Opinião

Apostar na agricultura para reduzir os preços

Editorial

O slogan “a agricultura é a base e a indústria o factor decisivo para o desenvolvimento do país”, lançado nos primeiros anos da Independência, por Agostinho Neto, continua actual. Em qualquer parte do mundo, o sector agrícola figura entre os principais motores de desenvolvimento económico e gerador de muitos empregos.

12/06/2021  Última atualização 05H35
Angola, que já foi um dos maiores celeiros do continente, dispõe de uma imensidão de terras aráveis, o que, devidamente exploradas, podem abastecer toda a Europa. Dos 35  milhões de hectares de terras aráveis disponíveis, menos de 20 por cento são exploradas. A diversificação da economia, um dos principais desafios do Executivo, passa por um investimento sério neste domínio, particularmente numa altura em que o futuro do petróleo parece estar comprometido, já que o mundo está cada vez mais virado para a geração de energia renovável, na perspectiva de melhorar as emissões de gases e a eficiência energética.  

A visita do Presidente da República à província do Bengo é um incentivo aos agricultores da região. João Lourenço teve a oportunidade de visitar  fazendas agrícolas e pôde constatar avanços neste domínio. As potencialidades agrícolas do Bengo são conhecidas. No passado, foi um dos expoentes máximos na produção da cana de açucar e hoje é o maior produtor da banana, como referiu a governadora Mara Quiosa, ultrapassando a província de Benguela. A governadora anunciou que já há exportação de alguma produção, mas, mais do que isso, é preciso garantir a qualidade para enfrentar a competitividade. E isso requer o aumento da produtividade da terra e um conjunto de avanços tecnológicos, incluindo sementes, fertilizantes e maquinarias.  

A dinamização das escolas agrícolas com meios capazes de dotar os estudantes de conhecimentos técnicos e científicos para dar resposta aos desafios dos tempos modernos é um imperativo.  Só assim podemos caminhar para a auto-suficiência alimentar, diversificação da economia e redução das importações.  É urgente, também, apostar na indústria transformadora e melhorar as vias de acesso ao campo, para o escoamento da produção e, consequente redução dos preços.  

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