Sociedade

Associação regista mais de 15 mil casos anuais de falciformação

Edna Mussalo

Jornalista

A Associação de Ajuda às Crianças com Hemoglobinopatia (ONG Efath) recebe, anualmente, no país, mais de 15 mil novos casos de falciformação.

07/11/2022  Última atualização 13H06
Doentes com anemia falciforme pretendem maior atenção no combate à enfermidade, considerada problema de saúde pública © Fotografia por: Contreiras Pipa| Edições Novembro

O anúncio foi feito este sábado, pelo presidente da organização, António Rodão Félix, durante a IVª conferência, denominada "Confóice”, realizada em Luanda.

A doença, referiu, tem um índice de mortalidade maioritariamente a crianças menores de cinco anos, na ordem de 80 por cento.

A conferência, explicou, serviu para reflectir e consciencializar a sociedade sobre a problemática da anemia de células falciforme em Angola.

O presidente da organização, António Rodão Félix, disse que o encontro visou também alertar sobre os níveis da doença e unir forças para o combate à enfermidade no país.

"Declarado pelo Ministério da Saúde, como problema de saúde pública, o índice de mortalidade por falciformação abrange até 20 crianças por dia”, informou.

A doença de falciformação, destacou, é um sério problema de saúde mundial, tendo em conta o elevado número de casos que aflige, particularmente, a África Subsaariana, com o pico endémico cada vez mais crescente.

Para o presidente da "ONG Efath”, o elevado índice de casos deve-se às fracas políticas emergenciais, com denominador assente numa educação para a saúde, bem como na consciencialização da família e na falta de criação de programas e leis públicas de inclusão, que facilitam precocemente a informação.

António Rodão Félix salientou, igualmente, ser imperioso olhar para a problemática da doença com muita atenção, bem como criar projectos emergentes de alcance nacional, com o objectivo de incutir ao cidadão, a existência e a letalidade da patologia, caso não seja diagnosticada precocemente.

Deste modo, considera necessário, o conhecimento do rastreio neonatal, a maximização e qualificação dos técnicos dos serviços ambulatórios para dar melhor resposta à doença.

Alerta ao Estado para a criaçaõ de leis e políticas públicas, que combatam o estigma em todas as suas variantes, e garantir a obrigatoriedade dos neonatais nas maternidades e centros maternos infantis.

 Apontou também a produção de um acórdão, que legaliza os serviços notariais para a obrigatoriedade da apresentação de um exame de eletroforese (separação de moléculas) de hemoglobina, antes da consumação de um casamento civil.

Defendeu o acesso gratuito à medicação, assistência logística e habitacional mensal, abertura de mais centros de atendimento aos doentes de falciforme.

O responsável avançou que a Associação de Ajuda às Crianças com Hemoglobinopatia foi criada em 2011, instalada em várias províncias do país, com o nobre intuito de ver Angola livre da doença, fundamentalmente, fazer com que às crianças nasçam livres dos males da falciformação.

António Rodão Félix disse que a Associação trabalha com um projecto denominado "Kudiyecola”, que faz o cadastramento nas comunidades dos doentes existentes em cada região.

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