Opinião

As pessoas com VIH-Sida

A informação prestada, há dias, segundo a qual a maioria dos pacientes com VIH-Sida está sem tratamento é grave, atendendo aos contornos da doença, cuja aparente invisibilidade a transforma numa "arma sigilosa".

27/09/2021  Última atualização 09H05
Obviamente, que notamos todos na sociedade, nas famílias e nas pessoas, directa ou indirectamente, o impacto da doença, razão pela qual  importa que se fale dela, conta que se preste atenção a ela e vale a pena estarmos todos atentos.

Segundo o presidente da Rede Angolana de Organizações de Serviços da Sida (ANASO), António Coelho, dos 340 mil angolanos que vivem com o vírus apenas 93 mil recebem tratamento com os anti-retrovirais, uma realidade que urge inverter.

O comportamento humano, na maioria dos casos, tem-se constituído como um dos principais factores que pesa negativamente na modalidade como o vírus se propaga na sociedade. Dos números apresentados, em que mais de metade não acede ao tratamento, mais por razões comportamentais do que propriamente por eventual escassez de medicamentos, precisamos de nos certificar sobre a evolução do contágio e da doença.   

Durante o acto de lançamento das actividades referentes ao 1 de Dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Sida, em que esteve presente o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda, que decorreu há dias, António Coelho, ligado à ANASO, revelou que o número de infecções e mortes relacionados com o Sida têm vindo a aumentar.

Afinal, a doença existe e felizmente o estigma, ainda presente e devastador na vida de muitos que se encontram infectados com o vírus, há muito que deixou de ser um problema agravante da enfermidade. É verdade que precisamos de fazer mais para continuar a sensibilizar as pessoas, não raras vezes negando a existência da doença, pensam que a mesma deixou de ser um problema ao nível do nosso Sistema de Saúde

Basta ouvir todos os anos os números divulgados pelas autoridades sanitárias, pelas organizações de luta contra a Sida, entre outros entes, para ganhar consciência de que a enfermidade não foi eliminada do nosso seio. Ao contrário de outras doenças, algumas até "menores em idade" relativamente ao VIH-Sida, já conhecem antídotos, a chamada "doença do século" não tem ainda cura.

Enquanto essas iniciativas não resvalarem para o esperado medicamento, a arma eficaz  continua a ser, para os não infectados, a prevenção e para os que vivem com a doença o acesso ao tratamento. É preciso vencer completamente o estigma, assumir a doença para uma vida responsável e continuar a aceder ao tratamento porque,  como a experiência tende a indicar, independentemente dos contornos a ela associada, o VIH-Sida não deixa de ser uma doença crónica. E não das piores sobretudo quando diagnosticada a tempo,  cuidada com os tratamentos e enfrentada com toda a responsabilidade, razão pela qual as pessoas com VIH-Sida não precisam de se autoflagelarem porque a vida continua.

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