Opinião

Aproveitemos o nosso potencial

Numa altura de dificuldades económicas e financeiras, a transformação do referido cenário em oportunidades deve ser a opção dos operadores do mercado, entre empresários e empreendedores. Está na hora de o país fazer das suas vantagens comparativas vectores relevantes do processo de diversificação da economia e de contorno da actual conjuntura de escassez de divisas.

31/10/2019  Última atualização 08H25

 Um exemplo dessa possibilidade foi dado a observar há dias com a realização do fórum sobre “Experiências, desafios e oportunidades das cadeias de valor da mandioca, milho, soja e frango” que decorreu, em Luanda, no âmbito da implementação do Programa de Apoio à Produção Nacional, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (Prodesi). O evento foi realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A auto-suficiência da mandioca, com uma produção anual de 14 milhões de toneladas, pode ser uma alternativa à redução do volume de importação de farinha de trigo, estimada em 400 milhões de dólares por ano. “O nosso país vive um momento de grande oportunidade para desenvolver a produção nacional, e estamos a ter uma experiência nova em que as importações tornam-se mais caras e a produção nacional mais barata”, disse Sérgio Santos, secretário de Estado da Economia e Planeamento, numa alusão às oportunidades que representam o actual contexto.
Contrariamente à ideia de nos concentrarmos na escassez de divisas como o eventual entrave a todos os passos que podem ser dados, na verdade, a experiência por que o país tem passado já outros países passaram, alguns ainda o vivem e, no entanto, foram capazes de encontrar alternativas com iniciativas internas para fazer face às importações. Grande parte das dificuldades por que passamos, independentemente da reconhecida falta que as divisas fazem, deve-se também ao exagerado facto de a economia nacional ser excessivamente dependente das importações.
O desequilíbrio entre as importações e as exportações, pendendo demasiadamente a favor daquele primeiro, ao lado de outros factores externos, acaba por “destapar” as inúmeras fragilidades da nossa economia. Não é sustentável para nenhuma economia, mesmo em contexto de “chuva de cambiais”, como sucedeu no passado recente, que o país dependa quase exclusivamente das importações, relegando a indústria nacional com todo o seu potencial para um papel meramente cosmético. E, para ser mais preciso, estamos a pagar a factura de procedimentos e estratégias que há muito deviam ser corrigidos a favor de um alinhamento que coloque a agricultura e a indústria no desempenho que todos esperamos daqueles dois factores de desenvolvimento.
Com o actual cenário, em que as importações são mais caras que a produção nacional, com custos de produção baixos em virtude da desvalorização da moeda, entre outras variáveis, não faz sentido que estejamos a subaproveitar esta realidade. Como ficou claro no fórum sobre “Experiências, desafios e oportunidades das cadeias de valor da mandioca, milho, soja e frango”, Angola pode ganhar muito com o processo de industrialização da mandioca, por exemplo, para reduzir de forma significativa o volume de importação de farinha de trigo.

 

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