Política

Assembleia-Geral da ONU volta a estar reunida de forma presencial

César Esteves | Nova Iorque

Jornalista

O debate anual da Assembleia- Geral das Nações Unidas, encontro que reúne, aqui em Nova Iorque, Chefes de Estado e de Governo, bem como outros altos representantes dos 193 países membros da organização, para a discussão de todo o espectro de questões internacionais abrangidos pela Carta, vai acontecer de forma presencial, um ano depois.

22/09/2021  Última atualização 09H10
Ruas de Nova Iorque registam um frenesim, devido à Assembleia Geral das Nações Unidas © Fotografia por: Santos Pedro | Edições novembro Nova Iorque
Devido às restrições impostas pela pandemia da Covid-19, a sessão do ano passado, no caso a 75ª, foi realizada de forma virtual, facto nunca antes registado em 75 anos da organização. 
No ano passado, os Chefes de Estado, entre eles o Presidente da República, João Lourenço, tiveram de fazer as suas intervenções a partir dos seus países através de discursos pré-gravados. 
Aberta no dia 14 deste mês, a 76ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas vai subordinar-se ao tema: "Construindo resiliência através da esperança - recuperar da Covid-19, reconstruir a sustentabilidade, responder às necessidades do planeta, respeitar os direitos das pessoas e revitalizar as Nações Unidas ”.

O analista em Relações Internacionais Cesário Zalata vaticina, para esta sessão, uma atenção especial dos líderes mundiais à questão de paz e segurança, por, a seu ver, ser das mais candentes neste momento no mundo. "Como se sabe, um dos fins últimos, pelos quais a ONU existe, é, exactamente, a manutenção da paz e da estabilidade internacional”, realçou. Sobre este particular, o também docente universitário disse haver muitos assuntos relevantes, que precisam de ser tratados "com franqueza, abertura e pragmatismo" neste encontro. 

A título de exemplo, apontou o terrorismo, por, a seu ver, ser, neste momento, um dos piores inimigos da paz e segurança, depois da pandemia da Covid-19. Defendeu que o terrorismo carece, por isso, de uma resposta urgente dos líderes mundiais. Casos como os que estão a ocorrer em Moçambique, Nigéria, Somália e Ásia Central configuram, para Cesário Zalata, situações que atentam contra a estabilidade da paz e segurança mundial e, por isso, poderão merecer a atenção dos Chefes de Estado. 

"E quando falamos das questões de paz e segurança, não estamos, só, a falar da estabilidade dos Estados, mas, também, da estabilidade das pessoas civis, por serem as principais vítimas das acções dos grupos terroristas", realçou. Neste particular, o analista em Relações Internacionais acredita que a situação do Afeganistão, onde, com a retirada das forças norte-americanas e de toda a aliança internacional, os talibãs tomaram de assalto o poder - colocando em questão a paz e segurança - vai merecer, igualmente, uma atenção especial dos líderes mundiais.

Cesário Zalata defendeu que os líderes africanos a participarem neste encontro devem aproveitar a Assembleia-Geral das Nações Unidas para buscarem soluções para os problemas de paz e segurança que assolam o continente.
Apontou a situação que se vive, neste momento, na Guiné, onde o Presidente Alpha Condé foi deposto pelos militares, como o que deverá merecer, também, uma atenção especial dos líderes.
Alterações climáticas 
Um outro assunto que, de acordo com Cesário Zalata, vai, igualmente, merecer a atenção dos Chefes de Estado e de Governo neste encontro tem a ver com as alterações climáticas. Disse que as catástrofes que vão ocorrendo um pouco por todo o mundo, nos últimos anos, têm estado a colocar em causa a estabilidade dos Estados e da própria vida humana.

Sobre este assunto, disse que Angola não fica de fora, tendo apontado a situação que se vive no Sul do país, onde muitas famílias são regularmente afectadas pelos efeitos da seca. "Acompanhamos, muito recentemente, notícias que davam conta de um furacão que provocou, no próprio Estados Unidos, um conjunto de destruições em cidades como Nova Iorque e outras”, lembrou.

O analista em Relações Internacionais disse haver informações segundo as quais o Acordo de Paris está a ser insuficiente para pôr cobro às investidas da natureza contra a humanidade, por falta de acções concretas. Por essa razão, espera que o assunto venha a merecer a devida atenção nesta sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

"Os Estados membros devem ter a coragem de trazer este assunto à mesa das discussões, a fim de se encontrarem mecanismos, resoluções e respostas que levem os Estados-membros e a humanidade, como um todo, a se defenderem deste mal global”, defendeu.

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