Política

Angola vai apresentar resultados obtidos desde a primeira conferência

César Esteves | Lisboa

Jornalista

Catarina Dias ressaltou que o país participou neste encontro, onde foram feitas algumas recomendações, muitas das quais já implementadas. Realçou, entre elas, a Política de Gestão Integrada da Zona Costeira, com ênfase para a redução na poluição de plásticos em todo o ecossistema marinho nacional

27/06/2022  Última atualização 09H20
Catarina Dias, da equipa técnica do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente © Fotografia por: Kindala Manuel | Edições Novembro

A chefe da equipa técnica do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, para as questões relacionadas com os ecossistemas marinhos, Catarina Dias, avançou, ontem, aqui em Lisboa, que Angola vai apresentar, na Conferência sobre os Oceanos, os resultados obtidos desde a realização da primeira, ocorrida em Junho de 2017, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Estados Unidos da América. Catarina Dias ressaltou que o país participou neste encontro, onde foram feitas algumas recomendações, muitas das quais já implementadas. Realçou, entre elas, a Política de Gestão Integrada da Zona Costeira, com ênfase para a redução na poluição de plásticos em todo o ecossistema marinho nacional.

"Angola vai demonstrar que o que foi definido na primeira cimeira está a ser implementado por cada um dos sectores e áreas relacionadas com o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 14, 10, 11 e 12”, frisou.

A técnica sénior do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente explicou que estas áreas estão relacionadas com a garantia da qualidade de vida, bem como a redução das emissões de gases com efeito estufa, que incidem directamente sobre as actividades humanas no ecossistema marinho.

A chefe da equipa técnica do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, para as questões relacionadas com os ecossistemas marinhos disse que o país está a implementar planos de adaptação para cada uma das áreas, com vista a garantir que as políticas definidas para a redução da poluição e manutenção dos recursos naturais marinhos estejam em consonância com o Objectivo 14 das Nações Unidas, que garante a melhor vida nos mares. "As nossas cidades costeiras têm este problema de poluição com resíduos sólidos e há todo o exercício integrado multissectorial para a redução desta poluição”, salientou.

 

Experiência a colher

Catarina Dias referiu que Angola vai partilhar, nesta Conferência, a sua experiência das Zonas de Gestão Integradas, bem como colher outras, sobretudo relacionadas com a economia circular. Disse que as expe- riências a colher vão permitir o país a compreender, por exemplo, como os serviços ecossistémicos podem galvanizar a economia lo-cal das cidades costeiras e como Angola, enquanto país que tem potencial de pesca de pequena escala ou artesanal, pode potencializar a cadeia de valor deste sector, de forma a garantir que os recursos existentes nos seus mares sejam sustentabilizados na sua exploração, garantindo, assim, que cada uma das áreas na cadeia de valores potencialize não só de técnicas, mas de tecnologias para que os recursos nacionais possam estar em mercados extra-país.


APROVADA EM CONSELHO DE MINISTROS
Estratégia para o mar de Angola   


Angola conta, neste momento, com uma Estratégia Nacional para o Mar, virada para a promoção e o aumento do bem-estar social, do emprego e da riqueza nacional. O documento foi aprovado na última sessão ordinária do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço.

A referida Estratégia tem como fim potenciar a economia azul, num quadro de desenvolvimento sustentável, apoiado no conhecimento científico, afirmando o país como uma referência marítima na sua zona geoestratégica. Para a materialização da iniciativa, o Conselho de Ministros aprovou um Plano de Acção, no qual estão sintetizadas as principais actividades a desenvolver até 2030, para a concretização das medidas indicadas para a prossecução dos objectivos específicos sectoriais, criação de riqueza no domínio marítimo de África, contribuindo positivamente para o desenvolvimento socioeconómico, bem como para o aumento da estabilidade nacional, regional e continental.


STAND É INAUGURADO HOJE
O País na primeira pessoa


Angola conta com um Stand na Conferência sobre os Oceanos, que é, oficialmente, aberto hoje, às 13h00. Sobre este espaço particular, o ministro das Relações Exteriores deu a conhecer que foi criado para que o país fale de si, na primeira pessoa.

"Vamos falar de nós, porque somos nós que devemos contar a nossa própria história, os nossos pontos fracos, mas, também, reconhecer ali onde precisamos de reforçar”, frisou.

O ministro referiu ser através deste Stand que Angola vai expor os seus interesses. Téte António ressaltou que a participação de Angola, nesta Conferência sobre os Oceanos, decorre no âmbito do engajamento internacional e nacional do país sobre essas matérias.

"Principalmente na nossa agenda das Nações Unidas, atendendo a que a Conferência sobre os Oceanos faz parte do Objectivo número 14 da Agenda 2030 das Nações Unidas, que defende o uso sustentável dos oceanos”, salientou.

O ministro das Relações Exteriores recordou que os recursos disponíveis no mar estão em perigo, razão pela qual sublinhou ser necessária a adopção de uma estratégia mundial e nacional, de modo a se conservar todos os recursos marinhos.

Téte António fez saber que Angola vai participar no enriquecimento da Conferência, através dos debates temáticos, com delegações presentes em todas.


BIOSFERA
O valor dos Oceanos

Os oceanos cobrem 70 por cento da superfície da Terra e são o lar de cerca de 80 por cento de toda a vida terrestre, fazendo deles a maior biosfera do planeta. Geram 50 por cento do oxigénio que necessitamos, absorvem 25 por cento de todas as emissões de dióxido de carbono e capturam 90 por cento do valor adicional gerado por essas emissões. Além de considerados "pulmões” do planeta, os oceanos também são o maior filtro de carbono, um amortecedor vital contra os impactos das alterações climáticas. Por outro lado, fornecem comida, energia, oxigénio e múltiplos recursos aos seres humanos.


PARQUE DAS NAÇÕES
Onde tudo acontece

A segunda Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos está a decorrer no Altice Arena, no Parque das Nações, localizado num dos bairros mais modernos da cidade de Lisboa.

Considerada um contraste entre a velha e a nova Lisboa, consta que a zona foi uma área industrial abandonada e revitalizada, em 1998, para albergar a Expo 1998. Com o encerramento do evento, o local permaneceu com todas as instalações e construções, passando a ser, nos dias de hoje, uma das zonas turísticas de Lisboa. O local é conhecido por acolher grandes eventos da capital portuguesa.

Devido a realização deste evento, a capital portuguesa regista um grande fluxo de visitantes. O movimento, nas ruas, nos hotéis e no aeroporto está a ser comparado aos grandes eventos desportivos.

Esta é a segunda Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano. A primeira aconteceu em Junho de 2017, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Estados Unidos da América, e visou, de uma maneira geral, promover as acções contra a degradação marinha.

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