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Apoiantes do ex-presidente Kaboré exigem a sua libertação

Centenas de apoiantes do ex-presidente do Burkina Faso Roch Marc Christian Kaboré, derrubado por um golpe de Estado em Janeiro, reuniram-se este sábado em Ouagadougou para exigir a sua "libertação total e incondicional", denunciando que foi feito refém.

28/05/2022  Última atualização 19H15
Apoiantes do ex-presidente do Burkina Faso © Fotografia por: DR

Detido numa zona do bairro de Ouagadougougou, em Ouaga 2000, após o golpe de Estado de 24 de Janeiro, Kaboré foi autorizado a regressar à sua casa na capital, no início de Abril, mas os seus apoiantes dizem que não está livre.

"Um cidadão de Burkinabè, além disso um antigo chefe de Estado, está detido na sua casa, que foi requisitada e transformada numa prisão", disse Désiré Guinko, porta-voz de uma coordenação das organizações pró-Kaboré, que organizaram o protesto.

Désiré Guinko denunciou que o ex-presidente foi feito refém e avisou que, "se ele não for libertado incondicionalmente", num futuro próximo, "a luta pacífica estender-se-á a todas as 45 províncias do país".

A coordenação tinha inicialmente planeado uma manifestação nas ruas de Ouagadougou, perto da casa de Kaboré, a qual foi banida pelas autoridades.

Tiveram de optar por um comício num salão de conferências na capital, que não podia albergar toda a gente, com muitas pessoas a serem forçadas a ficar do lado de fora.

Lia-se numa faixa: "Detenção arbitrária do presidente Roch Marc Christian Kaboré, a situação dos reféns durou demasiado tempo".

Guinko recordou que os militares tinham tomado o poder alegando "querer trazer de volta a paz e a segurança, mas todos sabem que o resultado é negativo, em quatro meses de gestão do poder, em termos de segurança é um desastre".

"Num tal contexto, devemos trabalhar pela unidade nacional, não podemos trabalhar pela divisão, desvio, intimidação e detenções", acrescentou.

Acusado de não conseguir conter a violência jihadista que assola o Burkina Faso desde 2015, Roch Marc Christian Kaboré foi derrubado por uma junta militar liderada pelo tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba, actual presidente de transição.

Após uma breve pausa depois da sua tomada do poder, Damiba tem enfrentado um recrudescimento dos ataques de suspeitos jihadistas, desde meados de Março, que já causaram mais de 200 civis e soldados mortos.

A libertação de Kaboré tem sido repetidamente solicitada pela Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a ONU e a União Africana (UA).

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