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Armas inteligentes podem chegar ao mercado dos EUA

Armas inteligentes e personalizadas, que só disparam se o gatilho for apertado por usuários cadastrados, podem ser o próximo passo na evolução da indústria de armamentos nos EUA. Duas empresas americanas deram os primeiros passos para apresentar e regulamentar esse tipo de equipamento nos últimos dias.

15/01/2022  Última atualização 07H30
Armas inteligentes podem ajudar a prevenir suicídios © Fotografia por: DR
Há uma semana, a LodeStar Works fez uma demonstração à imprensa e a investidores de uma pistola de 9 mm inteligente na cidade de Boise, em Idaho. Paralelamente, outra empresa, a SmartGunz, informou que forças de segurança estão a testar o seu produto, um modelo similar com menos funções. As duas esperam colocar as pistolas no mercado ainda este ano.

Um dos fundadores da LodeStar, Gareth Glaser, contou, numa entrevista que se inspirou para desenvolver o produto, após ouvir histórias sobre crianças baleadas quando brincavam com armas. A ideia é que a tecnologia impeça as pistolas de disparar se não forem usadas por pessoas previamente cadastradas.

Se a implementação for bem-sucedida, isso poderá ajudar a prevenir suicídios, reduzir o roubo de armas particulares, que seriam inúteis sem a liberação dos donos, e aumentar a segurança dos polícias e agentes carcerários que tiverem as suas pistolas tomadas por suspeitos. A LodeStar pretende lançar a arma inteligente por 895 dólares.

A Glaser afirmou que o próximo desafio será ampliar a capacidade da empresa para fabricação em escala, mas mostrou confiança no protótipo demonstrado, de terceira geração. "Finalmente chegamos ao ponto de apresentar ao público”, disse.
 
Tecnologias para prevenção

A maior parte dos primeiros protótipos de armas inteligentes usava impressões digitais ou autenticação por radiofrequência, que faz com que a arma dispare apenas quando um chip instalado nela se comunique com outro instalado num anel ou pulseira usado pelo proprietário.

No caso da LodeStar, a pistola usa tanto um leitor de digitais quanto um chip de comunicação por proximidade activado por um app de celular, além de um teclado numérico para inserir uma senha. A arma pode ser autorizada para mais de um usuário.

A ideia é que o equipamento seja destravado pelo leitor de digital, com o teclado numérico colocado como alternativa caso a leitura da impressão seja impedida por água ou outro factor. Na demonstração, a empresa não usou o sensor de proximidade, mas disse que seria a terceira opção, por exigir que os usuários accionem o app no celular.

A SmartGunz não revelou quais agências de segurança que estão a testar as suas armas, que são liberadas por identificação de radiofrequência para disparar.

 A empresa pretende vender o seu modelo de pistola 9 mm por 1.795 dólares a Polícia e outros agentes, e por 2.195 dólares  a consumidores comuns.

Outras tentativas de criar armamento inteligente foram repelidas por associações que defendem a liberdade de uso de armas nos EUA. Em 1999, a Smith & Wesson, uma das principais fabricantes de armamentos do país, comprometeu-se a desenvolver esse tipo de equipamento, mas sofreu um boicote e desistiu dos planos.

Em 2014, a empresa alemã Armatix chegou a colocar no mercado uma pistola inteligente de calibre 22, mas foi retirada das lojas depois de os hackers terem descoberto uma maneira de interferir remotamente nos sinais de rádio das armas e, usando ímãs, disparar

quando deveriam estar travadas.


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