Opinião

As “decisões olímpicas”

O caso que envolve(u) a classificação, indicação, eleição ou convocação de atletas angolanos para representar o país nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Japão, gerou alguma controvérsia, sobretudo o relacionado com as desportistas do atletismo e natação.

21/07/2021  Última atualização 08H25
Segundo o que foi dado a observar, em função das intervenções das partes, no caso o testemunho das atletas, os representantes, as federações, o Comité Olímpico Angolano (COA) e o Ministério da Juventude e Desportos, não há dúvidas de que se adensam inquietações e interrogações.

Não se compreende como é que a atleta com pontuação qualificada e contra todas as regras da Federação Internacional de Natação (FINA) tenha sido desqualificada pela Federação Angolana de Natação para representar Angola nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Tal como ficou comprovado, o reconhecimento da injustiça por parte da FINA e o consequente pedido de desculpas à atleta Lia Lima, devia levar ao mesmo gesto os actuais gestores da Federação Angolana de Natação, eventualmente, além do esperado inquérito do órgão de tutela para apurar responsabilidades.

Afinal de contas, está em causa não apenas os valores entroncados no chamado Espírito Olímpico, que inspiraram Coubertin na reorganização dos jogos, mas também a imagem e nome de Angola.

Sem entrar muito nas contestações e recriminações que envolvem as atletas lesadas pelo processo que presidiu "classificação para as Olimpíadas” e as instituições em questão, precisamos de retirar as melhores lições para que o sucedido, deliberado ou não, jamais volte a ocorrer no futuro.

Não é exagerado esperar que o ministério de tutela das federações tenha uma actuação mais próxima, aumente os mecanismos de supervisão e regulação, independentemente da autonomia de que gozam as federações, para que os gestores se comprometam sempre e sempre com as boas práticas.

Não faz sentido que, sendo ou não o caso que envolveu a desclassificação ou a não convocação das atletas com melhor pontuação, os gestores das federações disponham das instituições como bem entenderem ao ponto de ignorarem normas elementares estatuídas pelos organismos internacionais e nacionais.

Não fica para o nome e imagem do país a ideia segundo a qual os critérios usados para a escolha dos atletas para as competições olímpicas tenham sido outros que não os de natureza desportiva e competitiva.
Não devia mais servir como tema de conversa a ideia de que para as Olimpíadas tenham que ir, em representação do país, apenas os melhores e somente aqueles que tenham a melhor pontuação, devidamente homologada pelo órgão internacional e nacional ligado à modalidade.

O pior que pode estar a acontecer, relativamente às escolhas ou classificações dos nossos atletas aos Jogos Olímpicos é, possivelmente, a subversão do lema, optando pelo "mais lento, menos forte”, apenas para citar duas das três palavras do emblema olímpico.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião