Opinião

As empresas privadas e o financiamento da actividade produtiva interna

O país tem gastado muitos milhões de dólares com importação de bens da cesta básica que podem ser produzidos em Angola. A produção interna de vários produtos agrícolas ainda não satisfaz as necessidades dos consumidores.

13/12/2019  Última atualização 09H01

Segundo o secretário de Estado para a Economia, Sérgio Santos, de Janeiro a Outubro de 2019, foram gastos 1,3 milhões de dólares em importação de produtos da cesta básica, como o arroz, a carne, o frango, o açucar, o óleo de palma e a farinha de trigo.
Apesar de o país ter dois mil milhões de dólares para financiar projectos produtivos em território nacional, no quadro da implementação do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) e do Programa de Apoio ao Crédito (PAC) é ainda muito reduzido o recurso àquele montante por parte de empresas privadas nacionais
Será necessário saber das reais razões que impedem as empresas privadas angolanas de pedir financiamento das suas actividades produtivas, para se encontrarem os mecanismos que viabilizem com celeridade a utilização de recursos financeiros para investimento na produção interna , em particular nas zonas rurais.
Temos um país com terras férteis e podemos, como no passado, produzir muitos alimentos, para consumo interno e até para exportar. Mas temos de ter muitas empresas a funcionar em todos os pontos do território nacional. São as empresas o motor do crescimento económico e devem ser elas a gerar riqueza e a criar empregos.
O Estado quer fazer a sua parte, com a criação de infra-estruturas necessárias para por exemplo assegurar o funcionamento continuo das empresas, a circulação de pessoas e bens. As empresas fazem investimento para obterem um retorno. Ninguém investe para perder dinheiro. Os empresários gostam de correr riscos, mas não os riscos que possam inviabilizar os seus negócios.
O Estado e a sociedade têm todo o interesse em que as empresas privadas retomem a sua actividade produtiva, porque são as unidades produtivas que podem resolver muitos dos nossos problemas, como o desemprego, que afecta um elevado número de jovens.
Nestes tempos de crise, temos de ter a imaginação necessária para encontrar- mos os melhores caminhos que nos levem a encontrar soluções mais sólidas para os problemas. As crises são sempre dolorosas mas podem ser ultrapassadas.
A nossa capacidade para resolvermos nós próprios os nossos problemas está a ser posta à prova. Termos de estar à altura dos grandes desafios que temos de enfrentar. Temos todos nós de acreditar que podemos construir um país bom para se viver.
É hora de muito trabalho. Temos de ser nós a resolver os nossos problemas, por mais complexos que eles sejam. Que os nossos empresários sejam persistentes e não desistam de fazer parte da solução dos nossos problemas. A sociedade está a contar com o seu talento, capacidade de trabalho e vontade de ajudar a tornar Angola um país em que todos possam viver com dignidade.

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