Economia

ANIESA suspende actividade da fábrica de sumos “Cana Joy”

Ana Paulo

Jornalista

A Autoridade Nacional de Inspecção Económica e Segurança Alimentar (ANIESA) procedeu, ontem, em Luanda, à suspensão temporária das actividades da fábrica de sumos “Canaansouth” da marca “Cana Joy”.

26/09/2022  Última atualização 06H00
© Fotografia por: Agostinho Narciso i Edições Novembro

A acção surge na sequência de uma visita realizada de forma surpresa por uma comissão multissectorial composta pelos inspectores da ANIESA, da Inspecção Geral do Trabalho (IGT) e do Instituto Nacional de Controlo da Qualidade (INCOQ).

No local, as equipas constataram a má arrumação e acondicionamento de vários produtos, falta de segregação dos resíduos sólidos, presença de animais, como ratos e gatos sobre os produtos, entre outras irregularidades.

Há dois anos no mercado nacional, a empresa "Canaansouth” produz sumos de marca "Cana Joy", com vários sabores de frutas, desde manga, laranja, maçã, goiaba, tutti frutti, além de outros produtos como água purificada de marca "Aura".

Quanto à capacidade, a empresa produz diariamente 45 paletas, equivalentes a 144 embalagens  de sumos de um litro e 192 embalagens de 300 mililitros.

No que diz respeito ao armazenamento dos produtos, os armazéns suportam uma capacidade de 240 toneladas.

Em declaração à imprensa à margem da visita inspectiva, o chefe de Departamento da Segurança Alimentar da ANIESA, Epifânio Joaquim, realçou como um dos principais aspectos que culminou com o encerramento temporário das actividades a suspeita da não conformidade dos produtos, que para melhor averiguação o INCOQ fará análises laboratoriais nos produtos.

"As condições constatadas colocam em causa a saúde pública, daí que, com esta acção pretendemos que os operadores económicos melhorem a produção em todos os aspectos", reforçou.

Epifânio Joaquim destacou que a ANIESA deu um prazo de 24 horas à direcção da empresa a fim de melhorar todas as acções verificadas e se dentro do período estabelecido não cumprir com as melhorias impostas serão dadas outras decisões, que culminarão em multa.

A equipa de inspectores visitou ainda as empresas de sumos e bebidas Aroma Verde e  Future Group. Diferente da Canaansouth,  constatou-se a falta de iluminação natural e artificial, falta de ventilação, falta de bacia de retenção na área de geradores, falta de licença ambiental de operação, falta de certificado de habitabilidade da fábrica, ausência de facturas de aquisição e processo de importação de matérias-primas, entre outras.

Ambas empresas foram notificadas a comparecerem nas instalações da ANIESA nos dias 29 e 30 deste mês para apresentarem a documentação necessária.

O chefe de Departamento e Monitoramento  e Supervisão da Qualidade do Instituto Nacional de Controlo da Qualidade (INCOQ), Manuel Albernaz, realçou, em função daquilo que são as normas vigentes para a fabricação de produtos alimentares no país, que as instalações visitadas não estão de acordo com as normas exigidas,  sobretudo, no que diz respeito à saúde dos consumidores, podendo causar resultados adversos. No que toca à conformidade dos produtos, Manuel Albernaz disse que o INCOQ  submeterá os produtos  análises laboratoriais  para constatar a fiabilidade dos mesmos, bem como para definir se o produto pode ou não ser consumido pelos cidadãos.

"As análises laboratoriais têm uma duração de três a 15 dias, dependendo da especificidade  ou natureza de cada produto", frisou.

Realçou também que caso seja detectado que o produto está em conformidade será novamente produzido e consumido no mercado.

No terreno, foram também constatadas as condições de trabalho dos trabalhadores, mais um caso que a empresa "Cana Joy" não cumpre com as regras conforme manda a Lei Geral do Trabalho.

O representante da Inspecção Geral do Trabalho, Augusto Lino, disse que constataram várias transgressões, com maior destaque para a questão de higiene, segurança e saúde no trabalho; falta de seguro contra acidentes de trabalho e a ausência de presença de contratos de trabalho.

As questões de subsídios de férias, de Natal, carga horária excessiva de trabalho (12 horas), que para os trabalhadores o ordenado não compensa, foram também uma das infracções registadas pelos inspectores. Foi dada à empresa a resolução dos casos até 30 deste mês e, caso não cumpra as orientações, serão tomadas outras medidas severas em defesa dos trabalhadores.

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