Opinião

As religiões e os crimes contra as mulheres

Manuel Rui

Escritor

MINHA PAIXÃO MAHASA AMINIA. Minha paixão matada em todas as minhas mortes em que morri por amor e ressuscitei na paixão. Ainda por cima eras linda. Morreste por mostrar o cabelo.

29/09/2022  Última atualização 06H55

 Nasci de um ventre de mulher. O ventre de mulher é mãe da vida. Os homens, depois do matriarcado, pela força das religiões, começaram a fazer das mulheres instrumento de prazer. De sadomasoquismo. A coisificação da mulher. A mulher vendida. A mulher comprada.

Como é possível a existência de uma polícia moral para zelar pelas regras de vestuário e do comportamento social no Irão, a decadência da Pérsia com narrativas belas, mais a ocidentalização com minissaia, maquilhagem, música de outros países, casinos, cinema etc.

E a paixão do Xá por Soraya que virou rainha de Pahlavi e acabou, por divórcio, destronada por infertilidade. Foi uma novela que atravessou o mundo de amor e de tristeza, de tão linda que ela era. Depois  Farah Diba, a terceira esposa, que deu descendência.

Desde a revolução islâmica em 1979, liderada pelo Ayatola Komeini, que já havia editado uma fatwa (espécie de decreto religioso) a pedir a morte do escritor Seman Rushdie, que as mulheres no Irão passaram a ser obrigadas a usar um vestuário "modesto,” cobrindo braços, pernas e um lenço a tapar os cabelos. Mais recentemente, no Afeganistão depois da retirada atabalhoada daas forças ocupantes e a entrega do poder aos Talibãs, direitos já adquiridos pelas mulheres foram-lhes retirados, inclusive o direito a ir à escola, devendo, neste momento serem as mulheres mais humilhadas do mundo.

Outro exemplo, este pouco divulgado, é o genocídio provocado pela religião ao povo yazidi, em 2014, atacados pelos fundamentalistas Islâmicos que fizeram milhares de mortos. Entre as sequelas aponta-se a tragédia das mulheres yazidis, que são estupradas e muitas vezes engravidam, mas não podem voltar à comunidade.

Mas a Igreja católica com a inquisição dos jesuítas fartou-se de queimar mulheres. Em Portugal, as Ordenações Afonsinas, código produzido no séc. XV definiu crimes de mulheres como o adultério, o concubinato e a alcovitagem e o estado legitimava a Igreja para perseguir as "mulheres desviantes.” Todo este pensamento era inspirado pelo imaginário patriarca e misógino com a formatação de Eva pecadora, a primeira mulher que se deixou seduzir pelos vícios do diabo. Ainda por cima havia o direito canónico.

E como as filhas de Eva são todas como Eva, o mundo cristão foi atormentador para a mulher com paradoxos como a sacralização de mulheres, aquelas semelhantes à virgem Maria, mãe de Jesus, este deixou de herança a martirologia. Não escreveu como Maomé que ainda tem descendência. A martirologia da Cruz é transportada em catarse para a inquisição dos jesuítas que queimavam caciques índios numa cruz.

Outra prática repugnante é a mutilação genital feminina, a incisão clitorial que afeta mais de 200 milhões de mulheres no mundo. Embora a prática envolva 30 países de África e Médio Oriente, ocorre também na Ásia e América Latina e entre populações imigrantes que vivem na Europa Ocidental, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia. Felizmente em Angola a mulher pode fazer sexo com prazer. Já, ricos que emigraram para aqui quiseram impor aos futuros sogros que a filha fosse sujeita à castração. Levou corrida.

O pensador queniano Bishara Sheikh Hamo, da comunidade Borano, adianta que a prática da incisão clitorial pode causar problemas físicos e mentais que afetam as mulheres ao longo da vida.

Naqueles países em que tal prática vigora, as mães ensinam às filhas que o prazer feminino é pecado. E as mulheres mortas à pedrada por crime de adultério e sem contraditório?

Hoje, nesses países, há jovens que se agrupam e recusam a incisão, incluindo-se na luta pela mulher que, ao longo do meio do séc. passado e deste, vem obtendo lugares em todas as tarefas, desde as desportivas, culturais, científicas e políticas.

Gostava de saber se o Ahyatola é virgem, se toma banho e se já viu o sexo de uma mulher. Tive um cliente muçulmano, ficou amigo, ia à terra comprava mulher e não engravidava. Aconselhei-o a ir Paris. Afinal ele é que não era fértil. Fez tratamento e foi comprar uma  jovem, por sinal bem linda. E eu perguntava se ele gostava de ver o sexo de uma mulher, se sabia do clitóris, uma parte do corpo humano só para sexo. Arregalou os olhos. Não podia olhar nem ela o sexo do marido. Pasmei. Emprestei-lhe o Kamasutra. Devolveu-me logo depois de ter desfolhado umas páginas. Era um livro que devia ser queimado.

Por todo o mundo há manifestações contra a violência sobre a mulher, a propósito de Amin.

A nossa sociedade civil não adere a este tipo de movimentos. Nem as ordens de advogados ou médicos se costumam pronunciar sobre, por exemplo, direitos humanos. E há muitas mulheres, sem acesso à comunicação e assim estes fenómenos, passam-lhes ao lado. Por isso e por tudo, MINHA PAIXÃO MAHASA AMINIA. Minha paixão matada em todas as minhas mortes em que morri por amor e ressuscitei na paixão. Um beijo.

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