Cultura

Artistas moçambicanos elogiam rumo das artes plásticas em Angola

Maria Hengo

Jornalista

Vários artistas moçambicanos visitaram, na sexta-feira, as exposições “Kina Muta – Muta Kina”, patente no Museu Nacional de História Natural, e “Angola Kiesse - Tons e Cores”, no Palácio de Ferro.

24/06/2024  Última atualização 09H04
“Kina Muta- Muta Kina” no Museu Nacional de História Natural foi a primeira exposição visitada pela delegação moçambicana © Fotografia por: Francisco Lopes| Edições Novembro

Em visita a Angola no âmbito do projecto cultural Ideias Dinâmicas,  o grupo de artistas moçambicanos, constituído por escultores, ceramistas e  pintores, elogiou o rumo das artes plásticas angolanas, em particular a matriarca das artes moçambicanas, a renomada ceramista Reinata Sadimba, que manifestou estar emocionada pelo labor das obras.

Conduzidos pelos anfitriões, o artista plástico Álvaro Macieira e o curador Kabudy Eli, os moçambicanos receberam explicações detalhadas sobre os artistas e o motivo da exposição, explicando o significado de algumas obras, com destaque para "Bem-vindo à minha Vida”, do artista plástico Tozé, e "Do pó viemos e do pó voltaremos”, de Albino da Conceição.

A visita à exposição colectiva "Kina Muta – Muta Kina” durou cerca de 50 minutos, tendo os artistas moçambicanos contemplado 75 obras  de 50 artistas angolanos da colecção particular de Álvaro Macieira, reunida ao longo de 30 anos, inaugurada em Fevereiro deste ano.

Após explorar a exposição no Museu de História Natural, o grupo de artistas moçambicanos, num total de cinco, rumou para o Palácio de Ferro, onde foi recebido por uma bem conseguida actuação do grupo tradicional Tchavala, como sinal de boas-vindas. Na exposição "Angola Kiesse - Tons e Cores”, patente desde Abril deste ano, o artista Álvaro Macieira começou a visita explicando os contornos da instalação "África Mitológica”, parte fundamental desta exposição, que tem a curadoria de Marisa Kingica, Oivando Carlos e Oksanna Dias.

No final da visita, a artista moçambicana Reinata Sadimba  explicou que foi gratificante  apreciar cada obra de Álvaro  Macieira, avaliado como um artista de "mão cheia", pelo número de obras expostas.

"Estou feliz em conhecê-lo, gostei de cada momento que vivi aqui, desde a recepção com a dança e a troca de experiências entre os artistas", explicou.

A reconhecida  artista internacional  moçambicana explicou que a visita à exposição "Kina Muta - Muta Kina” a remeteu à resistência dos artistas, visto que muitos são desafiados a pintarem não só a sua imaginação, como também descrever vários  assuntos sociais.

Quanto às suas obras, Reinata Sadimba disse que  se definem como uma rusticidade essencial, não existindo retrato, mas antes a subjectividade primordial que deriva de uma estilização objectiva.

Acrescentou que as suas esculturas demonstram, também, várias tensões dinâmicas entre o círculo completo, patentes na rotundidade dos objectos, e as linhas quebradas, patentes na forma como os investe de inscrições.

O artista plástico moçambicano Moisés Ernesto Matsinhe Mafuiane, que usa o nome de "Butcheca” para se expressar artisticamente desde o início dos anos 1990, disse que já ouvia falar há muito de Álvaro Macieira, mas que só agora teve a grande oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, depois de um breve diálogo no Museu de História Natural.

"Esta visita acrescentou mais ainda no meu arquivo bibliográfico. Sendo o meu trabalho dividido em pintura, escultura e desenho, pude aprender e ver diferentes técnicas que o artista utiliza para pintar as obras”, sustentou.

O artista revelou que admira a paciência e as colecções de Álvaro Macieira, pela história que vem contando sobre Moçambique e que já conviveu com alguns artistas que conhecem o seu trabalho, acrescentando que cada obra apresentada possui um detalhe singular.

"As obras expostas são históricas, esta colecção permite viajar no tempo e poder reviver cada momento”, partilhou.

Já o escultor Gonçalo Mabunda, que começou a trabalhar como artista profissional em 1994, disse que aprendeu bastante com Álvaro Macieira e que agora o admira mais ainda, por ouvi-lo falar de uma forma tão íntima sobre  Malangatana Ngwenya e de outros artistas moçambicanos.

"O Álvaro faz parte de nós, é interessante saber que ele se interessa pela cultura moçambicana”, disse reconhecido.

Artista conhecido pelo público angolano amante das artes plásticas, a maioria das esculturas de Gonçalo Mabunda é feita das armas desactivadas que foram armazenadas e escondidas durante a longa guerra civil que dividiu Moçambique.

O artista expôs em Luanda em Setembro do ano passado no Espaço Luanda Arte, reunindo trabalhos que intitulou "Armas para a Arte”.

Na qualidade de anfitrião, Álvaro Macieira explicou que foi com grande alegria que recebeu este grupo de artistas moçambicanos e com eles trocar experiências sobre diversos pontos das artes plásticas africanas.

"É uma grande honra e alegria receber esta rainha viva da arte moçambicana, Reinata Sadimba, que se expressa peculiarmente com as peças de olaria, tendo uma imaginação que lhe permite sempre ir mais além ", elogiou.

Ainda sobre a visita, o artista angolano reconheceu que um dos grandes ganhos foi a troca de experiências entre os artistas moçambicanos e angolanos, tendo reforçado que os artistas gostam de apreciar o que tem sido feito nos dois países.

"Muitos deles  já conhecia, principalmente a Reinata Sadimba, e agora eles também têm a oportunidade única de conhecerem em primeira mão as obras, deste jeito conseguimos partilhar conhecimentos, nossas opções de expressão artística, e à medida que vamos trocando experiências  saímos sempre enriquecidos”, observou.

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