Opinião

As crianças e o jornal Kandengue

Joaquim Xanana *

No ajuste das datas consagradas no calendário gregoriano, apercebo-me de que estamos para além do período (mês de Junho), que efusivamente os kandengues irradiam os sorrisos da esperança de um futuro melhor. E para a efectivação deste relevante desiderato, nada melhor do que infundir nos kandengues – e porquê não entre os adolescentes e jovens – o hábito da leitura.

07/07/2024  Última atualização 08H13

A materialização de um Plano Nacional de Leitura (PNL) vai trazer inúmeros benefícios e, quando estimulada desde à infância, os impactos serão positivos. Por via disso, as crianças desenvolvem a concentração, memória, raciocínio, cálculo e compreensão, bem como estimulam a linguagem oral e ampliam a capacidade criativa.

Segundo Lourdes Mata (2006), "foram identificadas três dimensões nos perfis motivacionais para a leitura em crianças do ensino pré-escolar: o prazer pela leitura; o valor da leitura e o autoconceito de leitor”.

Todavia, o kandengue é um ser humano em pleno desenvolvimento, cujas experiências partilhadas desde os primeiros anos de vida são fundamentais para a construção da sua personalidade (ser e estar), até atingir a maior idade. Por isso, é muito importante que a criança cresça num ambiente saudável, envolto de afectos e com liberdade para recriar, ficando evidente que a importância da leitura na infância é maior, por discorrer para as fases de afirmação.

De acordo com a pedagoga Jussara de Barros, instando os encarregados e tutores, ‘‘procure estabelecer um horário de leitura todos os dias, descubra qual é o melhor para você se dedicar a essa actividade e siga com determinação. Algumas pessoas preferem ler pela manhã, outras no final da tarde, mas uma boa opção é tirar uma hora antes de dormir para isso. Além de relaxar, aos poucos o sono vai chegando, o que lhe proporciona uma boa noite”.

São várias as possíveis causas que resultam da falta de hábito de leitura, como reduzidas infra-estruturas para o efeito, falta de livros e actividades recreativas ou qualquer tipo de programação diferente relacionada à área educacional como factor crucial para o desenvolvimento sustentável (propício para cativar os alunos), pela ineficácia da acção dos pais, encarregados de educação e outros, no domicílio.

Neste ponto particular, os professores, líderes religiosos, profissionais da mídia, bem como a sociedade civil, deviam tornar-se num activo para desempenharem a função fulcral de criar ou resgatar o hábito de leitura para os kandengues e os demais.

A vigência com sustentabilidade de um PNL agrega entre os vários actores esforços financeiros, materiais e humanos. Enquanto isto e sem desvirtuar o foco, julgamos oportuno que fosse assegurada a expansão cultural (hábito da leitura) em espaços de lazer com a designação "Cantinho de leitura do kandengue”, como alternativa às bibliotecas padrão. Compatibilizando-os com incentivos à promoção de concursos de leituras interescolares em coordenação com as administrações municipais, distritais e comunais da educação, com apoio do segmento empresarial púbico/privado.

Neste desafio, a comunidade infanto-juvenil já está referenciada com o projecto "Suplemento Kandengue” da Edições Novembro, empresa que edita, entre outros, o único diário do país, o Jornal de Angola.

A par deste esforço, os editores ou livrarias também podiam emprestar maior suporte, montando tendas com a exposição de livros (comercialização), uma iniciativa que se podia implementar não apenas em datas comemorativas, mas também em zonas balneares e de lazer, entrada e saídas de turistas (aeroportos e portos comerciais), nos parques das igrejas (antes e depois de cultos), em locais que se degustam os quitutes da terra, seja em céu aberto ou não. Pode-se também ver a possibilidade da tradução das obras literárias, tendo em conta os desafios lançados no sector do Turismo.

A leitura é um forte instrumento para nos mantermos actualizados e constitui um produto intelectual que encerra conhecimentos e expressões individuais e colectivas, cuja importância radica em três distintos objectivos fundamentais, nomeadamente o prazer, o estudo e a informação. Isto possibilita o desenvolvimento biopsicossocial de cada um.

Por isso, a partir do que advoga Silva (1981, p.42), "leitura é uma actividade essencial a qualquer área do conhecimento e mais essencial ainda à própria vida do ser humano”. Em determinadas "biblioteca doméstica” estão já os kandengues referenciados (Luiano, Laura da Silva, Anaedith Sanana, Octhali, João António (John), Dacy, Quinzinho (xará), Serginho da silva, Gabriela, Kennedy, Danilo Domingos, Arnaldo, Vicki, Ariela (boneca) Miney,Vilma, Lionel, Oriel, Jéssica, Tulueke, Braúlio, Indira Patrícia (Elaene), Ana Maria, Sandro, Gabriel, Man Sé, Tati, a despertarem nos pequenos o prazer pela leitura e a aguçarem o potencial cognitivo.               

           
                                           
* Psicólogo

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