Opinião

As incógnitas do Mundo

Luciano Rocha

Jornalista

As agressões ao ambiente deste planeta que nos acolhe, apesar dos resultados de variadíssimos estudos científicos alertarem para os reflexos calamitosos no futuro, conseguem refrear os egoísmos dos actuais “senhores do Mundo”.

04/08/2022  Última atualização 11H05

A gula dos "senhores do Mundo” que se apresentam amiúde como arautos das liberdades e conhecimentos, reflectem, no fundo, interesses mesquinhos assentes na ignorância que norteia a boçalidade incapaz de enxergar além do nariz.

Essa forma de olhar o todo mundial, como quintal privado, repercute-se quase sempre nos países mais pobres e pouco ou nada desenvolvidos, nos quais não raro têm seguidores, capachos , capazes de tudo, inclusivamente ignorar origens e hipotecarem interesses dos próprios povos a que renegam.

Os "senhores do Mundo” continuam a opor-se a todas as propostas destinadas a reduzirem os níveis de poluição causada, na maioria dos casos, por eles próprios, que atingem mortalmente faunas e floras, danificam solos e subsolos, tal como  o ar. Para eles não há limites, a ambição é proporcional ao egoísmo. Um artigo publicado, recentemente, na revista da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, refere que "se os aumentos da temperaturas forem piores do que o esperado e os resultados  desencadearem sucessões de acontecimentos imprevisíveis”, os desfechos "são catastróficos”.

Um dos autores do mesmo estudo, Johan Rockstron, director do Instituto Alemão de Pesquisas sobre o Impacto Ambiental, salienta que consoante avançam as investigações  sobre os motivos de ruptura no clima - derretimento irreversível dos gelos polares ou devastação da floresta amazónica - avolumam-se os factores de risco climáticos.

O cientista sublinha que os efeitos no ambiente também são colaterais e dá exemplos: crises financeiras, conflitos, epidemias. Todos dificultam eventuais recuperações dos males causados por catástrofes.

Os autores do estudo defendem a elaboração de um programa de ajudas aos governos no combate aos "quatro cavaleiros” que consideram suportes do "apocalipse climático”: fome e subnutrição, alterações ambientais extremas, conflitos e doenças transmissíveis.

Os estudos, até agora elaborados por cientistas de competência comprovada preocupados com o presente e futuro da Humanidade, deviam, apenas por eles próprios, limitarem, no mínimo, as ambições dos "senhores do Mundo”. Infelizmente, a verdade, mostrada ao instante, é que, como soe dizer-se, "é para o lado que eles dormem melhor”. Sem pesos de consciência, algo que não lhes sobeja, por somente sobrar o que se tem.

Resultados de  70 investigações científicas, divulgadas, igualmente há pouco tempo, mostram que aquele mal, cada vez mais generalizado, pode causar demência em idosos e estar relacionado com exposição a "poluentes do ar”.

Muitos dos Estados mais premiáveis chegam a ser uma espécie de caixotes de lixo dos mais ricos ou, pelo menos, tidos como tão atrasados., que se servem deles para, por exemplo, porem à venda, modelos de toda a espécie em desuso, de que são exemplo viaturas a gasolina ou gasóleo exactamente por os utilizadores nos respectivos países os preterirem, cada vez mais, alertados para os efeitos da poluição. Mas, há mais exemplos, como os plásticos, cuja utilização é vetada num número crescente de Estados, inclusive em África. 

 Para os "senhores do Mundo”  e aqueles que, como marionetas, apenas fazem o que eles decidem, todos os meios justificam os fins, nem que para isso provoquem guerras fratricidas, genocídios, destruam cidades, vilas, aldeias, reduzam países a cinzas.

O Mundo actual, todos sabem, está em perigo. O futuro é uma incógnita.

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