Economia

Apostas altas e recursos parcos definem agricultura no Andulo

José Chaves/Andulo

Com colheitas medias situadas entre as 60 e 70 mil toneladas por ano, as autoridades do Bié multiplicam o apoio aos produtores do Andulo, onde projectam a obtenção de metas mais elevadas, o mesmo que acontece com a produção de ananás, de 30 mil toneladas no mesmo período de tempo.

18/09/2022  Última atualização 09H30
Autoridades do Bié querem associar aumento da produção com preços concertados para elevar rendimentos dos camponeses © Fotografia por: DR

O director municipal da Agricultura e Pescas do Andulo, Florindo Martins, afirmou que a aposta é consensual, mesmo nas condições actuais, em que, para escoar a produção, os camponeses locais recorrem, normalmente, ao mercado paralelo. "O município é produtor e nem sempre a produção é escoada”, lamentou.

 Florindo Martins declarou ao  Jornal de Angola, para explicar a aposta na banana, que o aumento da produção devolve esperança aos produtores, tendo em conta o peso do produto na dieta alimentar da população.

Além disso, o cultivo de banana não requer muita técnica, como acontece com outras culturas, sendo um alimento que, apesar de ser  perecível, tem procura  permanente no mercado, disse  Florindo Martins, que anunciou a criação de condições para estimular os pequenos produtores a apostarem na banana.

 Florindo Martins salientou que a produção mais corrente no Bié é feita por pequenos produtores. "Temos trabalhado e interagido com os camponeses para produzirem mais para o país: o objectivo consiste em não só reduzirmos as importações, mas também valorizarmos a nossa produção local”, afirmou.

O responsável do sector da Agricultura sublinhou que as condições climáticas e as variáveis como os factores de produção são de tal forma favoráveis, que a adesão já está a resultar no aumento da área de cultivo.

Segundo a fonte, outro factor que contribuiu no incremento da produção é a vontade de muitos produtores da região migrarem da agricultura tradicional para a comercial, o que viabiliza a colheita de toneladas de fruta, essencialmente, banana e citrinos (incluindo o abacaxi).

Florindo Martins sublinhou  que, todos os dias, vários camiões saem do Andulo carregados com banana e outros produtos cultivados pelas comunidades camponesas locais, como feijão, soja, milho, café arábica e hortaliças. O município tem, também,  uma produção abundante de milho, ginguba, ervilha, batata-doce e rena, mandioca, abóbora e inhame.

Conta com mais de 50 mil pequenos produtores, tendo registadas 480  associações de camponeses, 47 cooperativas e 172 Escolas de Campo. Mais de 45 mil famílias estão envolvidos na produção agrícola.

Em geral, prosseguiu, um pomar, além da importância doméstica para o consumo e lazer familiar, adquire finalidades comerciais, podendo ser a actividade principal ou complementar de pequenos produtores rurais.

O cultivo de fruteiras em pequenas propriedades, explicou, geralmente, ocupa até 10 hectares, mas o conceito pode variar em função da espécie de plantio.

 

Venda coordenada

A venda coordenada de frutas produzidas no município do Andulo constitui uma das prioridades das autoridades locais, que querem ajudar os produtores a obterem rendimentos mais altos, com base na oferta acordada entre todos .

"Nem sempre a produção e colheita da banana e ananás é controlada, por ser feita pelos camponeses e em locais não bem definidos. Os camponeses vendem a fruta, sobretudo a banana produzida no Andulo, nas  província do Moxico e Lunda-Sul devido à facilidade de transportação pelo Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB). A fruta é, ainda, enviada para Luanda, Huambo e Cuando-Cubango. Como administração, estamos a trabalhar para que a produção seja escoada de forma mais aceitável, para outras paragens”, afirmou.

A Administração Municipal do Andulo encara o programa institucional de aquisição de produtos do campo, como um contributo valioso para a produção nacional. "Estamos a criar condições e solicitamos às instâncias competentes a introdução deste programa no município”, disse.

A fruta do Andulo, principalmente a banana, é comercializada nas várias aldeias do município e à beira da estrada no troço entre o Andulo e o Cunhinga. Nas povoações de Etinda-Tchissococua e Cangalo, várias comerciantes procuram vender aos transeuntes, com revendedores a comprarem para obterem mais-valia  nos mercados dos centros urbanos.

 

Preços acessíveis

A banana e o abacaxi são produtos abundantes na região e, quando não aproveitados na devida altura, deterioram-se, o que traz prejuízos aos produtores. Contudo, durante a fase do pico, um cacho de banana custa menos de 1.500 kwanzas.

O valor é baixo, mas, para os produtores, "mais vale ganhar pouco, do que nada”, afirmou o produtor António Tchicuamanga, que aconselha as autoridades a fazerem mais, para que os empresários criem condições que lhes permitem transformar a fruta num na província do Bié, para evitar desperdícios.

Ainda assim, as famílias camponesas do Andulo apostam na expansão do cultivo da banana, porque olham para o fruto como um dos produtos que garantem  maior rendimento, além de ser dos mais procurados no mercado.


Más estradas desmotivam produtores

Camponeses do município do Andulo estão preocupados com a degradação das estradas secundárias e terciárias, que dificulta o escoamento dos produtos.  O camponês João Tchinhama afirmou que, todos os anos, as famílias têm tido prejuízos por dificuldades de escoamento do que produzem.

João Tchinhama disse que a situação é pior para os camponeses da povoação de Ndulo Epalanga, onde a estrada que liga a localidade à vila do município fica totalmente intransitável na época chuvosa.

A preocupação é partilhada pelo produtor Pedro Venâncio, que disse que as poucas viaturas que circulam nas estradas degradadas cobram preços muito elevados para transportar as mercadorias, apesar da demora com que o fazem.

O camponês Timóteo Filipe, que este ano viu parte da sua produção estragar-se nas lavras por não conseguir transportar, disse que muitas famílias que antes produziam em grande escala estão a abrandar o ritmo devido aos prejuízos resultantes da s dificuldades   de escoamento.

O Andulo, em conformidade com os resultados do Censo Geral da População e Habitação, realizado em 2014, tem uma população estimada em 258.161 habitantes que se dedicam essencialmente à agricultura.


Programa incentiva ao cultivo de batata

Um programa que visa incentivar os produtores a aumentarem a produção está em curso no município do Andulo, com a batata-rena a obter uma atenção especial do Governo Provincial, disse a administradora municipal do Andulo, Celeste Adolfo.

A acção conduzida pelas autoridades está a encaminhar-se enquanto um contributo válido para o programa de combate à fome e à pobreza, estando-se, igualmente, a incentivar a população para o cultivo de mandioca e de batata-doce.

O cultivo de mandioca está a ser feito nas quatro comunas que compõem a municipalidade, nomeadamente, a sede, Chivaulo, Cassumbe e  Calussinga, através da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) local.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia