referidas entidades, devem continuar a maximizar, nesta fase, o que mais as une, nomeadamente a melhoria do estado de saúde do ex-Presidente.

De nada vão adiantar as graves e irresponsáveis acusações que apontam supostamente para um plano, apenas plausível e aceitável à luz de alguma irracionalidade, para liquidar o antigo Chefe de Estado. Obviamente, este estado de coisas, além de expor as pessoas que incorrem neste jogo tresloucado de acusações gratuitas, extensivamente acaba por afectar, desnecessariamente, o nome, a imagem e a credibilidade de instituições e pessoas que, na verdade, estão interessadas na recuperação do ex-Chefe de Estado.

Não há dúvidas de que, contrariamente ao que se propala, sobre o suposto abandono à sua sorte, as instituições do Estado, a começar pela Presidência da República não estão indiferentes à situação delicada em que se encontra José Eduardo dos Santos.

O Presidente João Lourenço, primeiro através da sua página nas redes sociais, dando claramente a entender o acompanhamento da situação, tinha oportunamente informado a todos os compatriotas sobre o estado preocupante da saúde do ex-Mais Alto Magistrado da nação.

Em Portugal, onde participava da II Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, o Presidente João Lourenço, voltou a  informar que tinha despachado para a cidade de Barcelona o ministro das Relações Exteriores, Téte António, para acompanhar de perto o desenrolar da situação.

Nesta altura, o pior que pode estar a correr e com o qual o Estado e as suas instituições não deverão alinhar é precisamente o jogo de palavras, grande parte delas para difamar,  injuriar e caluniar individualidades com responsabilidades de Estado. Acreditamos que o que mais interessa, nesta fase difícil, é ponderação, serenidade e adopção de uma postura que, mais do que criar fracturas, ajude a contornar o actual quadro alegadamente irreversível.

Independentemente da componente familiar, da presente situação que envolve a saúde do ex-Presidente, não há dúvidas de que interessa e interessará às instituições do Estado o acompanhamento, a ajuda e a criação de condições para a reversão do quadro. Não está a ser fácil, evidentemente, numa altura em que os médicos que assistem  José Eduardo dos Santos são as pessoas melhor indicadas para o que todos os angolanos, mas todos mesmo esperam: a reversibilidade do actual quadro.

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