Cultura

Artistas plásticos deficientes pedem maior inclusão social

Analtino Santos

Jornalista

A exposição colectiva “Arte e Superação” dos artistas com necessidades especiais Eliart, Vopsi Moma, Yákala e Polas está patente desde sexta-feira até ao dia 26 deste mês, na Tamar Golan da Fundação Arte e Cultura, na Ilha do Cabo, em Luanda.

09/08/2022  Última atualização 10H05
Obras do quarteto artístico estão expostas na Fundação Arte e Cultura na Ilha do Cabo © Fotografia por: DR

À margem da cerimónia de inauguração da exposição, os músicos Isis, Hembe, Tê Pascoal, Nairo Poliglota e Walietcha Neto foram chamados para um concerto, no qual a música hip hop e spoken word seguiram a lógica do projecto, que é o de dar visibilidade à produção criativa de artistas com necessidades especiais.

Os artistas expositores defendem que inclusão social não é apenas a realização de actividades colectivas especiais, mas sim levar os artistas em actividades regulares em grandes actividades culturais, como concertos e exposições. Os artistas visuais apresentaram um discurso onde a luta contra o preconceito, a superação e a auto-estima estiveram no centro dos pronunciamentos.

Amândio Cachihumbua foi assertivo ao descrever os quatro artistas: "Eliana Calei, a única participação feminina, tem nos trabalhos uma espécie de auto-retrato da situação da mulher, sofre de uma deficiência e mostra grande superação diante dos desafios da vida; Vopsi Mona "Picasso angolano”  opõe-se aos seus medos com optimismo, num jogo de escape às vicissitudes da vida enquanto deficiente física”.

Referindo-se a Polas resume que "reflecte sobre a mulher africana que usa toda a arma possível para dar o essencial para o desenvolvimento do seu filho e Yákala com as suas obras auto-referenciais traz em cena os seus dramas, angústias advindo do que experimentam como pessoas portadoras de deficiência”.

A Arte-Superação é um projecto artístico que reúne artistas com deficiência física e que de alguma forma têm enfrentado preconceitos e discriminação. O objectivo é o de incentivar a inclusão social e dar a conhecer o poder que a arte tem sobre a mente das pessoas. Mostrar a auto-estima apesar das suas condições físicas, é um dos objectivos da iniciativa da Fundação Arte e Cultura.

Isis Hembe, artista conhecido no movimento hip hop e no spoken word, fechou a festa em grande estilo. Nairo, o Poliglota, foi outro artista que defendeu o rap em "Abaixo o preconceito, o poder está em ti” e "Mestre de Cerimónia”, ambos  mostraram a força do hip hop. Com fortes mensagens a apelar a integração social e um olhar atento fruto das experiências, Tê Pascoal e Walietcha Neto levaram a palavra falada para representar a inclusão no spoken word.

Os protagonistas

A paixão pela arte em Eliana Calei começou quando ainda tinha 7 anos. Na escola, as suas maiores notas sempre foram em Educação Visual e Plástica. Paulo António "Polas” entrou no mundo das artes com os seus 6 anos por influência do seu irmão mais velho. Para além das artes plásticas é músico, compositor e poeta. Alberto Jorge Cavélua Moma "Vopsi Moma”, mais conhecido por "O Picasso Angolano”, é um artista plástico autodidacta com limitações e dificuldades de locomoção física, afectado por uma doença que lhe paralisou os membros superiores e inferiores quando ainda era criança. Lino Manuel Campos  "Yákala” é estudante do segundo ano da Faculdade de Artes e esta é a terceira participação em exposição colectiva.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura