Economia

Angolanos concorrem à privatização do BCI

Isaque Lourenço

Jornalista

Das 18 propostas iniciais recebidas para o concurso de privatização do Banco de Comércio e Indústria (BCI), seis formalizaram a intenção, sendo quatro angolanas e duas estrangeiras, segundo dados obtidos pelo Jornal de Angola de fontes ligadas ao processo.

19/06/2021  Última atualização 08H00
Vista da reunião de ontem da Comissão Nacional Interministerial para as Privatizações © Fotografia por: Dombele Bernardo | Edições Novembro
O leilão do banco deve acontecer entre Setembro e Outubro deste ano, num único dia, data em que também será anunciado o vencedor. Tal ocorrerá, depois de terminada a actual fase de pré-qualificação e apuramento das candidaturas.

O presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Patrício Vilar, reafirmou, no final da reunião de ontem, da Comissão Nacional Interministerial para as Privatizações, em Luanda, que todos os concorrentes têm as condições financeiras exigidas, razão pela qual o procedimento de concurso é por via da Bolsa. Só após a certificação das garantias bancárias e até mesmo o parecer do Banco Nacional de Angola (BNA) é que se admite a respectiva proposta.

"Essa é a virtude de recorrer-se à Bolsa. Nesse mercado, não é possível fazer-se uma operação se os concorrentes não tiverem os dinheiros nas respectivas contas. Para que os referidos recursos estejam bancarizados, precisam provar a origem dos fundos e passar pelo concurso de prévia qualificação. Com esses instrumentos, os riscos de branqueamento de capitais e outros ficam mitigados”, disse.

Patrício Vilar sublinhou que uma Oferta Pública em Bolsa leva, em média, um ano a ano e meio, pois os concorrentes também realizam as respectivas "due deligence”, requerem pareceres de auditores contratados e há, ainda, a figura do intermediário financeiro, ao qual cabe a tarefa de procurar os investidores para interagir, de forma permanente, sobre toda a informação necessária e disponível."O processo é bastante complexo, mas é mesmo assim. Estamos a lidar com dinheiro. Ninguém mete o seu dinheiro se não obtiver garantias de lisura e de viabilidade: em negócios desta natureza, é assim”, afirmou.

De acordo com Patrício Vilar, que também exerce como coordenador-adjunto da Comissão Técnica da Comissão Nacional Interministerial, na reunião, orientada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica e coordenador da Comissão Nacional Interministerial, Manuel Nunes Júnior, foi também apreciada a calendarização do Programa de Privatizações e o respectivo plano para o ano em curso.No encontro, os membros avaliaram e concluíram existirem condições para o cumprimento das tarefas assumidas.Em relação aos outros activos do sector financeiro, designadamente Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Caixa Geral de Angola (BCGA), foi reapreciado o processo de preparação e concertação com os accionistas visando a privatização dos direitos do Estado nestes bancos, decidindo-se, como prazo, o período entre o segundo semestre deste ano e o primeiro do próximo.

Em breve, anunciou o líder do IGAPE, é lançado o concurso para privatização dos activos Tv Cabo, através de Oferta Pública em Bolsa, e da Multitel, nas Telecomunicações, isso depois da Net One, que recebe candidaturas, neste momento.Segundo Patrício Vilar, o procedimento de Oferta Pública em Bolsa também vai ser observado no concurso de privatização da Sonangalp, cujas peças estão em fase de finalização.  Hotéis do Infotur
Três hotéis do Infotur nas províncias da Huíla (Lubango), Namibe (Moçamêdes) e Benguela estão agora abertos a candidaturas no quadro do Propriv. A modalidade é de cessão de direitos de exploração na modalidade de opção de compra.Já para as nove lojas dos supermercados e hipermercados Kero, a cedência da gestão a privados não prevê a opção de compra e não inclui as lojas (Xyami), assim como o imóvel do edifício do ex-Gika, em Luanda, por tratar-se de espaço arrendado.Neste momento, há várias cartas de intenções recebidas, mas nenhuma candidatura foi já apresentada, num processo que decorrerá ao longo dos próximos 45 dias.

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