Sociedade

Associação SOS Desaparecidos em Angola alerta para o aumento dos sequestros

Carla Bumba

Jornalista

No total, 121 sequestros ocorreram no país, de Janeiro até Junho deste ano, das quais oito estão já confirmadas como mortas, disse, ESTE domingo, em Luanda, o coordenador da Associação SOS Desaparecidos em Angola.

01/08/2022  Última atualização 06H55
Coordenador da associação pede mais denúncias da sociedade de casos de sequestro © Fotografia por: DR

Catanha Chilela adiantou ainda que, com base nas pesquisas, eram sequestradas, no país, 20 pessoas, mensalmente, "uma situação bastante preocupante, que tem sido invertida com o apoio da sociedade e de organismos de segurança especializados, incluindo algumas associações”.

Durante este período, acrescentou, foi possível resgatar 96 pessoas vivas, que actualmente já foram reunidas aos familiares. "Há ainda a lamentar as mortes de Vunda Ferreira e Edson Quituco, assim como de Ana Karina, mantida em cativeiro durante três meses e morta depois pelos sequestradores”, apontou, além de pedir um maior apoio da sociedade civil em situações do género, denunciando quaisquer suspeitas de casos semelhantes.

Actualmente, contou, um dos casos que preocupa a associação é o de Jucelia Julião, que está desaparecida desde Abril e até hoje ainda não há uma pista sobre o paradeiro dela. "Além dela temos mais dois casos de uma jovem de 18 anos, desaparecida há três meses, e um rapaz de 12 anos, ausente há um mês da família”, explicou, sem revelar os nomes para salvaguardar o próprio bem estar destes, caso estejam numa situação de risco.

As idades das vítimas preferenciais dos sequestradores vária muito do interesse dos meliantes. "Em alguns casos temos até meninos de 11 anos a serem sequestradas, assim como já aconteceu a jovens de 30 anos. O que precisamos é ter todo o cuidado e evitar as tragédias, pois, infelizmente, alguns casos tendem a terminar em morte ou desaparecimento definitivo da vítima”.

O objectivo da associação, esclareceu, é ajudar as famílias angolanas a localizar alguns dos ente queridos sequestrados junto da Policia Nacional. "Hoje temos 700 associados, que se juntaram a causa”, revelou, acrescentando que os riscos de trabalhar neste ramo são elevados, "mas, felizmente, não recebemos nenhuma ameaça, por não nos expormos tanto e apenas divulgarmos os casos de pessoas desaparecidas e pedir a ajuda da população”. "Em caso de raptos e sequestros partilhamos imediatamente a informação com a Polícia Nacional e o Serviço de Investigação Criminal”, aclarou.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Sociedade