Cultura

Associações culturais angolanas expõem criações na Feira de Artes

Manuel Albano

Jornalista

As criações das diferentes associações culturais angolanas estão expostas desde ontem e até o próximo dia 17, no Palácio de Ferro, em Luanda, numa feira de artes, promovida pela União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-SA), para assinalar o seu 41º aniversário de existência e o centenário do Primeiro Presidente da República, Agostinho Neto.

10/09/2022  Última atualização 09H05
Elias dia Kimuezu, rei da música angolana, recebeu o diploma de mérito das mãos do ministro da Cultura, Turismo e Ambiente © Fotografia por: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Na feira está exposto o texto da proclamação da UNAC-SA, de 9 de Setembro de 1981, que realça o seguinte:  "Tornando-se urgente, na base da rica tradição cultural do povo angolano, resultado da longa luta de resistência ao sistema colonial-facista, encontrar os pré-requisitos necessários, para uma maior identificação das manifestações artísticas de carácter musical, teatral e de dança, como um dos factores determinantes para a personalização cultural da Nação Angolana”.

Concluiu que "os artistas angolanos do sector musical, teatral e dança, considerando que os objectivos preconizados só poderão ser atingidos de uma forma colectiva e organizada e rendendo homenagem a todos os colegas tombados durante a Luta pela Libertação Nacional, proclamam a sua constituição em União Nacional de Artistas e Compositores - UNAC-SA”.

A promotora do evento criou no local um espaço onde os visitantes podem ter contacto com discos novos e antigos dos seus membros. Foi, igualmente, criado no espaço da UNAC-SA, um pequeno palco, na eventualidade dos profissionais interessados quererem se exibir. Um rádio com o sistema gira-discos de marca Philips, vários discos de vinil de cantores angolanos e estrangeiros prendem a atenção dos visitantes.

Relíquias

A Associação Angolana de Profissionais de Cinema e Audiovisuais (APROCIMA), apostou nesta feira fazer uma apresentação de vários espólios cinematográficos, relíquias que, de certa forma, mostram algum percurso da sétima arte, bem como muito material bibliográfico sobre o cinema nacional e internacional.

Para o Secretário para a Área de Formação e Técnica da APROCIMA,  Manuel Fernandes, partilhar os mais de 75 livros sobre o cinema e filme de realizadores consagrados nacionais e estrangeiros está a permitir aproximar os realizadores, produtores e actores ao público.

Outro aspecto positivo da feira de artes, destacou, é o facto de colocar à disposição dos visitantes algum material de audiovisual. Embora o tempo de preparação e o espaço não os permitir fazer uma exposição mais ampla de todo o legado cinematográfico da APROCIMA, ainda assim, disse, procuraram criar um espaço representativo e a dimensão da história da produção nacional.

Quem visitar a feira, Manuel Fernandes garantiu que vai poder ter contacto com o progressos registados desde as primeira cassetes Betas, de 120 minutos, as pequenas DV, até aos cartões de registo de imagens.

A ideia, explicou, foi procurar fazer uma mistura do material antigo e o mais moderno. No local foi montado um espaço para quem pretenda fazer uma consulta ou mesmo leitura, bem como a montagem de um equipamento de visionamento para quem quiser certificar a qualidade das imagens dos filmes na exposição.

 Os marimbeiros

A defesa da identidade e valorização das artes nacionais, com particular realce da dança e das canções do folclore, continuam a ser uma das principais apostas do Ballet Tradicional Kilandukilu, que tem como director, Maneco Vieira Dias. 

O grupo de dança, que celebrou no dia 15 de Março, o 38º aniversário da fundação, tem procurado preservar a essência de anos e criar condições da passagem de testemunho às novas gerações, de forma a assegurar, com alguma credibilidade esse processo de ensinamento.

Por essa razão, o grupo levou para a feira de artes, numa promoção da UNAC-SA, os seus marimbeiros, Baptista Veloso e Abrantes Mukixi, que estão a animar o local com muita música tradicional da região de Malanje. Com mais de cinco décadas de cumplicidade e fidelidade às raízes, Baptista Veloso, juntamente com o seu colega Abrantes Mukixi, ao longo da feira tocaram ritmos característicos das terras da Palanca Negra Gigante, com destaque para o tema "O Caçador”, "Ngola Kiluanji ", emblemática figura que resistiu à ocupação do território africano pelos portugueses, bem como o canção "Londo Maderi”, que faz um apelo ao fim da escravatura.

 Duas gerações 

A União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) é uma instituição, sem fins lucrativos e de natureza cultural, que trabalha em prol das artes plásticas no país. Fundada a 8 de Outubro de 1977, levou para a feira de artes 18 quadros de pinturas, duas máscaras e três esculturas.

Entre os objectivos na feira, segundo o artista plástico e membro da instituição, Kúdia Narciso destaca-se obra generalista de várias gerações, como forma de promover o intercâmbio entre os jovens talentosos e os artistas consagrados.

A feira, disse, é uma oportunidade para promover as artes plásticas, a defesa dos interesses dos profissionais. "Procuramos diversificar as peças na mostra para dar a conhecer o potencial artístico dos jovens, principalmente, e mostrar o que de melhor tem sido feito em prol do desenvolvimento das artes plásticas”.

 
UNAC-SA prestigia fundadores com diplomas de mérito e honra

Os membros proclamadores da União Nacional dos Artistas e Compositores - Sociedade de Autores (UNAC-SA) e artistas, que ao longo dos últimos anos se destacaram, em prol da preservação das mais variadas disciplinas artisticas, receberam no final da tarde de ontem, no Palácio de Ferro, diplomas de honra e mérito, inserido nas festividades dos 41 anos de existência desta instituição.

O ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Filipe Zau, foi o primeiro a receber, enquanto o rei Elias dia Kimuezu recebeu o diploma de mérito das mãos de Filipe Zau que, na ocasião, disse à impresa ser importante a continuação da valorização da classe artística pelo contributo que têm prestado ao longo dos anos, em prol da cultura nacional.

Filipe Zau referiu que a valorização dos artistas deve ser um processo de continuidade, por forma a dar uma maior dignidade aos criadores nacionais. A unificação da UNAC-SA e a Sociedade Angolana de Direitos de Autor (SADIA), que formou a Entidade Única para a cobrança dos direitos de autor e conexos vai conferir maior dignidade à classe artística, segundo o ministro.

No discurso de abertura, o músico e presidente da UNAC-SA, Zeca Moreno, apelou para uma maior valorização da classe artística por tudo que os mesmos têm feito ao longo dos anos.

Actualmente, com mais de cinco mil associados, frisou que o aniversário deste ano tem um simbolismo especial por coincidir com as comemorações do centenário de nascimento do primeiro Presidente da República, Agostinho Neto.

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, Eliseu Major disse que o programa de homenagem e entrega de diplomas é extensivo aos membros das demais provincias.

Ontem,  foram entregues certificados aos membros que assinaram a 9 de Setembro de 1981, o documento de proclamação da UNAC, pelo contributo que deram à classe e à cultura nacional.

A título póstumo foram outorgados diplomas para Liceu Vieira Dias, Tonito Fortunato, Beto Gourgel, Carlos Burity, Mendes Ribeiro, entre outros falecidos que fazem parte dos 101 membros fundadores.

Antes da homenagem, foi inaugurada, às 16h30, a feira de artes, no pátio do Palácio de Ferro, cujo encerramento acontece dia 17. A feira terá visita guiada aos expositores das associações convidadas, nomeadamente Associação Angolana de Profissionais de Cinema e Audiovisuais (APROCIMA), União Nacional dos Artistas Plásticos ( UNAP), União dos Escritores Angolanos ( UEA), Associação Angolana de Teatro (AAT), entre outras que representam as artes e a cultura angolana.

A feira de artes conta com a parceria da Onart, que produz os eventos culturais no Palácio de Ferro, e tem na agenda várias manifestações artísticas, como espectáculos musicais, peças de teatro, momentos de dança, lançamento de livros, declamação de poesia, humor, debates e outros atractivos. O grupo de teatro Etu Ngó fez o encerramento do primeiro dia de actividade  com uma peça sobre a vida e obre de Neto.

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