Cultura

Arte contemporânea em diálogo com o escritor José Saramago

A arte contemporânea vai entrar em diálogo com o pensamento do escritor José Saramago (1922-2010), a partir de amanhã, numa exposição de 34 artistas, no Museu do Chiado, em Lisboa, integrada nas comemorações do centenário do nascimento.

21/09/2022  Última atualização 06H45
Museu do Chiado, em Lisboa, acolhe uma exposição de 34 artistas, pelas comemorações do centenário de José Saramago © Fotografia por: Dr

Através de 40 obras produzidas entre 1895 e 2016, a exposição "Porquê? A arte contemporânea em diálogo com o pensamento de José Saramago” faz uma conexão com os textos do Nobel da Literatura, falecido em 2010.

Com curadoria de Ana Matos, as obras reunidas são provenientes do acervo do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC), e da Colecção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), segundo a nova temporada de exposições enviada à agência Lusa. A conexão proposta entre as obras e os textos do escritor é inspirada na frase "toda a literatura é um palimpsesto”, referida por Saramago numa entrevista dada por ocasião de uma viagem à América Latina, explica o museu.

O termo palimpsesto, significando "raspar para escrever de novo”, é evocado "como o território em que a arte acontece, como sucessão de camadas de memórias, referências, com tempo e espaço próprios que congregam em si a existência presente, passada e futura”.

A selecção das 40 obras partiu da identificação de um conjunto de "temas recorrentes e fundamentais no pensamento de José Saramago, tendo sido criado, desde o início, um diálogo activo e constante entre obras/artista e o universo” do escritor.

Nesse sentido, o espaço expositivo é organizado em quatro grupos que abordam o mesmo número de temas: "Direitos humanos”, "Alteridade e identidade”, "Sustentabilidade” e "Memória e palavra”.

Representando diferentes gerações e oferecendo expressões e sensibilidades artísticas distintas, a exposição apresenta obras de Alberto Carneiro, Álvaro Lapa, Ana Jotta, Ana Vieira, André Cepeda, António Olaio, António Pedro, António Sena, Bartolomeu Cid dos Santos, Carlos Nogueira, Fernando Brito e Fernando Calhau.

Também estão representados Fernando Lemos, Filipa César, Helena Almeida, João Tabarra, João Vieira, Jorge Molder, Jorge Vieira, José de Brito, José Pedro Croft, Júlia Ventura, Julião Sarmento, Júlio Pomar, Júlio Resende, Lourdes Castro, Luísa Cunha, Nikias Skapinakis, Paula Rego, Paulo Nozolino, Pedro Gomes, Querubim Lapa, Salette Tavares e Vasco Araújo.

A exposição irá ficar patente até 8 de Janeiro de 2023, segundo o Museu do Chiado, que tem ainda previstas outras exposições até Janeiro do próximo ano. A partir de 1 de Outubro, será a vez da exposição "Multiplicidade” inaugurar na Galeria Millennium BCP do museu, no âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que poderá ser vista até 5 de Dezembro, e que aborda a urgência climática.

Segue-se "Echos of Natures”, da artista visual Manuela Marques - distinguida em 2011 com o Prémio BESphoto -, na sala polivalente do espaço museológico, piso 1 e na Sala das Furnas, entre 7 de Outubro e 29 de Janeiro de 2023, que apresenta pela primeira vez, em Portugal, um panorama dos seus trabalhos fotográficos e videográficos, realizados entre 2018 e 2022, como parte integrante de um tríptico expositivo que incluiu apresentações anteriores, em França.

A mostra, com curadoria de Emília Tavares, "pauta-se pela observação e pensamento sobre a paisagem e o meio natural nas suas mais variadas facetas, colocando em diálogo discursos científicos, percepcionais e estéticos”, indica o texto sobre estes trabalhos de Manuela Marques, muitos deles realizados no vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial, Açores.

Nascida em Tondela, distrito de Viseu, em 1959, Manuela Marques vive e trabalha em Paris, e a sua primeira mostra em Portugal ocorreu nos Encontros da Imagem de Braga, em 2002.

Desde o início da década de 1990, Manuela Marques tem exposto com regularidade em instituições francesas como o Centro Nacional de Fotografia, o Centro Fotográfico da Île-de-France, o Museu Malraux, o Domaine de Chamarande, a Colecção Lambert e a Galeria Agnès B.

Em Portugal, participou em exposições colectivas na Galeria da Fundação EDP, no Porto, com curadoria de João Pinharanda.

Em 2013, participou da PhotoEspaña, no Real Jardin Botanico de Madrid, e, no Brasil, Manuela Marques expôs em São Paulo, na Galeria Vermelho, no Museu da Imagem e do Som, em Brasília, no Espaço Cultural Contemporâneo, no Museu de Arte Pinacoteca e no Moderna e, em Niterói, no Museu de Arte Contemporânea.

A artista está representada, em Portugal, entre outras, nas colecções Berardo, Calouste Gulbenkian, Fundação EDP, Cidade de Lisboa e Novo Banco, em Lisboa, e na Colecção do Museu da Imagem de Braga.

O Museu do Chiado será palco ainda, a partir de 6 de Outubro e até 8 de Janeiro de 2023, de uma exposição de Harri Palviranta, no quadro do Imago Lisbon Foto Festival, que este ano gravita em torno do conceito de "Distúrbios”.

O artista irá apresentar "Battered” (2006-2007), "News Portraits” (2010-2014) e "Choreography of violence” (2015-2020), no Museu do Chiado.

Exposição e filmes marcam centenário em Macau

Uma exposição de livros de José Saramago, mesas-redondas sobre a vida e a herança do escritor português e a exibição de filmes vão assinalar em Macau o centenário do nascimento do Prémio Nobel da Literatura.

A exposição biobibliográfica "Voltar aos passos que foram dados 1922-2022” vai ser inaugurada no Instituto Português do Oriente (IPOR) a 29 deste mês, disse, ontem, o IPOR, num comunicado.

À inauguração segue-se, no Auditório Stanley Ho do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, uma mesa-redonda, sobre a vida e obra de Saramago, com a presença de Carlos Reis, professor de literatura portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e comissário das comemorações do centenário do Prémio Nobel de Literatura José Saramago.

Também no Auditório Stanley Ho serão exibidos três filmes - o documentário "José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes, sobre o escritor e a mulher, a jornalista espanhola Pilar del Rio, e os filmes "Embargo”, de António Ferreira, e "O Ano da Morte de Ricardo Reis”, do João Botelho, baseados em obras de Saramago - nos dias 30 deste mês, 7 e 14 de Outubro, respectivamente, com entradas livres.

A 17 de Outubro, a exposição biobibliográfica do escritor passa para a Sala Kent Wong, na Universidade de São José (USJ).

O mesmo local recebe no mesmo dia a exibição de três episódios da série documental "Herdeiros de Saramago”, dedicada aos vencedores do Prémio Literário José Saramago, criado um ano após a atribuição do Nobel da Literatura ao escritor português, para autores com menos de 40 anos.

A USJ vai exibir os outros filmes sobre Saramago entre 18 e 21 de Outubro e receber ainda, a 26 de Outubro, uma mesa-redonda sobre o tema "Herdeiros de Saramago”.

Entre 3 e 16 de Novembro, a exposição "Voltar aos passos que foram dados 1922-2022” passa para a Escola Portuguesa de Macau (EPM), que irá organizar também oficinas de leitura e exibição de filmes para os alunos.

A 16 de Novembro, dia em que se assinala o centenário do nascimento do escritor português, a EPM vai atribuir, pela primeira vez, o Prémio José Saramago, criado em Maio para distinguir contos inéditos dos alunos da instituição.

As actividades são organizadas pelo Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, com o apoio da Fundação José Saramago e do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.

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