Cultura

Aposta no empoderamento dos artistas

Analtino Santos

Jornalista

Marcos Agostinho, director da American Schools Of Angola (ASA) juntou 27 jovens para uma residência de artistas, o Resiliart Angola. Juntos no Condomínio Rosalinda desde 13 de Setembro, inicialmente a intenção era apresentar o material produzido na II Bienal de Angola - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz.

03/10/2021  Última atualização 07H30
© Fotografia por: DR
O repórter do Jornal de Angola passou pela residência e apreciou o processo criativo dos artistas, tendo obtido esclarecimentos do mentor do projecto, Marcos Agostinho, que conta com a parceria da Unesco. "Tudo começou depois de uma conversa com o meu amigo Vincenzo, quando a organização que dirige lançou o Resiliart”, afirmou o anfitrião.

Nos ateliês adaptados os artistas estão a produzir as obras e a partilhar experiências. "Estou encantado com as obras, apesar de não ser especialista em artes visuais. Agora pretendo conhecer a história destes jovens artistas, que são verdadeiros resilientes. Gostaria que a nossa relação não ficasse por aqui, eles têm potencial”.

Atendendo a alteração do início da II  Bienal para finais de Novembro, o Resiliart-Angola foi também reformulado, as peças produzidas serão apresentadas nos próximos dias numa exposição colectiva e uma nova fase avança com um workshop com a artista Ana Silva, angolana, que tem o seu trabalho focado no aproveitamento de resíduos  e nas questões ambientais.

Falando com emoção desta empreitada, ela contextualizou: "todos nós sabemos que a pandemia trouxe dias difíceis para todos nós e os artistas foram dos mais sacrificados, por isso nós este ano, quando pensamos em apoiar o Dia Internacional do Jazz, entrámos em contacto com o movimento Resiliart, mas pensamos dar uma cara angolana, porque via um discurso mais teórico. Com a música conheci jovens talentosos como a cantora Esperança Mirakiza e o Mário Gomes... outros fui conhecendo e vi que era possível praticar convidando estes artistas para concertos e para partilharem experiências. Foi nesta fase que, de modo experimental, apostei também nas artes plásticas”.

Segundo a nossa fonte, a escolha dos 27 artistas para a residência artística foi feita por uma equipa coordenada pelo professor e artista plástico Rómulo, auxiliado por Adriano Cangombe e Don Sebas. "Os seleccionados são provenientes de várias zonas e com percursos e histórias de vida diferentes, o que torna interessante o intercâmbio. Isto torna o projecto mais rico, tem sido muito interessante como eles têm trocado técnicas e dicas. Acredito que depois desta experiência a relação entre eles sairá mais forte”.

A Residência tem sido completamente assegurada pela American School of Angola (ASA), estando cobertos todos os materiais necessários à produção e pesquisa, espaço em atelier, alimentação, transporte, bem como as formações, workshops, visitas temáticas, supervisão e acompanhamento pela equipa de mentores, equipa de produção executiva e de coordenação artística e educativa do Resiliart Angola. São várias actividades paralelas que acontecem. Os jovens assistiram ao concerto da Pérola, receberam a visita do ministro da Cultura Jomo Fortunato e participaram numa edição do programa radiofónico Conversa à Sombra da Mulemba.

Empoderar os jovens
A principal preocupação do Resiliart-Angola é empoderar os jovens da residência artística, e não só, com o produto do seu processo criativo. "Estamos numa fase embrionária e com possíveis apoios e parcerias”, disse Marcos Agostinho. O nosso interlocutor defende que as obras de arte podem contribuir não apenas no aumento do rendimento dos artistas mas também para criar oportunidades e mitigar os efeitos económicos e socioculturais causados pela Covid-19.

Por dentro do Resiliart
Resiliart é um movimento global criado pela Unesco no início da actual crise sanitária. Em Angola, a American Schools of Angola, a Unesco e o Governo de Angola uniram-se e lançaram o projecto #ResiliART Angola, que foi apresentado durante as celebrações do Dia Internacional do Jazz.
O programa pretende dar apoio aos jovens artistas entre os 18 e 35 anos nas categorias de artes visuais, música, teatro, dança, moda, design e outras áreas da cultura e artes. Também pretende lançar um apelo ao sector privado para a criação de um fundo.

O Resiliart Global visa mobilizar um esforço global  para apoiar artistas  e garantir acesso à cultura para todos. Foi lançado no dia 11 de Abril de 2020 e o debate global inaugural aconteceu no dia 15 de Abril, Dia Mundial da Arte, com a participação do Director-Geral da Unesco, artistas, instituições culturais e governamentais.

A crise gerada pela Covid-19 teve um forte impacto na crise económica global, com uma forte recessão  que não poupou o sector da Cultura. Foram fechados mais de 80 por cento do Património Mundial, cancelados concertos e outras actividades culturais. 

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura