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Angolanos ocupam quarto lugar entre os estudantes estrangeiros

Ao todo, são 69.965 os estudantes estrangeiros que frequentam o Ensino Superior em Portugal.

27/11/2022  Última atualização 06H50
© Fotografia por: DR

Os alunos oriundos do Brasil ocupam o primeiro lugar da lista, seguidos pelos da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Espanha. França, Itália, Alemanha, Moçambique e China estão também entre os países que mais "enviam” jovens para as universidades do nosso país, de acordo com o Diário de Notícias (DN).

Filomena Soares, vice-reitora da Universidade do Minho (UM), explica ao DN que os números revelam "uma subida de mais de 10 mil estudantes relativamente ao ano passado (período em que a pandemia teve reflexos significativos)”.

"Olhando para o período pré-pandemia, onde o número total era de 65.196 estudantes, podemos afirmar que voltou a verificar-se uma subida considerável. Esta é uma tendência que se tem verificado na última década. No que diz respeito às nacionalidades, continuamos a verificar uma subida acentuada dos estudantes originários dos PALOP, ainda que seja o Brasil que mais estudantes ‘envia’ para o nosso país”, avança. Há 10 anos (ano lectivo de 2012-2013), havia pouco mais de 31 mil estudantes estrangeiros a frequentar o Ensino Superior em Portugal. Um número que foi aumentando ano após ano, com excepção de 2020-2021, reflexo da pandemia de Covid-19.

Estes dados foram apresentados na conferência "Será o nosso Ensino Superior inclusivo?”, que decorreu na UM, em Braga, numa iniciativa conjunta de promoção internacional das 16 instituições de ensino superior membros do CRUP (Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas). Filomena Soares avança que o objectivo do encontro foi "perceber qual o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelas universidades no que diz respeito ao processo de inclusão dos estudantes estrangeiros que escolhem fazer a sua formação superior em Portugal”.

"Para apoiarmos a inclusão destes alunos nas universidades portuguesas, elaborámos um programa onde colocamos as universidades a falar entre si. Temos consciência de que, como em qualquer processo evolutivo, há sempre espaço para melhoria e esta lógica faz ainda mais sentido no seio das universidades, que se assumem, por excelência, como espaços de mudança e implementação de práticas inovadoras”, sublinha.

Na conferência foi também apresentado o estudo "O Impacto Económico e Sociocultural dos Estudantes Internacionais em Portugal”, que reflecte as percepções de alguns estudantes internacionais em Portugal em relação ao seu sentimento de pertença ao país.

O estudo conclui que "os estudantes, em geral, não têm os contactos que desejariam com a cultura e com os habitantes portugueses” e "identifica que a maior parte dos seus amigos em Portugal são outros estudantes internacionais”, revelando, assim, a existência de "uma barreira entre os estudantes locais e os internacionais”.

Os estudantes inquiridos sentem "a necessidade de fomentar mais ligações afectivas com os locais, para melhorarem a sua experiência”. Foram apontadas ainda outras dificuldades na partilha de culturas entre estes estudantes e os habitantes portugueses. Contudo, quando questionados se recomendariam a pessoas do seu país fazerem um programa de mobilidade em Portugal, a resposta foi positiva.


Escolas de Medicina acolhem estudantes refugiados

Portugal tem também sido destino de muitos alunos refugiados. O acolhimento destes estudantes, explica a vice-reitora da Universidade do Minho, tem por base "indicações gerais da tutela”, mas "cada universidade, de forma autónoma, define os seus procedimentos internos”.

"Em qualquer caso, o estudante tem de apresentar previamente às instituições a Autorização de Residência ao Abrigo do Regime de Protecção Temporária. Não havendo uma contabilização conjunta das instituições de ensino superior em Portugal, pode ser destacada uma área em particular, que é a da Medicina, onde as escolas a nível nacional se envolveram numa iniciativa conjunta e deram, face aos muitos pedidos registados, uma resposta de forma concertada, distribuindo os estudantes pelas diferentes faculdades”, conta Filomena Soares.

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