Economia

Aquicultura pode cobrir défice no mercado

O director Nacional das Pescas, António Barradas, defende maior aposta na aquicultura, porque o país dispõe de um grande potencial em recursos hídricos para o desenvolvimento deste segmento, principalmente na vertente continental.

20/07/2020  Última atualização 23H45
Edições Novembro © Fotografia por: A Vários centros de Larvicultura de Tilápia estão a ser implementados em todas as províncias e são uma mais-valia para o país

Segundo dados da Direcção Nacional das Pescas, em 2019 a produção aquícola atingiu 1.925 toneladas, cifra relativamente superior ao ano anterior, que detinha o pico mais alto da série temporal com uma produção de 1.753. A província do Uíge foi a que mais contribuiu, com cerca de 1.161 toneladas, e a Tilápia foi a espécie com maior incidência no cultivo.

Baixar o défice

Angola tem de apostar fortemente no sector da Aquicultura para cobrir o actual défice no mercado, fruto da redução das capturas de pescado. Em declarações ao Jornal de Angola, o director Nacional de Pescas (órgão afecto ao Ministério da Agricultura e Pescas), António Barradas, disse que a aquicultura é o factor chave, não só porque o país possui condições ambientais favoráveis, mas como também foi aplicado um grande investimento neste segmento.

Embora as capturas de pescado estarem dentro dos limites, cumprindo com as medidas de gestão, António Barradas esclarece que as principais causas da baixa cingem-se na elevada procura, além das mudanças climáticas, sendo que estes elementos fazem “com que o preço de pescado aumente”.

Procura elevada

António Barradas revelou que actualmente há muita procura de pescado, porque os hábitos alimentares mudaram, tendo como preferência no cardápio o peixe por ser mais saudável. “Anteriormente os consumidores procuravam pela carne, e hoje o pescado é o mais procurado por causa do equilíbrio alimentar”, disse.

Outro elemento que in-fluencia significativamente na subida dos preço do pescado é o combustível marítimo. Segundo António Barradas, o preço aumentou para o dobro, com o agravante do actual quadro do Estado de Calamidade Pública.  Para suprir algumas necessidades no mercado, as embarcações de arrasto marítimo e de cerco entraram em veda num período de três meses, nomeadamente Junho, Julho e Agosto.

Nestes três meses, disse, as embarcações não podem capturar o carapau, mas estão permitidos a pescar outras espécies marinhas, como a sardinela, macoa, cavala, entre outras. No caso da pesca demersal, com realce para espécies como o peixe linguado, garoupa, cachucho e corvina, a pesca tem período de veda de três meses, mas por causa do Estado de Calamidade Pública, os pescadores que estavam em alto mar nesta fase, continuam a desenvolver a sua actividade, para garantirem o produto no mercado.

Criação das espécies

Destacou que um óptimo crescimento da Tilápia, que representa mais de 95 por cento da produção aquícola no país, a faixa de conforto térmico ideal está entre os 24 e 32 graus centígrados. Fazem parte grupo de produtores de Tilápia o Centro de Larvicultura de Tilápia de Missombo, com capacidade para produzir 3,5 milhões de alevinos, 500 toneladas de tilápia e 2.850 de ração por ano.

O centro serve ainda para o processamento e transformação do produto final. O Centro de Larvicultura de Tilápia de Massangano com uma produção total de 961 mil toneladas e o dos Ramiros (Luanda), reprodutor de várias espécies como roncador, mariquita, tainha e camarão. 

Na estratégia do Governo, a Aquicultura, assenta no aumento da produção nacional de peixe, reduzindo a dependência das importações, o aumento do emprego e a melhoria da qualidade de vida das populações. Angola está a dar passos firmes para vir a ser um país modelo também na aquicultura. A aposta nacional em curso traduz-se já na existência de vários centros de aquicultura, privados e do Estado.

Programas estruturantes

Para o melhor desenvolvimento do pescado, o Executivo lançou vários programas, assegurados por vários decretos. Neste contexto destaca-se o Decreto Presidencial n.º 29/19, de 16 de Janeiro , que aprova o Plano de Ordenamento das Pescas e Aquicultura (POPA) 2018-2022, que visa promover o desenvolvimento equilibrado e susten tável do sector a nível nacional, contribuindo para a coesão e unidade nacional, a criação de emprego e a melhoria da qualidade de vida dos Angolanos, o combate à fome e à pobreza, a segurança alimentar e nutricional, assim como , para a inserção competitiva do País no contexto regional e internacional, através da regulamentação e coordenação da actividade pública e privada do sector.

Contribui directamente para alcançar os objectivos do Governo definidos na Estratégia Nacional de Desenvolvimento a Longo Prazo “Angola 2025” e no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022 (PDN). Actualmente, apontam dados, a aquicultura é responsável pela produção de mais de metade do peixe consumido pela população mundial.

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