Cultura

Artistas lusófonos deixam boas impressões no dia de encerramento do festival das artes

Armindo Canda

Jornalista

Os últimos espectáculos performativos da segunda mostra do programa Procultura, para artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), aconteceram, na quarta-feira, à noite, no palco do Elinga Teatro, em Luanda.

08/06/2024  Última atualização 12H30
Instrumentista Wilson da Silva comoveu o público com os ritmos e tradições da Guiné-Bissau © Fotografia por: luís damião| edições novembro

O festival encerrou com a exibição dos artistas Nilégio Cossa e Francisca Minire, de Moçambique, Betty Fernandes e Djam Neguin, de Cabo Verde, e a angolana Khristall África.

Os artistas montaram as peças com coreografias à base de danças e representações cénicas. Na quarta-feira, os artistas Wilson da Silva, da Guiné-Bissau, Mai-Júli Machado, de Moçambique, Nuno Barreto e Rosy Timas, ambos de Cabo Verde, deixaram boas impressões no palco do Elinga Teatro, durante a exibição das performances, na segunda mostra de "Artistas Residentes”.

Da Guiné-Bissau para Angola, o artista Wilson da Silva, durante os 15 minutos em palco, comoveu a plateia com os ritmos tradicionais do seu país, ao exibir a peça "N´ha Ritmo i N´ha Cultura”, uma recriação de ritmos dos bijagós, dos felupes, mandingas, tinas e gumbés.

A "magia” da cabaça (tina) do guineense fez vibrar a assistência, obrigando Wilson da Silva a regressar ao palco. O djembe e as memórias se misturaram num auto-retrato quando o músico soltou a voz e interagiu com a plateia.

A moçambicana Mai-Júli Machado, sem pretender deixar os seus créditos em mãos alheias, mostrou uma grande criatividade em palco e um potencial artístico muito forte, ao apresentar uma coreografia intitulada "Sinais Particulares”, trazendo à reflexão a mulher jovem, no geral, sobretudo as africanas, que carregam o "fardo” de serem na sua maioria submissas. Pela brilhante actuação, a actriz recebeu fortes aplausos da plateia.

Em "Izulamento 20”, o artista cabo-verdiano Nuno Barreto expressou em palco a magia da poesia por meio do corpo, onde a consciência do ser vai além do visível e do concreto.

Para fechar o segundo dia da mostra, a cabo-verdiana Rosy Times trouxe como proposta a peça "Sacralidade”, no decorrer da qual mostrou que a mulher é uma fonte de criatividade, intuição, espiritualidade, conhecimento interior e fonte de poder.

Em declarações ao Jornal de Angola, no final da apresentação, o artista guineense Wilson da Silva mostrou-se satisfeito pela recepção calorosa do público, que era maioritariamente angolano.

"Com esta recepção sinto-me em casa, o público, maioritariamente constituído por angolanos, teve uma grande interacção comigo desde o momento que subi ao palco. Foi extraordinário. Cantei algumas músicas em crioulo e mesmo sem saber o que estão a cantar estivemos unidos e isso tocou profundamente a minha alma”, disse Wilson da Silva.

O músico explicou que para animar a comunidade falante da língua oficial portuguesa, trouxe vários instrumentos, com realce para a "Tina” (cabaça com água), djembe e congas. "Era para trazer mais instrumentos musicais da Guiné-Bissau, mas por ter saído do país muito rápido não consegui trazer todos”, justificou.

Durante os quinze minutos de actuação, ressaltou que o tempo não foi suficiente para tocar tudo o que preparou, mas deu para alegrar a plateia. Wilson da Silva partilhou com o Jornal de Angola que saiu da Guiné-Bissau no mesmo dia em que iria exibir a sua performance em Luanda, mas ainda assim disse ter conseguido interagir e conquistar a amizade de outros artistas que participaram da mostra.

A anfitriã Renata Torres abriu, na terça-feira, as performances com a exibição de "Di Banzelo”, e na quinta-feira subiu ao palco a também actriz angolana Khristall África, que fechou o dia com a apresentação da peça "O Câncer”, um monólogo de auto-iniciativa. Ontem, às 18h00, aconteceu uma conversa sobre as dinâmicas no campo artístico com estudantes e fazedores de artes.

O Procultura é uma actividade internacional, com cerca de 50 criadores que participam no programa de mobilidade de artistas dos PALOP e Timor-Leste, no âmbito do Procultura, uma acção financiada pela União Europeia.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura