Economia

Área de cultivo de café em expansão no Andulo

José Chaves/Andulo

A produção de café que, no ano passado, atingiu 60 toneladas, no Andulo, pode beneficiar da do alargamento da área de plantação em curso naquele município, que, de 40 hectares, há seis anos, subiu para quatro mil, segundo o chefe da Repartição Municipal da Agricultura e Pescas.

02/10/2022  Última atualização 07H50
© Fotografia por: Edições Novembro
Florindo Martins disse ao Jornal de Angola que, no Andulo, as variáveis do Programa de Relançamento da Produção de Café tornaram-se mais elevadas na medida em que é implementado o programa iniciado com dez cafeiculores e uma área de 40 hectares plantada com 50 mil mudas.

De acordo com o chefe do sector da Agricultura do Andulo, outros 20 mil cafeeiros estão projectados para as povoações para seis novas povoações, nomeadamente, Lucucu, Canduvene, Epandi, Chicala-Galileia, Chicumbi e aldeia Taca.

O  chefe de Repartição lembrou que o Governo traçou um plano estratégico para o aumento da produção e a revitalização da indústria do café, com vista a torná-la mais atractiva e rentável.

Para o efeito, está em execução, no Andulo, um programa que inclui a multiplicação e o fornecimento de mudas, bem como a distribuição aos produtores e o apoio às cooperativas no processo de comercialização.

O sector cafeícola no município do Andulo conhece uma nova fase no seu relançamento, fruto de um programa direccionado para o fomento da produção do grão em Angola. "Estamos animados com a aprovação do Programa de Relançamento da Produção de Café, que pensamos ser o vector para alargarmos a produção e atingir melhores resultados”, disse o responsável.

 

Produção triplica

Florindo Martins considerou baixos os níveis de produção de 2021, algo que atribuiu à escassez de chuvas, mas afirmou que, no presente ano, caso houver financiamentos, a produção vai triplicar.

O Governo da Provincial do Bié garante o relançamento da produção de café com programas que consistem na melhoria das orientações metodológicas de produção, da assistência técnica e formação do pessoal.

As autoridades do município do Andulo dedicam-se como mais insistência à assistência técnica e formação de pessoal, informou o responsável.

A região já foi considerada como uma das principais produtoras do país, antes da Independência Nacional. O relançamento da produção inclui prioridades como a criação de condições para os produtores fazerem valer o seu papel e conseguirem levar o grão aos consumidores.

Desde 2016 que o governo local tem distribuído mudas de café aos produtores dessa zona do território nacional, com o objectivo de relançar a produção visando a diversificação da economia.

Mas Florindo Martins declara que deve ser acrescido apoio financeiro à assistência já prestada, com o que o optimismo pode ser redobrado. "Já há muito  advogamos que a produção do café necessita de financiamento”, disse, notando que "o cultivo de café contribui para o equilíbrio ambiental, pelo facto de, para além da planta do cafeeiro, serem necessárias outras plantas para o amparo do café dos raios solares, o que representa um pulmão para o ecossistema”.

Nesse domínio, prosseguiu, a aposta na produção de café é a estratégia do município, no âmbito do processo da diversificação da economia, mas, a região também produz em grande escala milho, mandioca, feijão, amendoim e hortícolas.

As famílias camponesas do Andulo estão empenhadas, além do café, da preparação de significativas plantações banana, ananás e de outras plantas frutíferas, como forma de reforçar a dieta alimentar e reduzir os custos de produção do grão.

O café arábica é cultivado nas comunas de Calussinga e Chivaulo (Andulo). Antes da Independência Nacional, os cafeicultores daqueles municípios colhiam cinco mil toneladas por ano.

Os cafeicultores continuam a precisar de instrumentos de produção, reforço dos canais de escoamento e crédito bancário.

O sector do café, além de criar milhares de postos de trabalho, já foi no passado a principal fonte de receitas de Angola, que chegou a ser,  em 1973, o terceiro maior produtor mundial.

O município do Andulo está 130 quilómetros a norte da cidade do Cuito, capital do Bié, possui uma população estimada em 234.791 habitantes, segundo dados do censo realizado em 2014, e tem uma densidade demográfica de 39 habitantes por quilómetro quadrado.

 

Cafeicultores consideram relançamento da produção um ganho

O agricultor do município do Andulo Fonseca Satula considerou em declarações  à nossa reportagem que a produção de café pode representar um ganho para o município, por ser uma matéria-prima de elevada procura no mercado nacional e no internacional.

Fonseca Satula menifestou-se, contudo, preocupado com as inconstâncias do clima que afectam vários pontos do país, defendendo a criação de alternativas que contraponham os efeitos nefastos das secas. "Acabou a época de se praticar a agricultura com dependência directa das chuvas”.

Segundo o agricultor, existem outras culturas, além do café, como tubérculos e frutas  que agora devem ser a aposta dos produtores para obterem "uma forma de compensar as perdas devido à seca e evitar que as famílias camponesas fiquem à mercê dos apoios de emergência do Executivo ou de organizações filantrópicas”.

Fonseca Satula proprietário de uma fazenda de 16 hectares vocacionada para a produção e comercialização do café, disse à nossa reportagem que vai alargar as áreas de cultivo.

"Já há muito esperávamos por este momento. A nossa empresa já tem um programa definido de relançamento e ampliação de áreas para atingirmos níveis elevados”, indicou. Fonseca Satula afirmou que espera plantar mais de 12 mil mudas de café e sublinhou  que, este ano, colheu nove toneladas, comercializadas em Luanda.

O agricultor Moisés Londaca, residente na povoação da Taca, que também apostou no cultivo do café, afirmou que, até ao ano passado, a venda do produto era apenas feita na sede municipal do Andulo.

Moises Londaca manifestou-se inconformado com os estragos provocados pelas secas no cultivo do milho, apelando às autoridades a "apostarem fortemente no aproveitamento dos vários rios que cruzam o município do Andulo, o Bié e o país, com a implantação de barragens de retenção e a abertura de canais de irrigação”.

Antonio Silevondela, pequeno produtor de café da aldeia Taca, manifestou  interesse em alargar  as áreas cultiváveis para a elevação dos níveis de produção.

Dada a importância do café no desenvolvimento do país e na obtenção de receitas para a diversificação da economia, o Executivo angolano traçou um plano estratégico para o aumento da produção de café e a revitalização da indústria cafeícola, com vista a torná-la atractiva e rentável, além de que têm a declarada ambição de tornar o produtos numa importante fonte de receitas

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