Opinião

As soluções africanas

A ideia de que, muitas vezes, as lideranças africanas vão buscar soluções para os problemas na Europa, América ou Ásia, deve ser repensada e colocada de lado a favor de soluções africanas para os problemas africanos.

04/08/2021  Última atualização 05H55
Essa visão, de resto um valor teórico-filosófico da prática política africana, que deve ser efectivamente posta em execução, foi avançada pelo Presidente da República, João Lourenço, durante a conferência de imprensa conjunta, em Accra, capital do Ghana, ao lado do Presidente Nana Akufo-Addo.

De facto, precisamos de repensar as estratégias em que assentam a procura de soluções para os problemas africanos em matéria de progresso tecnológico, desenvolvimento e crescimento económico, manutenção do bem-estar das populações, tendo, algumas vezes, como base de sustentação réplicas de realidades distantes.

Os países africanos, na sua grande maioria, vivem como verdadeiras ilhas no continente, razão pela qual as trocas comerciais entre si, além de muito residuais, acabam por ser inexistentes em muitos casos. Urge inverter o presente quadro e, hoje, temos fundadas expectativas de que à medida que os países ratifiquem o Tratado de adesão à Zona de Livre Comércio Continental Africana, tal como fê-lo Angola, na presente visita de Estado do Presidente João Lourenço ao país sede da organização, o quadro vai mudar.

As palavras do Chefe de Estado, alimentando a esperança relativamente à liberdade de circulação de pessoas e bens em todo o continente, são animadoras quando, no discurso proferido no jantar oficial oferecido pelo seu homólogo do Ghana, Nana Akufo-Addo, na segunda-feira, no Palácio Presidencial de Accra, disse que "acredito plenamente que a nossa organização desenvolverá iniciativas, que tornarão o vasto mercado continental bastante atractivo e competitivo". 

O Chefe de Estado angolano defendeu ainda que "devemos procurar soluções que possibilitem a utilização racional dos recursos materiais de que dispõem os nossos países para obter resultados tangíveis, por via de mecanismos como a Zona Continental de Livre Comércio Africana (ZCLCA), que abre caminho para a integração económica do continente".

Acreditamos que com a efectivação da ZCLCA vai ajudar a esbater as situações relacionadas com a fraca interacção entre os povos, reduzidas trocas comerciais e ausência de parcerias e troca de experiência de que muito precisam os países africanos.

Por força das recomendações das Organizações Internacionais, a cooperação  Sul-Sul, como temos estado a defender neste espaço, deve ser privilegiada pelos países africanos cujas economias se equiparam, se complementam e podem gerar benefícios mútuos.

Ao lado das preocupações económicas e comerciais, não há dúvidas de que os países do Golfo da Guiné, como Angola e o Ghana, apenas para mencionar estes dois, enfrentam desafios ao nível da segurança marítima, a insegurança fronteiriça, nalguns casos, pobreza, desemprego, entre outros indicadores.

Apenas fazendo dos problemas de uns Estados espécie de aposta de todos os países será possível responder aos desafios globais com respostas totais. 

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