Opinião

As reservas alimentares

As reservas alimentares, sobretudo nesta fase do ano em que aumentam os níveis de consumo, devem constar entre as prioridades das entidades competentes, quanto mais não seja, inclusive, para nivelar as tendências altistas dos preços.

10/12/2019  Última atualização 08H37

Há algumas semanas, ouvimos o ministro do Comércio a dar garantias de que produtos da cesta básica estão assegurados para as famílias e que não vão existir estrangulamentos até ao período da quadra festiva. Acreditamos nas palavras do ministro, quando deu as referidas garantias porque pensamos que o governante baseou-se em dados que o permitiram fazer a referida leitura. Em todo o caso e se por um lado as reservas alimentares proprocionam garantias aos consumidores, é preciso olhar para as outras variáveis que intervêm na subida descontrolada dos preços dos bens e serviços nesta época final do ano.
Não podemos perder de vista o que mais se evidencia nas práticas que concorrem para males que são proporcionados pela alta da procura por parte dos consumidores. E estes, em função do que notam no funcionamento do mercado, fruto das incertezas, acabam por elevar o percentual da procura e do stock de bens alimentares. Logo, uma das estratégias para conter a fúria gananciosa de numerosos comerciantes, grandes e pequenos, passa pela inundação da oferta e, obviamente, a colocação em campo de agentes da Polícia Económica e fiscais. Ao lado da prática de alteração dos preços dos bens e serviços verificados com alguma particularidade nesta fase do ano, existem outras práticas como o açambarcamento. Tem sido muito comum por parte dos operadores do comércio o procedimento de guardar propositadamente determinados produtos, eventualmente de maior procura em certa época do ano, para comercializarem e assim obterem lucros elevados.
A especulação tem sido igualmente uma arma daqueles que, com o açambarcamento, aumento exagerado de preços, apenas para mencionar estes crimes económicos, vislumbram sempre a oportunidade de ir ao bolso dos cidadãos de qualquer forma. A cultura da moderação em oposição ao consumismo cego e exacerbado, muito observado nesta altura, deve ser cultivada para bem do equilíbrio, sustentabilidade e bem-estar de todos.
De qualquer forma, vale lembrar que todas as práticas que concorrem para desvirtuar o comércio, com preços de venda cinco vezes maiores do que os de aquisição e retenção propositada dos produtos para fomentar a escassez, entre outras, são superáveis. A observância do primado da lei e, fundamentalmente, a oferta massiva de bens e serviços contribuem decisivamente para determinar o curso dos acontecimentos do mercado. Se não existir desequilíbrio das variáveis oferta e procura, não há dúvidas de que, independentemente da época do ano, os bens e serviços não conhecem distorções gigantescas.
Por isso, insistimos que as entidades competentes, que estão a dar garantias de reservas alimentares em todo o país, se certifiquem do que falam para, tal como já sucedeu no passado, não virmos a ser confrontados com informações contrárias. Sem colocar em causa as garantias dadas pelas entidades ligadas ao comércio, é preciso tomar medidas apropriadas e em tempo oportuno, para que as irregularidades que decorrem na fase final do ano não sirvam para sobrecarregar os agregados familiares. As famílias e pessoas singulares não precisam de ser manipuladas pelos operadores do comércio, sendo levadas a gastar acima das suas possibilidades. As garantias sobre as reservas alimentares têm de ser efectivas, para acalmar a cadeia que envolve a produção, a distribuição e o consumo, para que a mão invisível funcione para todos, em igualdade de vantagens, sem os aproveitamentos que sucedem, fruto da ganância, oportunismo e crime.

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