Opinião

As brigadas de vigilância

A criminalidade, sob todas as suas formas, é sempre injustificável e, mesmo sob determinados contextos sociais, de nada serve estabelecer uma espécie de “linkage” entre a pobreza, o desemprego e a fome, ao lado de outros indicadores sociais, ao crime.

07/08/2020  Última atualização 00:00

 Fomos confrontados, e ainda somos hoje, com pessoas que defendem que muitos adolescentes e jovens são levados a praticar crime por causa de alguns daqueles indicadores mencionados acima. Alegam que a falta de emprego, assim como a falta de outras formas de ocupação economicamente úteis, é que “forçam” a materialização prática do ditado “a ocasião faz o ladrão”.
Na verdade, existem algumas experiências recentes que contrariam as teses sobre as eventuais ligações directas entre a criminalidade e alguns indicadores sociais. E vale a pena insistir aqui na iniciativa, ligada à prevenção da criminalidade no distrito do Sambizanga, que está a ser um sucesso e pode ser replicada, sobretudo, nas localidades que conhecem focos preocupantes de criminalidade.
Convirá ressaltar que contrariamente aos que se socorrem da falsa lógica segundo a qual com a oferta de emprego e outras formas de ocupação a criminalidade desaparece, os mais de 40 grupos de marginais, no Sambizanga, não foram desactivados por força de alguma oferta de postos de trabalho ou de formação.
Não estão a ser feitas ofertas de emprego, formação ou outras formas de ocupação economicamente úteis que estariam por detrás da baixa significativa da criminalidade no referido distrito, em tempo recorde.
A criação das chamadas “Brigadas de Vigilância Comunitária”, uma iniciativa da administração distrital e os populares, com o contributo instrumental de ex-meliantes, está a permitir estabelecer uma rede de voluntários que se predispõem a fazer vigia e a inibir a prática de crimes.
Sob a tónica da prevenção, o patrulhamento das ruas e a recolha de meliantes está a ganhar contornos de uma verdadeira vitória contra a tendência criminosa e a mobilizar famílias e bairros inteiros. Afinal, é também possível prevenir a criminalidade sem a iniciativa policial, facto que reforça a ideia, muitas vezes avançada pela própria Polícia Nacional, segundo a qual os problemas da sociedade não são para serem necessariamente resolvidos pela corporação.
É preciso que as comunidades criem formas, promovam iniciativas locais e concebam mecanismos de prevenção da criminalidade para que a estes passos sejam ligados outros de natureza educativa, formativa e laboral. O crime está a ser prevenido no Sambizanga sem orçamento, sem a intervenção directa da Polícia Nacional, sem oferta de empregos, sem a garantia de formação, mas apenas com a consciencialização generalizada que levou a criação das brigadas de vigilância. O crime, é bom que se promova incessantemente essa ideia, é sempre injustificável e a ideia que leva as pessoas a associá-lo aos outros indicadores sociais cai por terra quando olhamos para as experiências vividas no Sambizanga com a criação das brigadas de vigilância.

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